Em mais uma batalha pela ética e justiça, vivenciamos por mais de duzentas horas o julgamento do mensalão, um dos maiores escândalos políticos da recente história republicana do nosso país. Ricardo Lewandowski voltou aos tempos de coronelismo e usou o voto de cabresto para inocentar os senhores feudais de tais acusações. Um voto casado, com apreço político, refutando tudo o que já ouvimos sobre o sentido da democracia em nosso país, isso trouxe a lembrança o fidalgo Rui Barbosa, que em um de seus textos datado de 1914 diz: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
Na esperança por justiça, o paladino ministro Joaquim Barbosa realizou um árduo trabalho, que constituído por inacreditáveis 50 mil páginas, 234 volumes e 500 apensos, nos mostrou que a moralidade e probidade não foram ceifadas e que a força de Estado advém de forças políticas e da coesão social. Lewandowski, por sua vez - assim como "Fausto", alienou sua alma a "Mefistófeles", coligando poder à ruptura dos princípios morais, manchando mais uma vez nossa flâmula com impunidade. Quadrilha, máfia, conluio, alianças escusas, a terminologia pouco importa. De fato, o sim ou o não do voto, fica em segundo plano mediante a tirania de Lewandowski e sua altivez. Expondo um amor materno, veementemente questionava onde estavam as provas contra seus pupilos. Mera coincidência, isso traz à tona o conto de Ali Babá e os Quarenta Ladrões, o simples Abre-te Sésamo era mágica palavra para refutar quaisquer acusações. Esta epopeia nos mostrou como são retrógrados os processos criminais de nosso país, e o quão transgressor torna-se um homem que detém o poder em suas mãos. Uma recente pesquisa apontou que apenas 11% da população acreditam em condenação dos envolvidos.
Todavia, independente de ideologias políticas, essa prática ordinária e desonesta, onde a aliança de poder rechaça quaisquer princípios morais do ser humano deve corroborar com os mais sensatos princípios éticos e de justiça. Nós, meros mortais aguardamos a condenação dos nefastos seres que fizeram parte desta trama, é o mínimo que se espera.
Vinicius Canaes