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Gastos de final de ano: sem radicalismo

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Quando chega este período do ano é inevitável a análise de como administrar os gastos. Racionalmente os economistas e especialistas em finanças, inclusive eu, irão indicar que o dinheiro do décimo terceiro deve ser priorizado para o pagamento de dívidas, a liquidação da fatura financiada do cartão de crédito, a cobertura do cheque especial, entre outros.


Esta primeira orientação visa recuperar o crédito na praça (no caso de dívidas pendentes) e reduzir os gastos com juros, como é o caso do cartão de crédito. Algumas bandeiras estão cobrando até 12% ao mês para quem não paga a fatura integral. O próprio cheque especial custa quase 10% ao mês.

Agora, temos retirar um pouco a racionalidade da análise, ou seja, não ser radical. Quero dizer que não adianta imaginar que o dinheiro extra do décimo terceiro não irá também para o consumo. Final de ano é sinônimo de gastos. Os presentes, a ceia, lazer, filhos em férias escolares, um passeio, enfim, uma série de gastos que ocorrem normalmente durante o ano.

O que seria então não radicalizar? É utilizar o bom senso. Vamos por parte. No que se refere a limpar o nome na praça, o indicativo é procurar o credor e propor redução de multa, juros, e solicitar um parcelamento. Isso deve ocorrer de tal maneira que haja sobras de recursos. Se não for possível cobrir todos os limites do cartão de crédito e do cheque especial procure um parcelamento. Os juros caem naturalmente. No tocante aos demais gastos é questão de estabelecer os limites. Ostentar sem dinheiro é insano. Coloque no papel, de preferência junto com os familiares, tudo que será gasto. Dedique um tempo a este planejamento. Evidentemente que nesta lista devem constar os gastos inevitáveis com matrícula escolar, material escolar, IPVA, IPTU e outras despesas previsíveis de início de ano.

Junte ao décimo terceiro sua renda do mês. Verifique com todas da casa se há excedentes financeiros. Depois de planilhar tudo faça uma revisão criteriosa, cortando o que for possível, sem comprometer a qualidade dos gastos, mas sem entrar em aventuras financeiras desnecessárias. Agindo desta maneira será possível compatibilizar o racional com o prazer. Agora, se a conta não fechar, não tenha vergonha em admitir que o dinheiro está curto e compartilhe a decisão de reduzir as expectativas quanto ao festejo de final de ano.

Mais vale um não consciente do que um sim que leve a família a novo endividamento. Mas como colocado, nada de radicalismo. Controlar sim, avareza, não, afinal a vida de ser vivida na medida certa.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor regional do Corecon e articulista do JC

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