Neide Carlos |
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Acima, Osvaldi Ticão protesta contra a precariedade da rua onde mora; ao lado, ele sorri com a chegada do asfalto |
São incontáveis os pedidos por asfalto que chegam diariamente ao prefeito Rodrigo Agostinho. Alguns deles são tão insistentes que as quadras e ruas ganham até apelidos: os nomes dos solicitantes, como o famoso Ticão. “Deixou de ser a principal prioridade em Bauru, mas é sempre a primeira reclamação daquelas pessoas que moram na rua de terra. Não tem jeito”, conta o prefeito.
Principal vitrine do primeiro governo de Rodrigo, reeleito no dia 7 de outubro com 82% dos votos, o asfalto chegou a 1.300 quadras nos últimos quatro anos. No entanto, ainda restam cerca de 1.200 sem pavimentos, muitas delas concentradas em bairros com grandes demandas, como o Tangarás. “Por conta da necessidade grande de galeria pesada, a gente estima que custa R$ 9 milhões para zerar o déficit por lá”.
Apesar disso, o prefeito garante que está em seus planos asfaltar todas elas em até quatro anos, valendo-se do argumento de que quantidade semelhante foi executada em sua primeira gestão. Agostinho, aliás, refuta a ideia de que o número de quadras que precisam de asfalto beire as 3 mil em Bauru.
“Não tem isso porque, nessa conta, entram ruas que não foram abertas, onde só tem mato. Algumas têm cerrado. Eu não vou asfaltar onde não tem gente. Quem se beneficiaria seriam os especuladores que esperam a melhoria para valorizar e vender os terrenos”, explica.
A especulação imobiliária, aliás, é apontada pelo prefeito como o principal fator gerador de passivo de asfalto na cidade. “A cidade cresceu com base nisso. Os bairros surgiram sem qualquer infraestrutura. O ponto positivo é que havia terreno barato para a população construir, mas deixou uma conta enorme para a prefeitura”.
Para alcançar a meta de zerar o déficit de asfalto, como pretende, Rodrigo Agostinho vai ter que contratar obras de galerias em 40% das 1.200 quadras de terra habitadas. Segundo ele, será necessário um novo contrato de 10 quilômetros de rede para este governo. “Investimos muito nisso. Foram 40 quilômetros já executado. É a distância de Bauru a Lençóis Paulista”.
As obras de galerias são essenciais para garantir a absorção das águas de chuva. A necessidade é ainda maior em razão do relevo irregular de Bauru.
Prefeito garante 27% da meta para 2013
Das 1.200 quadras sem pavimentação, pelo menos 330 receberão asfalto no próximo ano, segundo Rodrigo Agostinho
Moradores de 330 quadras de diversos bairros de Bauru terão suas ruas pavimentadas no ano que vem. Com orçamento restrito para asfalto novo no primeiro ano de seu segundo mandato, apenas 110 delas são referentes a novos contratos que estão sendo licitados. Outras 130 ainda restam ser executadas do lote de 513 quadras do primeiro governo, além de outras 90, aditadas do mesmo contrato.
Essas quadras sobraram, segundo Rodrigo Agostinho, porque dependem de obras de galerias. A prefeitura contratou 10 quilômetros de rede em disputa vencida pela Demop. No entanto, o serviço atrasou em razão de problemas com a subcontratação de mão de obra por outras empresas.
Já os contratos novos têm como finalidade concluir a pavimentação dos bairros que já foram contemplados, mas ficaram com buracos de ruas de terra. “O pessoal fica louco com isso. A gente pavimenta, mas sobra alguma coisa. Vamos terminar isso”.
Uma das licitações envolve 70 quadras na Vila Ipiranga, Vila Nipônica, Vila Coral, Jardim Marília, Jardim Eldorado, Parque City, e Nova Bauru. A outra vai contratar 40 quadras para concluir a pavimentação nas vilas Santista e São Francisco.
O prefeito diz ainda que está articulando em Brasília emendas de deputados federais para o Orçamento de 2013, que também podem contemplar quadras de asfalto.
Parque City, Vila Industrial e Parque das Nações são os próximos bairros que vão receber o asfalto ainda este ano. “Temos que correr porque já começa o período de chuva e vamos ter que focar no tapa-buraco”.
Município cogita ‘empréstimo para asfalto’
O prefeito Rodrigo Agostinho diz que o assunto ainda precisa ser muito pensado e discutido, em razão do alto nível de endividamento de Bauru. No entanto, ele afirma que cogita financiar recursos do FGTS junto ao governo federal para pavimentar as quadras restantes de Bauru. “É um dinheiro barato, que pode ser pago em até 30 anos e solucionaria a demanda com maior agilidade”.
Com isso, o dinheiro da prefeitura, segundo Rodrigo, poderia ser utilizado em outras obras, com as tão prometidas interligações de bairros (que já contam com células compradas e estocadas desde 2009) e, até mesmo, a viabilização de novas avenidas. “O governo não financia avenidas porque entende que elas aumentam o número de carros nas ruas. A intenção é melhorar o que já existe”.
Em relação às interligações, o prefeito coloca como empecilho a dificuldade para obtenção da licença ambiental para as obras. Na semana passada, porém, a Zopone ganhou a licitação para executar o serviço no córrego Barreirinho. Os recursos vieram do PAC-Drenagem, via Ministério das Cidades, e são da ordem de R$ 1,8 milhão.
A intervenção aumentará a opção de acesso aos bairros Quinta da Bela Olinda, Jardim Ivone, Núcleos Habitacionais Mary Dota, Nobuji Nagasawa, Eldorado, Jardim Silvestre, Jardim Flórida, Jardim Araruna e Jardim Pagani, à avenida Nuno de Assis e à rodovia Marechal Rondon.
Asfalto ruim é com o DAE!
Em alguns momentos, a qualidade do asfalto colocado nas vias de Bauru pelas empresas vencedoras de licitação também foi bastante questionada. O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, garante, porém, que a prefeitura fiscaliza se o pavimento atende às especificações técnicas esperadas. Os parâmetros seguidos são os mesmos exigidos no Plano Comunitário de Asfalto. “Além disso, temos garantia de cinco anos”.
O prefeito Rodrigo Agostinho, no entanto, admite que o asfalto colocado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para tapar os buracos abertos nos consertos das redes de água e esgoto deixam a desejar. “É um volume muito grande de serviço e essa não é a especialidade da autarquia”, justifica. Ele defende que o DAE contrate uma empresa para executar esses serviços com a qualidade esperada.
Minha rua, minha vida
Para muitos moradores, ter a rua em frente de casa asfaltada é como ver um antigo sonho sendo realizado
A região oeste da cidade, no Parque Viaduto/Parque São João, está em festa com as 34 quadras de asfalto novo. Moradores festejaram a finalização das obras na semana passada com fogos de artifício e festa na rua.
Para muitos, um sonho foi realizado, uma batalha de muitos anos, enfim, conquistada. Agora, os carros circularão sem problemas nem danos, mães poderão passear com suas crianças nos carrinhos de bebês, sem contar a valorização dos imóveis agora com as ruas asfaltadas.
Conhecido pelos protestos com bonecos bem humorados, Osvaldi Ticão Martins, é também presidente da associação de moradores dos bairros Vila Rocha, Alto Paraíso, Parque São João, Vila Celina e Parque Viaduto.
Os protestos e abaixo assinados renderam bons frutos para a comunidade de seu Ticão, após 20 anos de luta, conseguiu ver sua rua asfaltada. Como sempre pagou impostos, seu Ticao achava injusto, e por isso reivindicava seus direitos. “Agora eu pago meu imposto com orgulho, pois tenho uma rua digna”, declara.
Segundo Ticão, antigamente as ruas tinham buracos tão grandes que era possível ver a tubulação de esgoto. “Esse problema existiu por anos, era só chover que virava um caos. Além de ter o carro quebrado, tiveram muitos veículos furtados por não conseguir entrar em casa e ter que deixá-lo na rua”, conta.
Os moradores que aguardavam as obras prometidas desde março, contam que em uma semana já viram mudanças no bairro devido às ruas asfaltadas.
Apesar da quantidade considerável de asfalto executado no governo Rodrigo Agostinho, os critérios para a escolha das vias contempladas com a obra foram questionados por diversos segmentos e vereadores nos últimos anos.
O prefeito, no entanto, defende sua “política”, ao argumentar que priorizou as linhas de ônibus e, posteriormente, bairros com ruas de terra próximas à região central, que não exigiam grandes investimentos em galerias. “Conseguimos fazer o Jardim Carolina, o Chapadão e o Flórida, por exemplo”.
Asfalto novo
A Prefeitura Municipal trabalhou em duas frentes de pavimentação na região oeste da cidade no mês de outubro. Na rua Mário Gonzaga Junqueira foi iniciada a aplicação da base de asfalto, segunda etapa no processo de pavimentação, ao passo que na rua Antonio Requena Nevado foi executada a última etapa do processo de pavimentação.
As obras fazem parte do Programa de Pavimentação de 513 quadras padrão que está sendo desenvolvido em 36 bairros da cidade, pela empresa H. Aidar Pavimentação e Obras Ltda., vencedora do processo licitatório.
Segundo a Secretaria de Obras, na nova frente de pavimentação iniciada na região dos bairros Parque Viaduto, Vila São João e Vila Nova Celina está prevista a implantação de 34 quadras padrão de asfalto novo, englobando trechos das ruas Mário Gonzaga Junqueira, Maria Honória D’Ávilla Engler, Antonio Agnelli, Antonio Leônidas Timachi, Alfredo Rodrigues de Souza, Sidnei de Freitas, José Chaves de França, Antonio Garbi de Mattos, Paulo dos Santos Filho e Roque Urias Batista.
Longa espera
Dirce dos Santos que mora na mesma casa há 37 anos, jurava que não ia ver sua rua asfaltada, até que esse dia chegou. “Ainda não consigo acreditar. Tantos anos de luta, mas agora com um resultado positivo. Valeu a pena”, diz emocionada.
Mas com a rua igual a um tapete de tão lisa, alguns problemas surgem. Alguns motoristas não respeitam a sinalização e ultrapassam o limite de velocidade, para isso dona Dirce disse que uma lombada resolveria o caso.
Mas as sinalizações nas ruas ainda estão falhas, pois em uma semana já tiveram dois acidentes leves. “Eles não colocaram placa de ‘pare’ na rua. Ninguém sabe de quem é a preferência. Já pedi para eles virem colocar a placa aqui, mas até agora não vieram”, alerta Ticão.
Mesmo com os novos impasses, o momento é de comemoração, pois a batalha de todos ali foi árdua e longa, e a comemoração também será, garante Ticão.
“Estamos muito felizes com tudo isso. É uma realização. Enfim, pude aposentar meus bonecos, agora eles vão servir só para as crianças brincarem, como é o certo”, conclui.
