Xingado e vaiado. No Supremo Tribunal Federal, o revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, tem, ao seu lado direito, Dias Toffoli, que, por sua vez, está à esquerda de Rosa Weber. Que trio! A reportagem de O Globo traz que, "antes de ser reconhecido, ele disse que a reação em todo o País tem sido de cumprimentos e pedidos para tirar fotos. Vemos também que estes três, e mais Cármen Lúcia, votaram pela absolvição de José Dirceu e mais 12 réus no processo de formação de quadrilha. Ainda bem que Joaquim Barbosa pensa diferente, bem como os seus outros pares. Outro dia, Lewandowski estava fazendo citações em alemão, temperando o seu pronunciamento também com um pouco de inglês, como se alardear conhecimentos fosse capaz de impressionar quem ouve a ponto de não perceber que o time dele é outro. Aliás, sua genitora é amiga da mulher do Lula. Ora, um dos requisitos constitucionais para ser ministro do STF é ter notável saber jurídico, mas pelo que vemos, há outros critérios subjacentes.
Na sessão do STF do dia 24/10/12, anotei a seguinte frase do ministro Lewandowski: "Se fôssemos seguir a praxe jurisprudencial, a pena (do Marcos Valério) iria para a estratosfera." E Joaquim Barbosa: "Essa pena alta é decorrência natural da quantidade de delitos que ele praticou." (Também ouvi o ministro Marco Aurélio Mello citando, an passant, o jurista Damásio de Jesus).
Sou leigo no assunto, mas se fixam uma pena-base aqui na superfície, como quer alguns, depois, ao julgar os outros criminosos menos graduados, baixam a pena ainda mais, porque, segundo eles, é preciso coerência, e não é justo serem apenados mais rigorosamente do que fizeram com os mais influentes. E aí ficam numa discussão interminável, consultando tabelas. Seria mais simples, e mais justo, que as penas ficassem, sim, na extratosfera, dentro das leis, claro, sem abrandamentos, amenizações, cafuné. E não só para o futuro presidiário Marcos Valério, cuja pena foi fixada em 40 anos. Tudo indica que ele não quer "tudo isso", haja vista sua propositura da delação premiada. Se suas revelações não podem entrar nesta Ação Penal 470, então que o Brasil se prepare para os próximos capítulos, ou melhor, próximos processos.
Ou só daqui a 50 anos a História nos revelará a história? Segundo a imprensa, Marcos Valério disse que Lula era o chefe. Como diz o Nivaldo aqui da cidade sem cabeça, ops, sem limites: "Quem viver verá."
Julio Diogo