O funcionamento sexual tanto do homem quanto da mulher não está imune aos efeitos colaterais dos mais variados tipos de remédios usados para males que nada têm a ver com a sexualidade.
Segundo especialistas, até mesmo um descongestionante nasal pode diminuir a lubrificação da vagina e até causar disfunção erétil.
De acordo com José Carlos Reichelmann, médico sexologista e coordenador do Comitê Multidisciplinar de Sexualidade Humana da Associação Paulista de Medicina, isso ocorre pode que diferentes tipos de remédios afetam negativamente alguma das três fases do funcionamento sexual: o apetite, a excitação e o orgasmo.
O efeito colateral de cada um desses medicamentos, no entanto, varia de pessoa para pessoa. "Em geral, quando a dose é muita alta, afeta todo mundo", afirma Vicente Renato Bagnoli, ginecologista e obstetra, professor associado de Faculdade de Medicina da USP.
Um medicamento que pode se transformar em vilão do bom funcionamento sexual do homem é o anti-hipertensivo. "Quando você toma um remédio desses e o fluxo sanguíneo é interrompido, de tão baixa que está a pressão, cai também a chegada de sangue no pênis, impedindo a ereção", explica Roberto Iglesias, urologista do Centro de Referência da Saúde do Homem, da Secretaria de Estado da Saúde.
Há casos também de uma interação entre dois remédios atrapalhar o funcionamento sexual. O usuário de medicamento para impotência que toma um regulador de pressão pode retomar o quadro de disfunção erétil, por exemplo.
Assim como sempre deve ocorrer na sua indicação, parar de tomar quaisquer desses medicamentos é uma decisão que cabe ao médico.
Segundo os especialistas, o médico que receita um remédio com esses efeitos colaterais muda a dose ou troca o remédio para que o apetite sexual do paciente volte ao normal.