Polícia

Polícia avaliará se homem que deixou filho pode dirigir

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil, por meio do 1.º Distrito Policial (DP), solicitou que seja aberto um processo administrativo para avaliar se Gilmar Rodrigues da Silva, 32 anos, ainda tem condições de dirigir depois do acidente ocorrido no último sábado. Dependendo da conclusão, o homem pode ter sua habilitação suspensa ou até cassada.

O acidente ocorreu na madrugada de sábado, na quadra 16 da avenida José Henrique Ferraz, próximo ao Recinto Mello  Moraes. Gilmar conduzia um Renault Scenic quando colidiu na traseira de um caminhão estacionado.

Após o acidente, o homem teria abandonado seu filho de 4 anos dentro do carro. A Polícia Militar (PM) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados para atender a colisão. Desde então, o garoto está internado no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina de Botucatu.


Isso é algo previsto no Código de Trânsito. Quando a pessoa passa por um grave acidente, ainda mais com as condições que foi, pode ser aberto um processo administrativo para avaliar se ele tem ou não capacidade de continuar dirigindo”, explica o titular do 1.º DP, Dinair da Silva.

Gilmar Rodrigues da Silva se apresentou anteontem, quatro dias após o acidente, à polícia. De acordo com sua defesa, ele não fugiu do local do acidente. A tese é de que o homem procurou socorro, porém, por conta da colisão, desmaiou e saiu vagando sem rumo e desmemoriado pela cidade.

Conforme o JC divulgou ontem, o inquérito foi instaurado por tentativa de homicídio com dolo eventual, uma vez que, de acordo com a polícia, Gilmar parece ter assumido o risco de matar. “Ouvimos três testemunhas e o caso avançou bastante.

Só não posso dar detalhes do que foi dito para não atrapalhar as investigações, mas, foram bastante elucidativos”, complementa Dinair da Silva.

Segundo familiares, Gilmar foi ontem para Botucatu e conversou bastante com a esposa. Ele ainda teria ficado ao lado do filho acidentado. “Ele falou que era o ‘papai’ e o menino demonstrou uma reação”, conta uma familiar.

Em nota, o Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina de Botucatu afirmou que o garoto continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e respirando com a ajuda de aparelhos.

Entretanto, de acordo com a assessoria da instituição, ele apresentou leve melhora de seu nível de consciência. (VO)

 

Divergência de horários

Uma das contradições entre a versão da defesa de Gilmar Rodrigues da Silva e a que os moradores alegavam foi uma confusão ocorrida no bairro onde a família mora. Vizinhos disseram que o problema envolvendo o motorista foi pouco antes do acidente, porém, o defensor alega que ocorreu pela tarde.

A reportagem do JC consultou a Polícia Militar (PM) para saber qual horário em que viaturas atenderam a ocorrência de “briga generalizada”. De acordo com a corporação, o atendimento foi feito entre 22h e 22h30. Como tudo foi resolvido no local, não foi necessário registrar boletim de ocorrência (BO).

Outra divergência é em relação ao horário em que o acidente ocorreu. As primeiras informações davam conta de que fora por volta das 4h da manhã. Entretanto, a família contestava esse horário. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informa que a primeira viatura chegou ao local exatamente à 1h48. 

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