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Corrupção ameaça país, diz líder chinês

Folhapress
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Pequim - O presidente da China, Hu Jintao, disse ontem que a corrupção pode ser fatal para o país, em discurso de abertura do 18º Congresso do Partido Comunista Chinês, que começou ontem.

Sem fazer referência aos casos ocorridos durante os últimos cinco anos, como o do ex-dirigente Bo Xilai, o mandatário qualificou o fenômeno como endêmico e disse que a má conduta dos dirigentes “pode provocar a derrubada do Partido e do Estado”.

“Se fracassarmos no tratamento correto deste assunto, isto pode ser fatal”, disse, prometendo que nenhum dirigente do partido abuse de poder concedido.

“Devemos garantir que todos são iguais perante a lei; nenhuma organização, nenhum indivíduo tem o privilégio de pisotear a Constituição”, completou.

De saída da liderança do partido e da presidência do país, Hu Jintao enfrentou os escândalos de corrupção do ex-dirigente de Chongqing, Bo Xilai, e do ex-ministro de Ferrovias, Liu Zhijun.

Integrante do alto escalão, Bo foi expulso do partido no final de outubro e será processado pela Justiça comum após se envolver na morte do empresário britânico Neil Heywood, em novembro do ano passado.

Além disso, reportagens da Bloomberg e do “New York Times” mostraram, respectivamente, que as famílias de Xi Jinping, futuro líder máximo, e Wen Jiabao, atual premiê, acumularam milhões de dólares em negócios com empresas próximas ao governo.

Em ambos os casos, o governo chinês censurou as reportagens no país, bloqueando o acesso à internet.

A própria família de Hu também foi favorecida com contratos com o governo, segundo informação do livro “China Airborne” (China aerotransportada), do jornalista americano James Fallows.

De acordo com seu relato, uma empresa do genro de Hu forneceu as máquinas de raio-X de todas as estações de metrô de Pequim e Xangai.

Com relação à economia, o discurso foi considerado mais conservador que o do congresso anterior - em 2007, ele defendera a “reforma das indústrias monopólicas”, proposta ausente hoje.

Em vez disso, Hu declarou que, no país, “a propriedade pública é o pilar, e as entidades de propriedades diferentes se desenvolvem juntas”.

Ele também lembrou que o governo fixou em 2010 a meta de dobrar o PIB e a renda per capita até 2020, objetivo alcançável mesmo com o novo patamar de crescimento mais baixo, que neste ano deve ficar em torno de 7,5%.

Na semana que vem, Hu deve passar a secretaria-geral do partido ao vice-presidente, Xi Jinping. Mas ele permanece como líder máximo do governo até março, e ainda pode reter por mais algum tempo a presidência da Comissão Central Militar.

A manutenção do cargo lhe permitiria melhor controle sobre seus apadrinhados, que incluem Li Keqiang, apontado como o futuro premiê.

Hu presidiu um dos períodos mais prósperos da história da China. Em seu decênio, a economia saltou do sexto para o segundo lugar, e o país assombrou o mundo com a rápida construção de infraestrutura e a realização da Olimpíada de Pequim.

Mas analistas apontam estagnação em relação ao monopólio estatal em setores-chave da economia e contínua repressão a dissidentes.

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