Botucatu - Considerada a maior produtora apícula do Estado de São Paulo, a cidade de Botucatu (100 quilômetro de Bauru) vem enfrentando um problema com a dissipação das abelhas em seu território urbano. Levantamento da Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) aponta que o número de solicitações para a retirada de enxames saltou de 576, em 2011, para 772 até novembro deste ano. A proliferação preocupa ainda mais por um fator isolado: a abelha mais utilizada na produção de mel, mais conhecida como tapa-goelas ou europa africanizada, é também a espécie que mais causa ataques na cidade, como o caso que aconteceu na manhã de anteontem envolvendo cães e uma criança (leia ao lado).
“Não dá para prever um ataque. A colmeia passa por mudanças genéticas com a troca dos zangões e da rainha, podendo tornar-se agressiva com o tempo”, enfatiza a coordenadora da VAS, Gabriela Gonzales.
A média de vida de um zangão é de três meses, enquanto que a rainha sobrevive por 4 anos. Já as abelhas operárias vivem em média 42 dias.
Com o caso da criança e dos cachorros que foram atacados na manhã de anteontem no município, a cidade passa a registrar 42 acidentes envolvendo ataques, sendo um deles fatal, ocorrido em março após um senhor de 89 anos levar 500 picadas. Em 2011, o número contabilizado pela VAS junto aos hospitais atingiu a 54 vítimas.
Segundo Gabriela, a maioria dos ataques acontece pela ousadia dos moradores em tentar acabar com os enxames por conta própria sem a ajuda de profissionais. “Estudamos todo o comportamento do enxame antes de abater e depois enviamos as abelhas para análises. Uma pessoa nunca deve tentar acabar com um enxame sem ajuda profissional”, ressalta Gabriela, enfatizando que produtos com cheiro forte e barulhos provenientes até mesmo de um grito próximo às abelhas podem provocar o ataque.
Outro aspecto levantado é o limite de 300 metros entre residências e a apicultura em Botucatu, que por muitas vezes, acaba não sendo respeitado.
Em épocas de floradas, como o verão e a primavera, os enxames começam a aumentar e migrar para locais onde encontrem abrigo e mais espaço, como telhados e árvores próximas a jardins na área urbana.
A Vigilância Ambiental em Saúde orienta que o cidadão, ao avistar um enxame, deve permanecer distante e entrar em contato pelo telefone (14) 3813-5055, das 7h às 17h.
Nos finais de semana e feriados, a opção é ligar para a Guarda Civil Municipal (GCM) pelo telefone 199 que dará orientações.
Cão morre e criança fica ferida após ataque
Um cachorro morreu e uma mulher de 54 anos e sua neta de 8 anos, moradoras da Vila Lúcio, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) ficaram feridas após serem atacadas por um enxame dentro de casa na manhã de anteontem.
De acordo com o relato de Antônia Esteves, o fato aconteceu quando pessoas desconhecidas teriam atingido com um inseticida o enxame de abelhas em um depósito no fundo da casa de sua vizinha. “Só escutei o barulho do spray e meus cachorros chorando. Quando vi, nós já estávamos sendo atacadas”, conta a moradora.
Por sorte, Julia Esteves, que assistia televisão no momento do ocorrido e levou mais de 20 picadas na cabeça, não era alérgica. Ela foi atendida e liberada na mesma tarde pelo Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu. A avó também teve apenas inchaços pelo corpo. Na ocasião, dois cachorros da família foram atacados pelos insetos. Um pinscher de 4 anos morreu na hora. Outra cachorra vira-lata permanece internada em uma clínica veterinária.
Segundo a mulher, as abelhas estariam há alguns meses abrigadas próximas a um fogão a lenha antigo em um depósito aos fundos da casa de sua vizinha de 73 anos, localizada na rua Coronel Manoel Luiz dos Santos.
“Há alguns dias eu vi ela espirrando remédio lá para tentar tirar. Ela sabia que eu tinha criança e cachorros em casa. Foi um absurdo”, conta Antônia dizendo que pretende registrar boletim de ocorrência sobre o fato ainda nesta semana.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para retirar as abelhas do local com o auxílio de um apicultor. Algumas residências foram isoladas e liberadas somente por volta das 23h.