São Paulo - A delegada da Polícia Federal Renata Madi confirmou que teve relações sexuais com o coronel Ubiratan, comandante do Massacre do Carandiru morto em 2006 em seu apartamento.
A declaração, registrada no inquérito que investigou a morte do oficial, foi lida ontem no início da segunda sessão do julgamento de Carla Cepollina. Ela é julgada por homicídio triplamente qualificado (por crueldade, motivo fútil e sem chance de defesa).
Carla é acusada de matar o coronel Ubiratan, com quem namorava, por ciúmes. De acordo com a polícia, momentos antes do crime, o casal teria discutido por causa do relacionamento do oficial com Madi. Naquela noite, vizinhos teriam ouvido barulho parecido com um tiro.
Ontem, segundo dia do julgamento, a voz estava nervosa, os pés balançavam insistentemente e a mãos tremiam, mas Carla Cepollina, 47 anos, tinha as explicações todas na ponta da língua. A advogada e namorada da vítima na época começou seu interrogatório no fim da tarde de ontem, declarando que a acusação pela qual responde é “absurda”.
Segundo Carla, o coronel foi morto depois que ela deixou o apartamento dele, em 9 de setembro de 2006. Na versão da acusada, ela saiu sem aviso porque a vítima estava deitada na cama, dormindo e de “fogo”.
Na tese apresentada por Carla, o coronel estava com medo de ser morto nos dias anteriores ao crime. “Ele estava esquisito, falando o tempo todo de morte. Chegou a dizer que queria ser velado no (Palácio) 9 de Julho”, disse. Segundo a ré, os dois passaram o dia do crime juntos.
Entre 19h e 20h, suposto horário do crime, Carla afirmou que estava no apartamento. “Chegando lá, ele foi dormir, tinha bebido um montão. Eu fui tomar banho”, disse. Quando saiu do chuveiro, Carla disse que ouviu o celular pessoal da vítima tocando e atendeu, já que ele dormia. “Vi que era a Renata (delegada da Polícia Federal apontada como amante da vítima). Ela pediu para falar com o Ubiratan e eu passei o telefone.” De acordo com a ré, a ligação não deu início a nenhuma discussão. “Depois voltei a fazer a minha toalete e o Ubiratan continuou a dormir.”
Por volta das 20h30, quando saía do apartamento, Carla reconheceu ter atendido novo telefonema da delegada, desta vez no número fixo. “Eu nunca atendo aquele número, mas ele estava tocando insistentemente. Era a Renata novamente. Em um tom inadequado, pediu para falar com Ubiratan. Cheguei a chamar, mas ele não acordou e então falei para ela ligar depois.”
A previsão era de que a ré continuaria a responder perguntas até as 23h e o resultado pudesse sair na madrugada de hoje.