Regional

Estupro aponta para outros crimes

Lilian Grasiela com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Agudos – As investigações por parte da Polícia Civil de Agudos (13 quilômetros de Bauru) sobre o suposto estupro de uma jovem de 18 anos revelaram a existência de vários outros delitos, entre eles a tentativa de familiares da vítima de fazer Justiça com as próprias mãos (leia mais abaixo), o estupro de uma menina de 13 anos por dois homens e consumo excessivo de álcool e drogas por meninas de 13 e 17 anos.

Conforme divulgado pelo JC, a jovem de 18 anos deu entrada na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, na madrugada do dia 22 de outubro, com graves lesões nas regiões vaginal e anal. Segundo informações da polícia, ela foi encontrada por populares, por volta das 2h30, caída na via pública, no parque Pampulha, espumando pela boca.

Levada ao Pronto-Socorro (PS) local, a jovem foi transferida para Bauru. “Por ela apresentar lesões de certa gravidade na região vaginal e anal, a gente preferiu registrar boletim de ocorrência e solicitar exames de corpo de delito e coleta de material para apurar o que houve realmente com ela”, disse na ocasião o delegado titular de Agudos, Jader Biazon.

Na maternidade, ela passou por cirurgia reparadora em razão dos ferimentos e teve alta após dois dias. Inicialmente, a jovem alegou que a relação sexual havia sido consentida, mas depois revelou que havia sido vítima de violência sexual por parte de um adolescente de 17 anos. Ele foi identificado e ouvido e poderá responder por ato infracional de estupro.

Segundo o delegado, as investigações indicaram que, no dia dos fatos, a menina de 18 anos estava na companhia de três garotas, duas de 13 e uma de 17 anos, do adolescente de 17 anos e de dois homens, de 18 e 37 anos. Após consumirem bebida alcoólica e cocaína, eles foram até um campo de futebol no bairro Professor Simões para manter relações sexuais.

“Ela fala que, inicialmente, consentiu com a relação sexual mas que depois foram praticados uma série de abusos sem o consentimento dela. E durante essa série de abusos é que foram causadas as lesões nela”, conta Biazon. Os fatos teriam ocorrido dentro de um Gol branco, que foi apreendido e periciado. No banco traseiro, haviam vestígios de sangue.

 

Segundo estupro

Durante as investigações sobre o estupro da jovem de 18 anos, de acordo com o delegado, uma das meninas de 13 anos  e a de 17 anos acabaram revelando que havia feito uso de cocaína e álcool e mantido relações sexuais com dois homens – o de 18 e o de 37 anos. Os dois, que moram em Agudos, foram identificados e ouvidos na delegacia.

“Um disse que a menina falou que tinha 17 anos e o outro, que ela falou que tinha 18 anos. Eles alegam que não sabiam que a menina tinha 13 anos”, revela. Segundo Biazon, apesar de confessarem o uso da cocaína, nenhum dos três homens assumiu ter levado a droga para que as meninas consumissem.

“Por serem fatos atrelados, vai ser instaurado um inquérito policial só, vai ser apurado – e já foi esclarecido – o abuso sexual sofrido pela primeira vítima, assim como vai ser também apurado esse estupro de vulnerável em razão da idade dessa vítima de 13 anos”, explica. “Ao final do inquérito, eles serão indiciados”.

 

Justiça com as próprias mãos

De acordo com o delegado, no mesmo dia em que a jovem de 18 anos deu entrada na Maternidade Santa Isabel, o pai dela, acompanhado de três homens e uma mulher, abordaram o jovem de 17 anos com quem ela havia mantido relações sexuais e um amigo dele de 21 anos e obrigaram os dois a entrar em um veículo.

Os dois jovens foram levados pelo grupo até uma estrada de terra e, próximo a uma lagoa, foram agredidos com socos, tijoladas e pauladas. “Ele foram violentamente agredidos, mas conseguiram fugir”, conta. Segundo Biazon, os envolvidos já foram identificados e deverão ser ouvidos nos próximos dias.

Inicialmente, eles vão responder por lesão corporal. Porém, o delegado explica que, dependendo do que as investigações apontarem, eles podem ser indiciados por tentativa de homicídio.

Nos próximos dias, Biazon revela que irá solicitar agendamento de reunião com o prefeito e vereadores para propor rigor maior na concessão de alvarás a estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas. Ele defende a discussão de uma lei que estipule limite de horário para o fechamento dos bares no município. 

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