São Paulo é o Estado onde mais se gasta com animais domésticos. De cada R$ 3 gastos no País com pets R$ 1 é desembolsado por paulistas. É o que mostra pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o estudo, só neste ano os brasileiros deverão gastar R$ 5,92 bilhões com animais de estimação e 32% desse montante serão movimentados no Estado.
Para a diretora de Atendimento e Planejamento de Geonegócios do Ibope Inteligência, Márcia Sola, a grande participação do Estado já era esperada. "É o maior em população, em PIB e em potencial de consumo."
Apenas o consumo domiciliar foi considerado. Foram analisadas compras de animal doméstico, vacina, banho e tosa, gastos com veterinário, ração, xampu, brinquedos e acessórios.
O Ibope aponta que o consumo por habitante desses produtos será de R$ 36,31 neste ano, 13% mais que em 2011. O gasto per capita anual específico do paulista é de R$ 47,46, frente aos R$ 46,76 do ano passado.
De acordo com a pesquisa, 49,86% de quase R$ 1,9 bilhão que circula no Estado são gastos pela classe B, ou seja, famílias com renda média de R$ 4.500. Para Márcia, a participação da classe C - com renda familiar entre R$ 1 mil e R$ 2.500 - foi uma das principais surpresas do estudo.
"Há um consumo realmente significativo dessa camada, que é uma família que a gente não espera que gaste com esse tipo de produto, que pode até ser considerado supérfluo."
Produtos
A proliferação de megalojas especializadas de produtos pet é um reflexo da força desse mercado. De acordo com Márcia, o que vem ocorrendo é uma qualificação da estrutura de varejo. "Foi o que já aconteceu com supermercados e lojas de construção."
São inúmeros produtos, entre rações, petiscos, brinquedos, roupas e acessórios. Até mesmo o mercado estético tem crescido, com a oferta de serviços cada vez mais curiosos. Para se ter uma ideia, uma loja chega a oferecer aos clientes aplicação de unhas de vinil (entre R$ 70 e R$ 99), banhos tonalizantes e escovas de chocolate ao leite ou branco (entre R$ 25 e R$ 45), dependendo da preferência do animal.
Mesmo quem ainda vem "só pela ração" não se contém. "Gosto de ficar passeando, vendo as coisas, mas só compro a comida", dizia a dona de casa Angélica Barbosa, 65 anos, em uma megaloja do Limão, zona norte. Vinte minutos depois, ela estava com o carrinho cheio de brinquedos. "Não me aguentei", revelou, sorrindo.
Quando o animal ainda é filhote, as despesas se multiplicam, pois são inúmeras as vacinas, idas ao veterinário e tentativas de adaptação à ração. A empresária Joana Maciel, 50 anos, e seu filho, Vinícius, de 20, contam que o poodle Zack chegou a tomar uma vacina a cada 15 dias.
"Cada uma custava R$ 100. Sabíamos dos gastos, mas queremos cuidar bem", diz Joana. "Tentamos dar sempre o melhor", completa Vinícius.
O que mais pesa no bolso dos donos de animais, porém, são as despesas quando os bichos adoecem. Entre internações, operações e tratamentos no Hospital Sena Madureira, na Vila Mariana, zona sul do capital, o analista de suporte Rafael de Paiva, diz já ter gasto mais de R$ 7 mil com seu golden retriever. "Mas você gasta o que precisar para ter o melhor serviço."