Regional

Fazenda da Cutrale é invadida


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Borebi - Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram ontem de manhã a fazenda Santo Henrique da Cutrale, localizada na altura do km 77 da rodovia Osni Mateus (SP-261), em Borebi (45 quilômetros de Bauru). A propriedade é a mesma que foi ocupada em 2009, quando houve derrubada de 12 mil pés de laranja e depredação nas instalações.

A Cutrale foi procurada ontem pelo JC, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Segundo informações da Polícia Militar, um grupo de mulheres estava com o rosto coberto por lenços. Elas chegaram ao local por volta das 6h. A fazenda é usada para o plantio de laranja.

Em nota o MST afirma em seu site que a ocupação tem por objetivo denunciar a grilagem de terras públicas, o uso abusivo de agrotóxicos pela Cutrale e a paralisia da reforma agrária em todo o país.

As terras onde a Cutrale está instalada pertencem ao Núcleo Colonial Monções, criado a partir do ano de 1909, quando a União adquiriu, no Estado de São Paulo, terras para assentamento de colonos imigrantes, diz o MST.

Em 2007, a Justiça Federal cedeu a totalidade do imóvel ao Incra, mas a empresa permaneceu na área com base em ações judiciais protelatórias. A empresa negou ilegalidade.

O MST acusa a Cutrale de usar em larga escala toda espécie de venenos, pesticidas e agrotóxicos, causando poluição das águas, especialmente o lençol freático que abastece o Aquífero Guarani. 

É a terceira vez que a fazenda é ocupada por sem-terra. Em agosto do ano passado, cerca de 400 pessoas do movimento ocuparam o local. Em setembro de 2009, a propriedade também foi invadida, quando teve repercussão nacional a imagem de um trator derrubando pés de laranja para plantação de feijão, milho, entre outros. A ação resultou na prisão de  11 integrantes do MST.


Ocupação em Presidente Alves

A região de Bauru tem outra área ocupada por sem-terra há semanas pertencente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) localizada no km 382 nas margens da rodovia Marechal Rondon no município de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru). Cerca de 600 sem-terra montaram barracas. Segundo nota, a ocupação ocorre porque aguarda a presença do superintendente do órgão para o cadastramento oficial e assentamento em terras improdutivas na região.

O JC não conseguiu ontem localizar representantes do Incra para esclarecer a situação.

 

Invasão de 2009 resultou em prisões

A Fazenda Santo Henrique da Cutrale em Borebi já foi alvo de uma invasão com prisões de integrantes e ampla repercussão na mídia. O MST acusa de tentativa de “criminalização” do movimento social.

A Justiça de Lençóis Paulista decretou a ocupação da área no início de outubro de 2009, mas a ordem só foi cumprida em outubro quando os sem-terra deixaram o local rumo aos assentamentos na fazenda Maraci na região de Iaras e Agrocentro, na região de Agudos. Após a saída, a Polícia Militar e representantes da empresa Sucocítrico Cutrale Ltda., que alega ser a proprietária da área, iniciaram um trabalho de levantamento dos danos. A empresa informou na ocasião prejuízos de cerca de R$ 3 milhões.

Os sem-terra deixaram para trás um rastro de destruição. Além de mais de 10 mil pés de laranja arrancados, 28 tratores foram danificados ou destruídos, caminhões e sistemas de irrigação danificaods e casas de colonos depredadas e pichadas. Houve ainda furto de equipamentos, móveis, roupas e defensivos agrícolas.

A Polícia Civil abriu inquérito por esbulho possessório, formação de quadrilha, furto, dano e progressão criminosa. 

Em janeiro de 2010, onze pessoas ligadas a dois acampamentos do MST de Borebi e Iaras (90 quilômetros de Bauru) foram presas por uma força-tarefa do Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-4) de Bauru. Sete delas estavam com prisão provisória decretada pelo juiz de Lençóis Paulista, Mário Ramos dos Santos. Elas foram acusadas de supostos danos provocados na Fazenda da Cutrale em setembro do ano passado. Outras duas, foram presas em flagrante por porte ilegal de arma.

Os 150 policiais civis divididos em 42 equipes e 45 viaturas agiram simultaneamente para surpreender os acusados. Dos 17 mandados de prisão decretados, sete pessoas foram presas, entre elas o ex-prefeito de Iaras Edilson Granjeiro Xavier (PT), 63 anos, a vereadora da mesma cidade, Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa (PT), conhecida de ‘Rose’ e o marido dela, Miguel da Luz Serpa. Segundo a polícia, os três foram os responsáveis pela coordenação da invasão da fazenda. Em nota, o MST afirmou que a prisão foi “perseguição política”. Todos acabaram soltos, após os advogados entrarem com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo. As ações continuam tramitando na Justiça.

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