Washington - A apuração parcial dos votos mostra que os republicanos mantiveram seu controle sobre a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados), mas perderam vagas em relação ao mandato anterior. Os democratas também preservaram sua maioria no Senado, com pouca alteração no total de assentos.
Além de escolher o novo presidente, os americanos também votaram anteontem em nomes para a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados), para o Senado e para as assembleias estaduais.
Os republicanos garantiram 232 assentos na Câmara (dos 435 disponíveis) neste ano, ante 241 na legislação passada. Já os democratas conseguiram 192 assentos, ante 194 na legislação anterior. Ainda há 11 vagas cujos resultados estão pendentes.
No Senado, os democratas conseguiram 52 vagas na eleição deste ano, ante 51 na votação anterior. Os republicanos, por sua vez, perderam duas cadeiras e vão ter 45 integrantes nesta Casa. As demais vagas ficaram com candidatos independentes.
Dificuldades
A composição das duas Casas significa que o presidente Barack Obama vai continuar a enfrentar um Congresso dividido e polarizado em seu segundo mandato, exigindo negociações difíceis e bastante desgaste político.
A reforma do sistema de saúde neste ano é o melhor exemplo. Enquanto a lei foi revogada pela Câmara, de maioria republicana, foi aprovada em seguida pelo Senado, de predominância democrata.
Problema imediato
Sua preocupação mais imediata será confrontar o “abismo fiscal” de aumentos tributários automáticos e cortes de gastos, medidas que podem interromper a trajetória de recuperação da economia, e os mercados financeiros globais refletiam isso nesta quarta-feira, quando Wall Street operava em clima de desânimo pós-eleitoral.
País elege 1ª senadora gay; número de mulheres cresce
Washington - Tammy Baldwin, 50 anos, será a primeira política assumidamente gay a conquistar um assento no Senado dos EUA. No discurso de vitória, disse que tem orgulho do pioneirismo, mas afirmou que sua principal bandeira será o bem-estar da classe média.
Criada pelos avós maternos e formada em direito pela Universidade de Wisconsin, Estado que representará no Senado a partir de janeiro, a democrata defende um sistema público de saúde mais inclusivo e benefícios sociais para os idosos. “Meus oponentes tentam grudar uma etiqueta em mim, mas eu sei os valores em que acredito”, disse a congressista, ferrenha crítica da política conhecida como “Não Pergunte, Não Conte”, que barrava o acesso militar aos que assumiam a opção sexual.
Mulheres
A partir de janeiro, quando os eleitos tomarem posse, o Senado dos EUA terá recorde no número de congressistas mulheres. Dos 100 assentos no Senado, 20 serão ocupados por mulheres.
Elizabeth Warren será a primeira senadora por Massachusetts e New Hampshire será o primeiro Estado a ter bancada exclusivamente feminina, com as democratas Carol Shea-Porter e Ann McLane Kuster à Câmara.
Eleitores aprovam uso recreativo da maconha
Denver - Ativistas pelo casamento gay e pró-maconha conseguiram vitórias históricas nas eleições americanas, com três Estados abraçando a união entre homossexuais e outros três legalizando a droga.
Colorado e Washington são os primeiros a acabar com o veto ao uso recreativo da maconha, enquanto Massachusetts aprovou seu uso medicinal. Em outras duas regiões, no entanto, a droga foi rejeitada: no Oregon, 55% votaram contra a legalização e, no Arkansas, 52% disseram não à droga com receita médica.
No Colorado e em Washington, a posse de até 28 g ramas de maconha para maiores de 21 anos deixará de ser crime em 30 dias. Também serão permitidas a venda e taxação da droga em lojas licenciadas pelos Estados.
Casamento gay
Maine e Maryland se juntaram a outros seis Estados que permitem casamento gay, embora sejam os primeiros a decidir por voto direto. Em Washington, a apuração pode levar dias, mas até ontem o sim liderava com 52%.
Já eleitores de Minnesota votaram contra uma emenda constitucional que proibia uniões do tipo, uma medida que ainda existe em outros 30 Estados do país.
Outras propostas controversas foram a referendo, principalmente na Califórnia.
Em Los Angeles, o uso obrigatório de preservativo em filmes pornográficos foi aprovado. Mas o fim da pena de morte no Estado e a rotulagem de alimentos transgênicos foram rejeitados. Duas cidades que tentaram taxar refrigerantes perderam.
Hillary deve deixar cargo de secretária de Estado
Washington - Selada a reeleição de Obama, o jogo das adivinhações políticas em Washington se deslocou ontem para outro assunto: quem sucederá Hillary Clinton no comando da Secretaria de Estado?, que já manifestou que deve sair do governo. Na cúpula dos Departamentos, a tendência é que alguns atuais titulares assumam novas pastas, como a embaixadora na ONU, Susan Rice, que é uma das opções para ser a nova secretária de Estado, concorrendo com o senador e candidato democrata em 2004, John Kerry.
Família Kennedy retorna ao poder com deputado em Massachusetts
Washington - Joseph Kennedy 3º, sobrinho-neto de John F. Kennedy, o presidente que foi morto em 1963, foi eleito para o Congresso pelo Estado de Massachusetts. Sua vitória representa o retorno da mais famosa dinastia americana à política.
Os Kennedy não estavam presentes no Congresso americano desde 2010, quando Patrick Kennedy, filho de Ted Kennedy e deputado por Rhode Island, anunciou que não tinha intenção de continuar na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados). Joseph Kennedy 3º é neto de Robert Kennedy, morto a tiros num hotel em 1968. “Eu entrei nessas eleições porque, acima de tudo, eu acreditava que essa é a promessa que esse país faz a cada um de nós.”