Ações nefastas e predatórias, ilegais e inconstitucionais de grileiros, latifundiários e fazendeiros, apoiados por maus políticos, corruptos em serviços públicos; estimulados pela omissão e negligência criminosas das autoridades nos três níveis e pela morosidade e burocracia da justiça têm levado os nativos brasileiros à expulsão de suas próprias terras, à marginalização, miséria e situação de total abandono e morte às margens de rodovias e periferias de cidades, Brasil afora. Verdadeiro genocídio, desde 1500 quando foram e são mortos até hoje; caçados e escravizados até 1680, quando se iniciou a escravidão negra, de nativos ou povos africanos.
É o que está ocorrendo, por exemplo, na região do Mato Grosso do Sul - MS, com os índios Guaranis Kaiowa ou "povos da floresta", no município de Iguatemi, às margens do Rio Hovy, Fazenda Cambará. Agredidos, torturados e mortos, ou vitimados pelo suicídio individual (a se somar a mais de 500, entre a segunda maior população indígena brasileira, a dos guaranis, com cerca de 45 mil pessoas, restritos a 20 mil alqueires de terra, nessa região oeste do Brasil), às margens da rodovia local, refugiaram-se junto à mata de galeria do rio.
Com a ameaça de desocupação, ordenada pela Justiça - contra a qual o MPF recorre -, 170 índios, sendo 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças, então combalidos e doentes, em regime de confinamento - são impedidos de plantar há anos em alguns metros de terra, quem vivia em mais de 300 mil km² de território próprio, nativo -, declararam em carta às autoridades indigenistas, que vazou para as redes sociais, que: "Nós avaliamos a nossa situação atual e concluimos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo. (...) Não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos aqui. Não temos outra opção."
Estão há cerca de 15 dias em cantos e orações, sem parar, coletivamente, até a morte. Por inanição, sede, fome, desidratação... Inocentes. Inofensivos. Indefesos! Tragédia prevista, evitável, entre tantas outras, de horrores, por séculos aqui no país, como as narradas também no livro "Enterrem Meu Coração Na Curva do Rio", históricos e dramáticos registros do genocídio dos índios norte-americanos.
Cabe-nos, como cristãos conscientes e civilizados, nos manifestarmos, denunciarmos e protestarmos solidariamente,sem omissão, com justa indignação, presencial e/ou virtualmente. Cobram-nos judiciosamente a conciência e a cidadania, a democracia e o Estado Pleno de Direito! A Funai se pronunciou pela imprensa (25/10).
Rubens Colacino