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Fim de semana tem 30 mortes em SP

Agências
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São Paulo - Com um saldo de 30 pessoas mortas, a região metropolitana de São Paulo teve o fim de semana mais violento desde que se iniciou a onda de crimes, em outubro passado.

Foram registradas dez mortes entre a noite de sexta e a tarde de sábado, e mais 20 até a tarde de ontem. Algumas mortes ocorreram de dia.

Nos finais de semana anteriores, as mortes chegaram a 12 e a 20. Em 18 dias, a região metropolitana registrou ao menos 190 assassinatos, numa média de 10,5 mortes por dia. Até setembro, a média diária era de seis mortes.

No sábado, foram registradas mortes em Marsilac e Campo Limpo (zona sul), em Perus (zona norte) e em Guarulhos, Itapevi, e São Bernardo do Campo.

Em São Mateus, na zona leste da capital, um homem morreu ao ser atingido por PMs de folga quando, de acordo com a polícia, tentava roubar um carro próximo à delegacia.

Já na madrugada de ontem, dois suspeitos morreram em troca de tiros com policiais durante uma tentativa de roubo a uma casa na na Vila Pires, em Santo André. Nenhum policial ficou ferido.

Em São Bernardo do Campo, um homem de 24 anos foi baleado por homens em uma moto preta quando voltava da casa da namorada, no bairro Cooperativa.

Os criminosos ainda atiraram contra um Fusca e, em seguida, invadiram uma casa e assassinaram o casal Liliane Aparecido de Castro, 17 anos, e Carlos Alexandre Franca Mota, 26 anos.

Em Taboão da Serra, um homem de 38 anos foi morto por guardas civis municipais após entrar em uma base no bairro Intercap. Segundo a GCM, ele carregava uma pá e tentou agredir os guardas. Vizinhos afirmam que ele tinha problemas mentais.

Em Ribeirão Pires, dois homens morreram após uma troca de tiros com policiais. Segundo a PM, os rapazes resistiram às ordens dos PMs, atiraram e foram baleados. Eles foram socorridos para um hospital, mas morreram.

Outra mortes em supostos confrontos com a PM ocorreram na Freguesia do Ó e no Itaim Bibi, em São Paulo.

 

Alckmin

Questionado ontem sobre os novos casos de violência, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) elogiou a polícia. “É preciso ter confiança na nossa polícia. Já enfrentamos outros problemas de organizações criminosas no passado e a polícia venceu”, disse.

Ele também citou o acordo firmado com o governo federal para combater o crime, que será assinado amanhã com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

Entre as medidas previstas estão a criação de uma agência integrada de inteligência e a transferência de criminosos para presídios federais.

Alckmin não quis comentar o caso envolvendo o soldado Edcarlos Oliveira, que foi preso em flagrante na madrugada de sábado após assassinar, por engano, dois homens em São Mateus, na zona leste da capital. Disse apenas que a polícia cumpriu seu papel ao prendê-lo.

Para o governador, no entanto, denúncias sobre a existência de grupos de extermínio dentro da Polícia Militar merecem cautela. “Há muitos aproveitadores fazendo notícias falsas.”

 

PCC triplica em 6 anos

Brasília - Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram o envolvimento de cerca de 4 mil pessoas no Primeiro Comando da Capital (PCC).

O órgão de inteligência financeira vinculado ao Ministério da Fazenda já tem mais de 60 relatórios prontos sobre a atuação da facção e, a partir desta semana, passa a compor a Agência Integrada de Inteligência, criada há alguns dias pelos governos federal e paulista para combater o crime organizado.

Mapear contas de pessoas ligadas ao PCC e rastrear a movimentação financeira de líderes e subordinados será justamente uma das primeiras ações da agência, que tem como objetivo a troca de informações entre órgãos de segurança do Estado e da União no combate à onda de violência em São Paulo.

As informações do Coaf serão compartilhadas com as Polícias Federal e Civil, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e outros integrantes da agência.

A intenção é estancar fontes de financiamento da facção e identificar mecanismos de lavagem de dinheiro.

Relatórios com todos os detalhes das operações já identificadas serão entregues aos representantes dos órgãos oficiais nas reuniões desta semana. Novos documentos serão produzidos a partir de agora.

Documentos do Coaf indicam ainda a centralização de depósitos em contas bancárias de São Paulo, com maior incidência na capital e em cidades do interior com grandes penitenciárias.

Em 2006, durante a série de ataques do PCC, o Coaf também foi acionado no combate ao crime organizado em São Paulo. Entre novembro de 2005 e novembro de 2006, 1.485 pessoas foram identificadas como tendo relação direta ou indireta às organizações criminosas do Estado. Um número quase três vezes menor do que o indicado nos últimos relatórios.

Os nove relatórios de inteligência financeira produzidos à época listaram 232 contas bancárias, em um total movimentado de R$ 37 milhões.

Segundo os dados, 20% das movimentações nessas contas eram superiores a R$ 100 mil. Grande parte do fluxo financeiro estava diretamente ligado ao alto comando da facção.

Também foi identificada grande quantidade de débitos por meio de saques em espécie e recebimento de depósitos de outros Estados, como Bahia, Rio, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Mato Grosso.

No Pará, o Coaf achou movimentação de cerca de R$ 10 milhões em três contas de pessoas físicas e jurídicas com relacionamentos em comum. 

 

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