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Finados tem manifestação pela paz


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São Paulo - Moradores do Jardim Ângela, bairro da zona sul da capital paulista, celebraram o Dia de Finados ontem com um ato pela paz. Cerca de 1,5 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, caminharam pelas ruas do bairro em direção ao Cemitério Jardim São Luiz.

Para a organização, a caminhada, que durou quase duas horas, reuniu 6 mil pessoas. Em meio à onda de violência dos últimos meses no Estado de São Paulo, eles pretendiam mostrar que a organização comunitária é um dos caminhos para amenizar o problema da segurança pública nos centros urbanos.

Ontem, a capital e a Região Metropolitana de São Paulo tiveram mais um dia violento, com pelo menos nove mortos entre as 19h de quinta-feira e as 9h desta sexta. Pelos menos três pessoas foram mortas em supostos confrontos com policiais.

O cabo da PM Marco Volnei Zacarias Pilatti, 42 anos, foi morto por volta das 6h20 no Jardim Nazaré, em São Bernardo, quando seguia de moto para o trabalho, vindo de Praia Grande, onde morava. Ele foi baleado no peito, no pescoço e no rosto por dois homens que também estavam em uma motocicleta.

 

Triângulo da morte

Em 1996, o Jardim Ângela foi eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a região urbana mais violenta do mundo. “(Os bairros) Capão Redondo, Jardim Ângela e São Luiz eram conhecidos como triângulo da morte’’, disse Eduardo Oliveira, coordenador de comunidade da Paróquia Santos Mártires e um dos organizadores do ato. A coordenação do ato informou que, em 1998, eram registrados 130 homicídios para cada 100 mil habitantes na região.

 

Para a rua

“Nessa época, tinha um sentimento de medo muito forte. Foi então que nos reunimos para pensar o que fazer. Em vez de levantarmos grades e muros mais altos, fazendo das casas cadeias, vimos que o melhor era ir para a rua”, diz padre Jaime Crowe, da Paróquia Santos Mártires. Desde 1995, os moradores reúnem-se no dia 2 de novembro para protestar e dar visibilidade às vítimas da violência da região, muitas das quais são enterradas como indigente no Cemitério Jardim São Luiz.

“Reunimos 5 mil pessoas no primeiro ano. A caminhada deu-nos fôlego para pensar outras ações. Foi então que criamos o Fórum em Defesa da Vida, que continua se encontrando mensalmente na paróquia”, disse o padre.

Ele informou que as reuniões aglutinam, em média, 50 pessoas. Dentre as conquistas resultantes do processo de organização, ele cita a construção do Hospital M’Boi Mirim e a implantação do policiamento comunitário. “A taxa de homicídio no Jardim Ângela caiu para 25 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Queremos chegar a zero”.

O padre Jaime Crowe avalia que, quando a comunidade é assistida em termos de políticas públicas, os índices de criminalidade tendem a cair. “Você cria oportunidade para as pessoas”, diz.

Ele avalia que os recentes casos de violência não chegaram tão fortemente ao Jardim Ângela. “O bairro não está mais em primeiro lugar no ranking. A desigualdade é responsável por gerar violência. Tem que fazer chegar cidadania nesses lugares”.

Durante o ato, os moradores utilizaram faixas brancas na cabeça com nomes de pessoas do bairro que foram assassinadas. Além disso, grupos de jovens fizeram apresentações teatrais. Ao final da caminhada, foi celebrada uma missa campal no cemitério.

 

 

Para comandante da PM, ajuda do Exército é desnecessária 

 

São Paulo - O comandante da Polícia Militar de São Paulo, Roberval França, afirmou ontem que também acha que o apoio do Exército é “desnecessário” no Estado. 

 

“O Estado tem 100 mil policiais militares e 30 mil policiais civis. Somos o maior contingente policial da América Latina e há grande volume de investimento em segurança no Estado”, afirmou o comandante durante entrevista concedida ao telejornal “SPTV”, da Rede Globo. 

 

A declaração foi dada após a cerimônia que homenageou os policiais mortos em serviço, no mausoléu da PM, no cemitério do Araçá, na zona oeste de São Paulo. 

 

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deve rejeitar a oferta do governo federal de deslocar tropas do Exército para ocupar áreas críticas de São Paulo, como a favela Paraisópolis, na zona sul. 

 

Na conversa com a presidente Dilma Rousseff anteontem, o governador disse que não quer o Exército e que acha que a situação de São Paulo é bem diferente da que motivou a ocupação militar do Complexo do Alemão, no Rio. 

 

Mas ele não descartou de imediato. Ficou de analisar a proposta e tratá-la dentro da discussão para elaborar uma estratégia conjunta. 

 

Em um primeiro momento, o governo federal cogita oferecer tropas federais, tanto do Exército quanto da Força Nacional de Segurança. 

 

A última vez que os governos federal e estadual fizeram um acordo para empreender estratégia conjunta na segurança pública em São Paulo foi em agosto de 2006, quando a facção criminosa PCC impunha há três meses uma onda de ataques contra a polícia paulista. 

 

A elaboração de um plano integrado já havia sido anunciada pelo ministro da Justiça, que disse, porém, que o governo paulista estava interessado só em verba para financiar projetos pontuais. O tema virou motivo de bate-boca entre os dois governos. 

 

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