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Lugar de homem é na cozinha

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.

Henrique Canho afirma que gosta de preparar filé ao forno

Nada de futebol na TV ou sinuca. Diversão de homem (também) está dentro da cozinha. E não se trata de comer, apenas. A cada dia é maior adesão do público masculino ao forno, fogão e que tais. Ao mesmo tempo em que elas se afastam da cozinha, principalmente no dia a dia, eles, em via oposta, se apetecem por assuntos culinários.

Para muito marmanjo, o barato mesmo é curtir algumas horas sob o calor emanado por um forno ou em volta de um fogão em meio ao cozimento de um bom molho e (por que não?) degustar uma cervejinha entre um legume e outro picado sobre a tábua de cortes.

Henrique Canho é um dos membros do clube do bolinha de avental. O filé ao forno, revela, é a especialidade do cozinheiro que, para a alegria da esposa, prepara seus pratos por prazer, garantindo saborosas refeições para os convidados, elogios ao “chef” e, obviamente, descanso para a esposa, que, assim, fica longe da cozinha.

“Minha família tinha padaria e isso também explica um pouco minha vocação para lidar com comida”, atribui. “Mas meu pai sempre fez churrasco e herdei essa facilidade para lidar com carnes dele também”, justifica Canho, que ensina uma de suas principais especialidades, o filé ao forno.

Uma peça de filé mignon, de aproximadamente 1,5 quilo, explica ele, deve estar limpa, sem o cordão.

Após levar o filé (temperado com dois tabletes de caldo de carne) ao forno por 30 minutos – regue com água a cada cinco minutos (em assadeira untada com margarina)-, a peça, em seguida, recebe o molho, ensina ele: “Fritamos, em duas colheres de margarina, duas de alho (tempero pronto) e uma cebola. Depois, colocamos 400 ml de creme de leite fresco, sal a gosto e um tubo de catupiry de 300 ml. Cozinhamos ainda com duas colheres de mostarda”, detalha.

Depois de polvilhar parmesão sobre o filé, já com o molho, acrescenta ele, o filé permanece gratinando, no forno, por mais 20 minutos. “Depois é só aproveitar. Esse é um dos meus preferidos”, confessa.

 

O gosto da superação

O prazer de cozinhar também foi a chave que o jovem André Luís Tonelli Alvares, de 19 anos, encontrou para supera um grave problema de saúde. Acometido por um tumor na cabeça, ele deu a volta por cima ao demonstrar toda a habilidade ao preparar doces e salgados.

O traquejo é tanto que, atualmente, ele trabalha no ramo, fornecendo sanduíches para lanchonetes. “Nunca me abalei (pelo problema de saúde) e usei os conhecimentos que tinha desde adolescente para me aprimorar”, credita ele, que aperfeiçoou o dom ao participar de cursos técnicos, entre eles o de chocolateiro e pizzaiolo.

 

Mais detalhistas

Para a culinarista Denise Amantini, professora do curso de Gastronomia da Universidade Sagrado Coração (USC), os homens, em comparação com as mulheres, são mais detalhistas na hora de pilotar o fogão. “Eles também arriscam mais, querem dar o próprio toque aos pratos”, observa.

Na opinião da chef de cozinha, os homens, cada vez mais, demonstram maior interesse pela arte de provocar água na boca alheia e, é claro, alimentar também ao próprio ego. “É claro que receber os elogios também está incluído no pacote”, frisa a culinarista, observando que o hobby, entre os homens, começa antes da cozinha, no supermercado.

 

Churrasco é com ela

Se, por um lado, os marmanjos abraçam o fogão, por outro, a churrasqueira (antes território exclusivamente masculino) também tem outro perfil de “comandante”. Elas também são boas de churrasco, prova Rosana Borro Ortiz, que não apenas domina a arte, mas também lida com a brasa e o espeto profissionalmente, em festas que realiza em seu buffet.

Ela conta que aprendeu a preparar um bom churrasco por ter morado, durante 12 anos, na Patagônia argentina.

De volta a Bauru, ela seguiu a tradição do pai, que fazia churrascos aos amigos e colegas. Daí para o trabalho foi um pulo, conta. Com a brasa acesa, ela uniu o prazer pelo preparo de carnes com profissão. “Acho que a mulher é mais cuidadosa e atenta”, diferencia, ela, especializada também no tradicional fogo de chão gaúcho.

 

Clube da massa

Preparar uma bela macarronada ou aquele nhoque suculento também é um excelente programa para reunir os amigos. É exatamente o que faz o procurador de justiça aposentado Valdir Rodrigues, que se especializou em delícias da comida italiana. O hobby é compartilhado entre amigos que, semanalmente, prestigiam seus talentos culinários. Ele acredita que, ao fogão, os homens preferem se aprofundar em algum tipo de prato. Para Valdir, as mulheres são mais “ecléticas”, enquanto eles, acreditam, focam o cardápio.

 

Caminho livre

Servidor público, Arlindo Pollini Filho conta que herdou os dotes culinários da família, tradicional no ramo de preparar grandes banquetes. Contudo, ele observa uma tendência nos homens em assumirem, cada vez mais, as rédeas na cozinha. Porém, ressalva, esse “domínio” masculino no terreno culinário só acontece, frisa, porque elas deixam.

“Com todas as atividades que as mulheres assumem atualmente, elas deixam o caminho livre para os homens se aventurarem ao fogão”, descontrai Arlindo, que costuma arrancar elogios de amigos e familiares quando prepara o seu famoso Dadinho de Tapioca.

A receita (com tapioca granulada, queijo coalho, leite, sal e pimenta branca), credita ele, é de um tradicional bar paulistano. “É um prato de um chef premiado (Rodrigo Oliveira) de um bar muito concorrido (Mocotó Bar e Restaurante). Aprendi e deu certo”, comemora ele que, impulsionado pelo sucesso, também profissionalizou o talento e, principalmente, sabores.

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