Bairros

Com vigia, UPA abre e já é furtada

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Logo após abrir as portas pela primeira vez ontem, a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga já se deparou com um problema enfrentado, há alguns meses, por outras unidades de saúde do município. Sem segurança - a empresa que realizava o serviço rompeu o contrato com a prefeitura em junho deste ano -, a novíssima unidade foi alvo de furto nas primeiras horas de atendimento à população.

Apenas um vigia da prefeitura foi remanejado para fazer a garantia patrimonial da unidade. Mesmo assim, logo pela manhã um homem teria se identificado como funcionário público e percorrido os corredores do prédio. Em uma das salas, furtou roupas de funcionários.

O local ainda não possui sistema de monitoramento e o fato aconteceu por volta das 10h30, antes mesmo da chegada do secretário municipal de Saúde para a visitação do primeiro dia de trabalho. Ao ser informado sobre a situação, Fernando Monti demonstrou preocupação.

“Não temos um histórico de muitas ocorrências nas UPAs, mas queremos que essa situação seja resolvida o quanto antes e estamos trabalhando para isso”, enfatizou Monti, ao lado do diretor do Departamento de Urgência e Emergência do município, Antônio Bertozo Sabbag.

 

Pregão

Segundo o secretário, nos próximos dias um edital será lançado para a divulgação de um pregão eletrônico com a finalidade de contratar uma nova empresa para suprir a falta de segurança nas unidades de saúde.

Enquanto isso, ele explica que a prefeitura realizou o remanejamento de vigias, há algumas semanas, para garantir ao menos a segurança patrimonial das unidades. “Eles não podem agir em conflitos interpessoais e nem fazer abordagens, afinal, ficam sozinhos”, explica Monti, frisando que os funcionários usam equipamentos não letais.

Conforme o JC publicou em junho deste ano, a interrupção do serviço de segurança acometeu o Pronto-Socorro Central (PSC) e as Unidades de Pronto Atendimento após a empresa terceirizada pelo município atrasar os salários de dezenas de funcionários, vindo, por fim, a decretar falência.

Na manhã de ontem, o vigilante remanejado da prefeitura estaria em seus primeiros dias de serviço na UPA do Ipiranga, que desde o dia 22 de outubro é ocupada pelos funcionários que realizam a montagem de equipamentos e organizam os setores de atendimento.

 

100% de capacidade

A abertura da UPA do Ipiranga ocorreu ontem após uma decisão tomada pelo prefeito Rodrigo Agostinho em conversa com o secretário de Saúde, Fenando Monti.  A inauguração estava atrasada há anos em razão da espera da presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na solenidade.

A nova UPA abriu as portas sem a cerimônia oficial e com sua capacidade máxima. Conforme a diretora da divisão técnica do Departamento de Emergência e UPAs da prefeitura, Laudicéia Rodrigues Crivelaro, e a enfermeira chefe da unidade, Tamara  Leandro da Silva, o novo centro possui mais de 60 funcionários.

“Temos 36 técnicos em enfermagem, seis enfermeiros, seis técnicos em raio X, um técnico em farmácia, 10 agentes de limpeza e dois médicos por plantão. Todas as salas já estão em funcionamento”, destaca Laudicéia, informando que a unidade possui capacidade para atender até 250 pessoas por dia.

 

Sem divulgação

De acordo com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência do município, Antônio Bertozo Sabbag, ontem ainda não era possível observar os possíveis efeitos de redução de pacientes no Pronto-Socorro Central (PSC) em função da abertura da UPA da Vila Ipiranga.

“O movimento ainda está normal, mas temos uma expectativa de que a UPA diminua ainda mais o contingente no PS, que era de mil e baixou para 400 por dia com a inauguração das unidades do Mary Dota e da Bela Vista”, salienta.

Questionado sobre a ausência de divulgação do funcionamento da unidade à população, o secretário de Saúde do município, Fernando Monti, foi enfático. “Não nos preocupamos muito com a divulgação porque a população ficará sabendo rapidamente com o boca a boca. Logo esta sala estará cheia.”

A área construída da nova UPA é de 1.280 metros quadrados. O prédio conta com salas de raio X, enfermagem, sala para estabilização, base para viatura do Samu, quatro consultórios, sala de assistência farmacêutica e 18 leitos. O valor total estimado da obra é de R$ 2.089.030,88. A nova UPA beneficiará uma população estimada em 51 mil habitantes. (MT)


Usuários elogiam atendimento no primeiro dia

Apesar da capacidade e da plena condição de atendimento, uma cena incomum podia ser observada na UPA da Vila Ipiranga na manhã de ontem: os bancos e leitos da unidade permaneciam vazios e os poucos pacientes que chegavam à unidade recebiam atendimento “vip”.

Diabético, o aposentado Silvaldo Costa de Oliveira, 64 anos, foi o primeiro paciente a ser levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) à unidade. Diagnosticado com hiperglicemia, ele recebia o atendimento cercado por enfermeiras e agentes da unidade, que ainda organizavam a sala de estabilização. “Com esse atendimento vip não tem como não ficar melhor logo”, brincou o aposentado.

A mesma opinião era dividida pela aposentada Maria de Lourdes, 85 anos, que após sofrer uma queda, foi à UPA acompanhada pela neta Silvia Crema, 38 anos.

“Eu bati a cabeça e o braço, estávamos com medo de fratura, mas já passei pelo raio X e não tenho nada. Acho que nunca fui tão bem atendida”, comenta a idosa. “Ainda bem que eles abriram essa UPA. Tomara que o atendimento continue assim, bom e rápido”, acrescentou Silvia.

Morador há 35 anos do bairro, José Carlos dos Santos, 55 anos, também comemorava o fato de ir ao médico sem precisar pegar ônibus. “Eu passava quase o dia todo esperando lá no PS. Fico mais seguro com uma UPA dessa perto de casa”, comentou o morador enquanto entrava na unidade.

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