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Entrevista da Semana: Marco Alberto Belinasi e Regina Maria Mancebo (Regina & Marquinho)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Eles dividem a vida e os palcos. Assim são os dias do casal Regina & Marquinho, uma das duplas mais conhecidas da noite bauruense.

Multi-instrumentista, Marquinho toca bateria, guitarra, saxofone e percussão, além de também cantar. Nascido em Jaú, ele é músico profissional desde os 12 anos de idade. Também atua como produtor musical.

Ela nasceu na cidade de Apiaí em meio ao som da banda do pai e das serenatas típicas das pequenas cidades. Além de cantora, Regina toca violão e é professora de biologia.

Filhos de famílias de músicos, juntos eles apresentam um repertório que passa pelo chorinho, samba, instrumental voltado para o jazz e bossa nova, entre outros estilos da boa música.

O casal se conheceu nos badalados Carnavais da década de 1980 e se reencontrou anos depois. “Por coincidência, o nosso reencontro se deu em um momento em que os dois estavam recém-separados. Conversamos, contamos sobre nossas vidas, nossos filhos...”, lembra Marquinhos.

Entre as muitas histórias sobre os palcos, o casal destaca a viagem e os shows feitos em barzinhos na Europa. “Eu acho até que a música brasileira é mais aceita lá do que aqui”, confessa Regina.

Trabalho, planos, família e outros ritmos fazem parte da entrevista que você confere a seguir.


Jornal da Cidade - A música é uma herança de família da dupla?

Regina - Somos de famílias de músicos, sim. Meu pai é saxofonista, cantor... Então eu cresci ouvindo os ensaios da banda dele. Comecei a cantar na adolescência e não parei mais. Ouvia muita coisa boa, muito bolero... Nasci em cidade pequena e participava de serenatas, era tudo muito gostoso. Agora o meu filho, Rodrigo Mancebo, também está seguindo o caminho da música com a banda “Fome de Cão”. 

Marquinho - Já eu acho que a minha herança musical veio da minha avó italiana que era cantora de ópera. Mas a minha mãe não herdou nada. Meu pai fazia serenatas e eu o acompanhava. E como caçula de nove irmãos, eu cresci no meio de muitos instrumentos, discos...

JC - Você é multi-instrumentista, certo Marquinho?

Marquinho - Eu toco alguns instrumentos. Profissionalmente eu comecei tocando bateria, isso aos 12 anos de idade. Meus pés nem alcançavam os pedais do instrumento e precisaram fazer um extensor (risos). Então, eu comecei a tocar na noite com essa idade, mas sempre tinha um irmão me acompanhando. Tenho quatro irmãos que também são músicos e nosso sonho era ter uma banda só nossa, mas isso não chegou a rolar, ao menos não ainda.

JC - Vocês não são de Bauru. O que os trouxe à cidade?

Marquinho - Eu nasci em Jaú e vim para Bauru porque comecei a tocar em uma banda da cidade, em 1988. Também foi nesse ano que eu conheci a Regina, em um Carnaval. A gente se conheceu por causa de um trabalho feito em uma mesma banda.

Regina - E eu vim para Bauru em 1983 para cursar a Faculdade de Fonoaudiologia, mas me formei em biologia. Nessa época, além de estudar eu também cantava em bares.

JC - Mas o amor de vocês nasceu nesses Carnavais?

Regina - Éramos muito novinhos e nos víamos apenas nos Carnavais, alguns poucos. Eu comecei a namorar, casei e não nos vimos mais. Ele também se casou e, assim como eu, teve um filho... O nosso reencontro veio somente em 1998. 

JC - Foi um reencontro musical ou amoroso (risos)?

Marquinho - Por coincidência, o nosso reencontro se deu em um churrasco no momento em que estávamos recém-separados. Conversamos, contamos sobre nossas vidas, nossos filhos...

JC - Então o namoro veio antes da dupla?

Regina - Sim. A gente começou a namorar e cada um tinha o seu trabalho. Levamos uns seis meses para decidir que trabalharíamos juntos. Eu trabalhava com o Bitenka, trabalhamos juntos por 13 anos, e a decisão foi difícil. Ele sempre foi um irmão, um parceiro nosso... 

Marquinho - Mas como ela sempre cantou, toca violão e eu sempre toquei e cantei, a gente pensou em não desperdiçar tudo isso e unir o amor com a música. E a gente percebeu muitas coisas em comum, muitos gostos. Estamos juntos nessa estrada desde o fim de1998.

JC - Falem um pouco sobre a trajetória musical de vocês.

Regina - A gente gosta de fazer música boa. Atualmente tocamos muito no Templo Bar, temos uma banda de Anos 70, a Back, que também é bem legal e alegre. Temos uma banda paralela de gafieira e estamos sempre com novos projetos musicais. Às vezes, tocamos seresta e é uma delícia tocar para o pessoal mais velho.

Marquinho - Uma coisa bem legal da nossa história foi a nossa viagem à Europa, onde tocamos em muitos lugares bacanas. Fomos para tocar e aproveitamos para fazer turismo. A aceitação da nossa música lá fora foi muito boa, principalmente a bossa nova.

Regina - Eu acho até que a música brasileira é mais aceita lá do que aqui.

Marquinho - É. Aqui é mais a mídia. A gente costuma falar “o que mais se vende” e não o que tem mais valor. Lá, o pessoal conhece Tom Jobim, Vinicius... O pessoal conhece as letras das músicas. Falávamos que somos músicos brasileiros e os camaradas já queriam arrumar um violão para a gente tocar. Eles gostam mesmo da nossa música.

JC - Planos para um futuro próximo?

Regina - Pretendemos voltar em breve para a Europa nessa mesma pegada. Mas antes queremos terminar a construção do nosso estúdio, em casa.        

JC - Por falar em estúdio, vocês pensam em gravar um CD da dupla?

Marquinho - Então, a gente grava CDs para todo mundo, mas o nosso fica sempre em segundo plano. Temos algumas coisas já gravadas, mas...

JC - Vocês também compõem?

Regina - A gente compõe alguma coisa, sim. O nosso primeiro CD terá composições nossas e canções já consagradas.

JC - Além de música, o que o casal gosta de fazer?

Regina - Ah, a gente gosta muito de receber amigos em casa, de cozinhar... Inclusive, é cozinhando que a gente mais gosta de compor. E o dono da cozinha é ele (risos). Também tenho minhas atividades em versão solo. Faço parte do grupo de cantoras e musicistas “Nós Mulheres”, e todo ano fazemos shows beneficentes.

JC - É possível um casal viver apenas da música?

Marquinho - É difícil. Tanto é que temos outros trabalhos. Ela dá aulas de biologia e eu trabalho na Record, tenho um estúdio em casa e na rádio 94FM.

Regina - Algumas vezes eu até me troco no carro. Saio de casa professora e volto cantora (risos).   

JC - E vocês são um casal boêmio?

Regina - Nós somos. Acho que sou até mais do que ele. Quando a gente não está tocando, por exemplo, ele não aguenta e dorme mais cedo. E eu, não. Eu fico acordada até as 3h.

JC - A noite já rendeu boas histórias?

Regina - Nossa, e como. Teve uma vez, por exemplo, que minha calça abriu toda a parte de trás e eu não pude sair do lugar até alguém trazer algo para me ajudar (risos). 

JC - Quem é o Marquinho para você, Regina?

Regina - Ele tem sido a minha essência. Ele me completa como amigo, músico e marido. O Marquinho está sempre presente.

JC - E quem é a Regina para você, Marquinho? 

Marquinho - Ela é uma mulher exemplar. Trabalha muito, dá valor à família e a tudo o que faz. Ela é uma companheira, do tipo que até puxa a minha orelha quando é preciso (risos).

 

 

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