Malavolta Jr. |
|
|
Ao entrarem na casa da família, na Vila Dutra, policiais já encontraram Mirian morta |
Em menos de 26 horas, Bauru registrou três homicídios, dois passionais e um que seria motivado por conta de dívida com traficantes. Foi com este trágico saldo que o final de semana terminou na cidade. O último assassinato ocorreu por volta das 18h de sábado, mas só foi informado à polícia depois que o autor resolveu se entregar. A última morte impressiona pela forma violenta como aconteceu. Impulsionado por ciúme, um marido estrangulou a esposa na Vila Dutra.
Segundo consta em boletim de ocorrência, o vendedor de 40 anos, Eduardo Antônio Janini, compareceu à unidade policial, por volta das 2h da madrugada de ontem, acompanhado do seu irmão, confessando o crime que teria cometido na tarde do dia anterior.
Na presença dos policiais, ele relatou que matou sua esposa, a auxiliar de cozinha Mirian Palmeira Quina, 21 anos, por ciúme, dizendo que a mesma o traía, saía para baladas e que o deixava cuidando da filha de 3 anos do casal.
Em seguida, o homem entregou a chave de sua casa aos policiais e informou que sua filha estaria com a avó materna.
Após a confissão, a polícia acionou a equipe de socorro do Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e agentes da Polícia Civil.
Ao chegarem à residência da família, localizada na quadra um da rua Joaquim da Silva Marques, na Vila Dutra, os policiais notaram a que a casa estava trancada e, de posse das chaves, abriram e seguiram para o quarto do casal, onde encontraram a mulher caída no chão, já sem vida, ao lado da cama.
A Polícia Técnica foi acionada para realizar a perícia, assim como o médico legista para realizar o exame necroscópico. Após os trabalhos, a residência foi liberada para os familiares da vítima.
Confirmados os fatos, o vendedor teve a voz de prisão ratificada e foi encaminhado à Cadeia Pública de Avaí.
Mais duas mortes
No último sábado, por volta das 3h da madrugada, um jovem de 23 anos foi encontrado morto com tiros à queima-roupa na nuca e no tórax, em um imóvel abandonado, localizado na altura da quadra 1 da avenida Amapá, próximo à rodovia Marechal Rondon, na Vila Carolina. Rodrigo Carlos da Silva, conhecido como “Di Menor”, estava estirado de bruços em um dos cômodos da casa.
Silva, cuja a família é de Lins, morava sob o viaduto da Rondon e era dependente químico. Para sustentar o vício, cometia vários delitos na região e ganhou liberdade no dia 9 deste mês.
Outro caso, dessa vez passional, aconteceu por volta das 16h da última sexta-feira, quando Waldomiro Mancinho da Silva, 40 anos, morador do Jaraguá, foi assassinado com quatro tiros em frente a um frigorífico, no Mary Dota.
A vítima saía da empresa em que trabalhava com outros dois amigos em um Monza. O carro foi cercado e, a vítima, baleada. Algumas horas depois, a Polícia Militar localizou Leandro Gonçalves, 25 anos. Ele foi preso enquanto tentava entrar em uma clínica de reabilitação. À polícia, o rapaz confessou o crime e alegou que matou Waldomiro por ciúme, alegando que sua esposa estaria sendo assediada pela vítima.
Vítima já tinha sido ferida com facada
Antes de estrangular Mirian Palmeira Quina, 21 anos, o companheiro dela há 8 anos, Eduardo Antônio Janini, 40 anos, já havia desferido uma facada contra mulher. Quem garante é o irmão da moça, Felipe Quina, que não soube precisar quando a ocorrência foi registrada.
“Isso aconteceu há uns anos”, disse. O pai dela, Claudinei Quina reitera que a briga do casal já tinha sido registrada, em ocasião anterior, na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Por conta dos desentendimentos, o casal teria decidido separar-se, mas continuava vivendo sob o mesmo teto, numa casa na Vila Dutra, acrescenta Felipe.
Mirian e Eduardo, que se conheceram quando ele foi vender filtro à avó dela, tiveram duas filhas. A mais velha, 5 anos, era criada pela bisavó materna. Já a mais nova, 3 anos, era grudada ao pai, principal responsável pelos cuidados com a criança, informa Claudinei.
“Dissemos para elas que o Papai do Céu levou a mamãe. Choraram muito”, contou o avô das crianças, que pede justiça. Além da dor de perder a filha, encarou a decepção de se frustrar com um homem que tratava bem a família.
“Ele nunca fez nada contra mim. Mas judiava muito da Mirian. Conversávamos e ela dizia que o amava”, comenta Claudinei. De acordo com ele, sua filha era uma moça alegre, carinhosa, que gostava de música sertaneja. “Fiquei sabendo que ela começaria em um emprego novo amanhã (hoje). Estava muito feliz”, diz.
Tragédia
Até sexta-feira, Mirian trabalhava como auxiliar de cozinha numa pizzaria. Segundo o irmão Felipe, quando terminou o expediente, foi com a mãe a uma casa noturna. Já no sábado à tarde, passou a discutir com Eduardo.
“Uma vizinha ouviu o pedido de socorro por volta das 17h. Chegou a correr para a rua, mas não encontrou ninguém que pudesse ajudar. Como tudo ficou quieto depois, achou que a briga tivesse acabado. Às 20h, ela o viu passando pano na casa”, comenta Felipe. De acordo com ele, quando Eduardo confessou o crime, os policiais disseram que chamariam socorro para ajudá-la, mas ele próprio disse ser tarde de mais.
Sem a mãe, as duas irmãs agora ficarão juntas, na casa da bisavó. Foi ela quem criou Mirian, que se apaixonou por Eduardo aos 13 anos. Aos 16 anos, parou de estudar porque engravidou. “Hoje é dia 28. Dia que estou enterrando essa menina. Ela nasceu também no dia 28, mas de abril”, comentou o pai, inconsolável.