Internacional

EUA tentam prover luz e combustível


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Nova York - Depois da passagem da tempestade Sandy pelos Estados Unidos, que deixou mais de 90 mortos, o país está tentando retornar à vida normal. Há boas notícias, como a volta da energia elétrica em parte de Nova York ontem. Cerca de 100 mil imóveis em Manhattan e outros 122 mil no Brooklyn, dois distritos bastante afetados pelo fenômeno, tiveram o fornecimento de energia normalizado.

Nem todos, porém, têm motivos para comemorar. Cerca de 2,7 milhões de imóveis permanecem sem energia elétrica, em 15 Estados diferentes do país. O clima, que antes era de compreensão por causa da tragédia, parece estar mudando para uma revolta com as autoridades pela demora no reestabelecimento dos serviços.

De acordo com companhias elétricas das áreas atingidas, é possível que a eletricidade só seja restaurada totalmente nos locais afetados dentro de mais uma semana. Em Nova York, há relatos de famílias que já têm energia elétrica que estão abrigando amigos que não tiveram a mesma sorte.

A procura por combustível continua intensa, com inúmeras filas sendo formadas nos postos de abastecimento em Nova York e Nova Jersey.

O governador de Nova Jersey, Chris Christie, ordenou que fosse feito um racionamento de combustível em 12 cidades, para evitar desperdícios.

O esquema que Christie instalou faz com que, nessas cidades, moradores cujos carros terminam em número par só possam abastecer em dias pares. A mesma coisa vale para placas ímpares em dias ímpares.

Na região, estão ocorrendo saques. De acordo com a CNN, um homem teve sua pequena loja de reparação de motores roubada. Os saqueadores levaram todas as suas ferramentas.

Em Staten Island, o distrito de Nova York que tem o maior número de mortos registrados até agora, com 20 baixas, a Cruz Vermelha foi enviada para ajudar nas necessidades básicas dos moradores da região. Eles afirmam terem sido esquecidos pelas autoridades.

Até mesmo a tradicional maratona de Nova York, que aconteceria hoje, foi cancelada.

 

Solidariedade de nova-iorquinos é surpresa

Nova York - A economia do compartilhamento ganhou um novo empurrão na semana de escassez de eletricidade e água. Lojas que tinham gerador próprio colocaram extensões de tomadas até na calçada para que as pessoas pudessem recarregar o celular.

Empresas anunciaram pelo Twitter a possibilidade de emprestar mesas e estações de trabalho a colegas que não podiam trabalhar nas regiões afetadas pelo blecaute, como Soho, Lower East Side, Village, Union Square, Tribeca e Distrito Financeiro.

A rede de academias New York Sports Club abriu todas as suas unidades aos nova-iorquinos que precisassem tomar banho ou carregar o celular - era só mostrar um documento de identidade. Várias concorrentes seguiram o exemplo depois.

Corais de artistas se revezavam em Times Square, cantando trechos de musicais famosos, para arrecadar fundos para a Cruz Vermelha.

Crianças, que tradicionalmente coletam doces no Halloween, usaram sacolas para arrecadar doações aos desabrigados.

De forma surpreendente, alguns taxistas e lojas não estavam “faturando” com a necessidade. Em esquema de lotação, taxistas cobravam até menos com mais passageiros, assim como lojas mantiveram os preços mesmo com a escassez.

Há também a preocupação com idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Desde quinta-feira, a polícia de Nova York começou a subir andar por andar nos prédios residenciais mais altos na zona sul de Manhattan, que estavam sem luz e sem sinal de celular desde segunda-feira.

O temor é de que essas pessoas estivessem sem conseguir sair de casa e sem ter como pedir socorro durante o longo blecaute.

A prefeitura fez campanha pelo Twitter para que “jovens nova-iorquinos saudáveis e fortes” ajudassem a distribuir água e comida pronta a quem estivesse preso nas alturas.

 

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