Esse título atrai olhares. Comoveu-nos a recente notícia de que Regina Dourado, atriz da Globo, morreu no sábado último de câncer de mama, afinal, trata-se de personalidade pública. Em 2010, 450 mil diferentes nomes de mulheres no mundo poderiam ter ocupado esse título. Tal foi o número de mulheres que morreram acometidas pela doença naquele ano, tornando o problema uma questão de saúde pública.
Graças aos avanços da medicina, não vejo títulos assim com nome de diversas mulheres com as quais eu convivi, entre elas amigas e a minha mãe. Dezenove anos se passaram desde que minha mãe recebeu seu diagnóstico e ela está aqui, firme e forte ao meu lado.
Diagnosticado precocemente, por meio de exames simples, as chances de cura do câncer de mama são grandes: mamografia, ultrassonografia e autoexame. Mas a disponibilidade de equipamentos para os exames não bastam, é preciso agendamento rápido, equipamentos em boas condições, médicos especialistas na leitura de imagens e no tratamento específico da neoplasia, pronta liberação de medicamentos. É preciso agilidade da rede hospitalar na oferta de vagas nos centros cirúrgicos. No Brasil, a situação ainda é altamente desfavorável. Falta tudo, inclusive conscientização.
O diagnóstico precoce permite um tratamento mais simples, menos despesas e menos sequelas individuais e sociais. Engana-se quem pensa que a doença só acomete mulheres maduras. Tenho acompanhado inúmeros depoimentos de jovens com menos de 30 anos surpreendidas com câncer de mama. O impressionante é a força com que se unem e a determinação com que, como eu, vêm a público dispostas a dissipar o tabu em torno da palavra câncer.
Eu, neste momento em que o outubro rosa começa a se mesclar com o amarelo dourado do novembro, escrevo com o intuito de reafirmar a importância de que as mulheres se autoexaminem. Creiam-me, isso não é lorota, não é papo prá boi dormir.
É incrível, mas muitas mulheres ainda acham que se tocar é pecado ou que não estão preparadas para detectar coisa alguma em suas mamas, ao que eu retruco: as mamas são suas, vocês são capazes de conhecê-las melhor do que ninguém, não há necessidade de técnica alguma para isso. Qualquer coisa diferente encontra na palpação, conversem com seus médicos. Cumpram a sua parte e terão grande probabilidade de, como eu, dormirem absolutamente tranquilas e acalmarem as pessoas que à sua voltam entram em pânico ao saber que você está com câncer de mama.
Talvez, um dia, no futuro, eu venha a cuidar da minha filha, como hoje minha mãe cuida de mim, mas sei que ela estará tranquila, como eu, por não ter medo e por ter se prevenido. As notícias dão conta de que em 2020 teremos vacina contra o câncer, mas, até lá, autoexaminem-se, mulheres!
A autora, Ligia Beatriz Carvalho de Almeida, é professora universitária