Hoje é muito comum ligarmos a TV e nos depararmos constantemente com notícias aterrorizantes sobre ataques e mortes de policiais militares, policiais civis, agentes e também de pessoas civis, mas o que nos chama a atenção são os ataques diretamente aos policiais à paisana, policiais que possuem fora do seu horário de serviços esposas, filhos, famílias, sonhos, que estão sendo ceifados em nome de uma instituição na qual tem o dever de segurança a toda uma sociedade e que não consegue prover a segurança daqueles que compõem a própria instituição.
Não são apenas os policiais que estão sofrendo com esse medo, nesse mês, além de todas essas mortes, a esposa de policial militar foi espancada e violentada, pelo simples fato de ser casada com um militar, e foi dito isso a ela no momento em que ocorria o crime. Que coisa triste, que vergonha para o Estado mais rico do Brasil, com a maior arrecadação de impostos que deveriam ser revertidos em segurança, em educação e hoje nos deparamos num momento de muita violência e insegurança.
Infelizmente, hoje usar uma farda de policial militar que antigamente poderia até ter um tipo de orgulho, hoje é um risco para todos, tanto a ele como a pessoas que tanto ama. Policiais foram mortos de forma cruel e covarde, em emboscadas, quando estavam fazendo os seus bicos, por necessidade de aumentar suas rendas para sobreviver e tentar melhorar a qualidade de vida de seus familiares, devido a um governo miserável que não valoriza o quadro de policiais que estão direto no combate, os soldados, cabos e sargentos, que não fazem parte da elite.
Na verdade, todos nós, cidadãos, deveríamos ter a mesma segurança que os bam bam bam do poder e seus familiares possuem, estão sempre seguros em seus carros blindados, com os seus seguranças particulares, em suas salas repletas de segurança apenas dando ordens, tudo pago por nós, cidadãos, e no fim do dia estressante, o retorno em segurança às suas casas seguras em condomínios fechados.
Quando questionado, o sr. governador sempre argumenta com palavras bonitas, sempre se referindo a números, a retaliações, mas o que vivemos hoje reflete o próprio descaso que ocorre por todos os responsáveis pela segurança de nosso Estado. Acho que é porque eles não sentem na pele o que pessoas de bem sentem ao ver os seus entes queridos no caixão. E esses números a que tanto se referem tinham famílias, filhos que hoje sofrem pela perda de seus pais, esposas que terão de se viver com a dor da perda de seus companheiros, mães que enterraram seus filhos ainda na juventude e com o sonho de mudar o mundo. A intervenção da União no Estado de São Paulo negada é necessária e urgente sim, pois o governo atual já demonstrou a incapacidade de cessar com esses ataques do crime organizado que, diga-se de passagem, é muito mais organizado que o nosso Estado.
A injustiça não termina por aí, se não for configurado que a morte ocorreu pelo fato de serem policiais seus familiares ficarão desamparados pelo Estado, sem direito ao seguro que fazem jus, então perguntamos: onde estão os direitos humanos dos policiais e de seus familiares, quantas mais pessoas inocentes terão de perder suas vidas para que algo seja feito? Vamos pedir a Deus que esse sofrimento não chegue ao interior e que cesse na Capital.
Andreia Lima - Estudante de Direito da cidade de Bauru