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Mudar o RH não é uma maquiagem

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

O que fazer com aquele funcionário encostado e com salário alto. O sujeito é improdutivo porém tem uma experiência imprescindível. Alternativa “A”: demiti-lo. Opção “B”: dar uma promoção. Nem “A” nem “B”. O momento é de buscar a intervenção da psicóloga Suzy Fleury, que atua como coach e palestrante.

Vivemos um momento de imensas incertezas e que exige mudanças. Suzy alerta para que os gestores estejam atentos para que as transformações sejam estabelecidas com tomada de consciência e não porque está na moda mudar e ter um case de sucesso na área de recursos humanos.

Para a psicóloga, consciência não significa se perguntar “por que mudar?”, mas “para que mudar?”, numa perspectiva de avaliação das vantagens para a vida de cada indivíduo e da empresa.

O passo inicial é uma desprogramação. Suzy define que o ser humano tem o cérebro moldado para repetir hábitos. Ela detalha que o cérebro tem uma estrutura ativa para assimilação de novos conhecimentos e aprendizados. Porém, na maior parte do tempo, a estrutura de memória passiva é acionada, repetindo hábitos.

Ela sugere que é preciso definir metas para a empresa e para o profissional vislumbrando-se construir uma nova realidade. O foco é contribuir para o sucesso do coletivo. Suzy entende que cada profissional precisa se conscientizar de que tem que estar disposto a dar a sua colaboração para o time.

A psicóloga avalia que o mundo do trabalho é um lugar para que a pessoa seja feliz.

 

Fim do individual

As mais inovadoras modificações na área de recursos humanos tiraram o foco do poder individual. Suzy comenta que o poder centrado em um sujeito é restrito a uma única perspectiva de pensar a solução para um desafio. No coletivo a contribuição vem de todos na busca de uma solução.  Ela define que o grande desafio para um gestor é fazer circular essas ideias inovadoras. 

A psicóloga ressalta que é um movimento mundial que aboliu o culto ao grande gestor, capaz de transformar em outro tudo o que tocava. O crédito atualmente ao sucesso de um produto ou serviço é para a equipe ou empresa. Diante dos desafios, as corporações estão suprimindo as relações verticais para dar autonomia a quem mantém contato direto com o cliente.


Carreira deu certo

Em 1993, Suzy passou a integrar comissões técnicas de clubes de futebol. Sua primeira experiência foi com o Palmeiras/Parmalat time comandado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo. Veio uma série de títulos e o reconhecimento da sua intervenção no futebol.

Atualmente, Suzy Fleury não atende mais a um único clube. Ela trabalha simultaneamente com vários clubes, atletas, empresas e profissionais na Academia Emocional.

Na última quarta-feira, Suzy esteve em Bauru compartilhando sua experiência no lançamento da regional Bauru da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP). A regional estimulará a criação de grupos de estudos e trará a Bauru palestras na área de recursos humanos. Em Bauru, a entidade conta com Paulo Rogério Pereira, como diretor de comunicação e de marketing, e a diretora regional Tatiane Souza.

No lançamento também estiveram em Bauru o vice-presidente da diretoria executiva da ABRH-SP Almiro dos Reis Neto e a gerente de regionais Roberta Nunes. A nova regional em Bauru amplia a presença da entidade que já possui regionais em Campinas, Santos e Ribeirão Preto.


Copa no Brasil

Suzy Fleury vê como positivo o Brasil promover a Copa do Mundo em 2014 pela oportunidade do povo brasileiro vivenciar a experiência de um grande evento esportivo. Ela cita que é uma oportunidade de aproximação do brasileiro com o esporte mais praticado no mundo. “É a nossa grande referência”, justifica. Suzy entende que sem a Copa algumas estruturas, como arenas para jogos, shows e outros eventos, jamais seriam construídas, assim como as melhorias previstas  na infraestrutura das cidades. “Com custo alto por causa da corrupção que sempre existiu e vai continuar a existir”, pontua.

De maneira crítica, ela define que os problemas sociais vividos pelo Brasil não serão resolvidos e nem vão aumentar por causa da realização do Mundial de Futebol da Fifa. 

 

Futebol evita marginalidade

A psicóloga Suzy Fleury ressalta que, apesar de todos os problemas do mundo do futebol brasileiro, a bola tira milhares da marginalidade. Ela diz que o País teria muitos problemas sociais se o futebol não fosse a grande máquina financeira que representa.

De acordo com a psicóloga, o esporte nacional, e não somente o futebol, não está inserido em um processo educativo, como ocorre nos Estados Unidos em que um esportista começa sua ascensão ligado a uma instituição educacional. Ela avalia que, apesar dos problemas, o futebol ainda é capaz de afastar atletas da marginalidade.  

Nos anos 90, Suzy invadiu um espaço predominantemente masculino: o futebol. Ela entende que a presença da mulher em postos de liderança se baseia na competência, o que independe do gênero. Porém falta ainda equilibrar a recompensa em termos de ganhos financeiros.

A psicóloga comenta que o universo do futebol é muito traiçoeiro devido à necessidade constante de vitórias. Grupos são formados com recursos humanos homogêneos. Para o jogador, conforme aprendeu Suzy, é preciso aproveitar os momentos de alta, porque os de baixa são inevitáveis. Suzy cita que o jogador de futebol não é julgado por sua qualidade técnica mas pelos resultados. Neymar, define a psicóloga, é uma exceção.

Ela comenta que observou que o mundo do futebol não dá tanta importância para ética, portanto os valores são muito maleáveis. O jogador com estrutura familiar frágil em relação a valores fica vulnerável à ética do mundo da bola.

O período em que o jogador está na ativa é uma oportunidade de aprendizado para o restante de sua vida. Quando a carreira se encerra é complicada a transição do craque para o indivíduo. Para Suzy, Diego Maradona, craque argentino, se perdeu porque não se encontrou como homem, reconhecendo-se somente como um jogador de futebol.

Ela cita que ainda falta ao jogador brasileiro amadurecer para aproveitar melhor o negócio futebol. Conforme relata Suzy, mesmo jogadores em grandes clubes brasileiros, têm comportamento amador. A psicóloga comenta que está chegando uma nova safra de técnicos com uma visão de gestor de futebol. A esperança de Suzy é que a nova geração possa reposicionar os atletas. Por isso, permanece no futebol brasileiro a concentração. 

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