Jogos Abertos 2012

Há 42 anos... Memórias de 1970

César Savi
| Tempo de leitura: 6 min

A edição de abril de 2011 do Bauru Ilustrado, suplemento do Jornal da Cidade, trouxe as lembranças daquela que foi a segunda edição dos Jogos Abertos realizada na Sem Limites, em 1970. No material coordenado pelo jornalista Luciano Dias Pires, Cesar Savi relata os momentos vividos há 42 anos, quando cobriu a disputa como correspondente do jornal “Estado de São Paulo”.  O texto reproduz o clima de euforia que tomou conta de Bauru, da estratégica investida de Alcides Franciscato, prefeito na época, para garantir a cidade como sede, e detalhes curiosos da conhecida “Olimpíada Caipira”.

Abaixo, parte do texto publicado em abril de 2011.

Um telefonema rápido do prefeito Alcides Franciscato para o presidente da Comissão Central de Esportes (CCE) Antônio Marques Rodrigues dos Santos, foi o suficiente para definir Bauru como sede dos 35º Jogos Abertos do Interior (JAI), de 16 a 25 de outubro de 1970. De acordo com relato de Rodrigues, a conversa foi rápida. Ele argumentou que de junho a outubro seria muito pouco tempo para todas as providências necessárias para um evento grandioso como os JAI. Franciscato disse que estava ao lado do secretário de Esportes do Estado de São Paulo, que  São Caetano tinha desistido de sediar a competição, que a resposta tinha que ser imediata, na hora,  um sim ou não, topa não topa,  que Bauru perderia a vez para a outra cidade e  que isso não poderia acontecer. Pressionado ao extremo, sem alternativas, Rodrigues concordou para depois não conflitar com seu ‘bauruismo’. Assumiu problemas durante longos meses, 24 horas por dia.


Equipe medalha de ouro

Foi formado um grupo de colaboradores, integrando Omar Marra, Flávio de Angelis, Zé Vermelho, Cabo Alcides (Alcides Gonçalves dos Santos), Raduan Trabulsi, Eurides Monteiro entre outros, que se dedicaram integralmente, de corpo e alma, para viabilizar uma série de providências, lembra o presidente da CCE.  Foi preciso reformar o ginásio de esportes do Noroeste, a Panela de Pressão, a pista de atletismo ao lado do campo de futebol, o próprio campo de futebol, a piscina do Bauru Tênis Clube (BTC) e  construir um trampolim para saltos ornamentais. Entendimento com o Expresso de Prata para o transporte, ida-volta dos atletas para  os locais dos jogos. Muitos problemas, dificuldades e tudo o que implica em sediar uma gigantesca competição, foram superados e todos os colaboradores deveriam receber “medalha de ouro”. Também ressalto a participação de todos os atletas e dos que ajudaram anonimamente desde a definição da cidade com sede até o encerramento dos JAI, destaca Rodrigues. A Ducal, com uma filial em Bauru, gerenciada por Oswaldo Gallo, patrocinou os troféus entregues aos vencedores das provas e foi elogiada pela imprensa pela participação comunitária. A chamada era “Ducal nos esportes”. A CCO - Comissão Central Organizadora - funcionou na Antônio Alves, esquina com a rua Bandeirantes, local que também abrigou a Câmara de Veradores.

Vila Olímpica Pagani

Para abrigar cerca de 3 mil atletas de 58 cidades, o conjunto residencial Jardim Pagani, que ainda não tinha sido inaugurado, foi transformado em Vila Olímpica Pagani. As casas foram devolvidas em plena ordem para os futuros moradores, frisa hoje o ex-presidente da CCE.  Os dirigentes da delegações e  a comissão julgadora do Departamento de Educação Física do Estado (DEFE) ficaram em hotéis.

As modalidades disputadas foram: atletismo, basquete masculino e feminino, futebol de campo, natação, judô, tênis de campo masculino e feminino, vôlei, tênis de mesa e xadrez masculino e feminino.

Abertura solene e prefeito no alambrado

A abertura dos 35º Jogos Abertos do Interior foi no Estádio Alfredo de Castilho com o desfile de todas as delegações. De acordo com jornais da época, o público foi de 20 mil pessoas. O prefeito e esportista Alcides Franciscato saudava os participantes e o público que lotou o estádio. Um problema elétrico queimou o amplificador e o  prefeito não se abalou. Subiu no alambrado e continuou o discurso até a solução do problema para voltar a usar o microfone.

Oswaldo Rasi foi homenageado como atleta símbolo e carregou a tocha olímpica nesta que foi a segunda edição dos Jogos Abertos em Bauru.


Personagem: Boas recordações

Quem também compareceu ontem ao ginásio para assistir a chegada da chama dos Jogos Abertos  foi o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito. Mas ele não estava na Panela para ajudar em controle de algum incêndio ou qualquer outro tipo de acidente.

Em horário de folga, Brito foi assistir ao começo dos Abertos em Bauru, mas também com a cabeça em outros tempos. Colecionador de mais de 200 medalhas da época em que competiu pelo time de atletismo da cidade, Álvaro, que arremessava peso e disco, confessou estar emocionado com a ocasião.

Integrante do time de ex-atletas que vai desfilar na solenidade de abertura do evento, sexta-feira, no Sambódromo, Brito (prata nos Jogos de Americana, em 1978) lê o retorno dos Abertos como o pontapé inicial para uma nova fase do esporte bauruense. “As praças esportivas estão reformadas, podemos sediar novas e importantes competições”, vislumbra.

Mesmo na condição de torcedor, ele considera a edição 2012 em Bauru como justiça também aos atletas da época em que competia. “Ter os Jogos na cidade era um sonho nosso. Não pudemos competir em Bauru, mas agora se realiza um desejo nosso também”, considera.

 

Suando a camisa

Antes das competições começarem, quem já suava - e muito - a camisa dentro da Panela de Pressão ontem à tarde, era o time de voluntários que, nas horas que antecederam a chegada da chama, ensaiavam a calorosa (ou calorenta) recepção. “O pessoal vestiu mesmo a camisa. É um trabalhão organizar o pessoal todo, são mais de 500 voluntários. Mas fazemos com paixão”, orgulha-se a funcionária municipal Sandra Bezerra, que organizava a recepção ontem no ginásio.

Voluntário, o aposentado Darci Lima, de 65 anos, não escondeu o orgulho. “É uma forma de participar também. É o tipo de oportunidade que temos de aproveitar na vida”, celebra ele, ao recordar da primeira edição dos Abertos em Bauru, realizada em 1956. “Eu tinha onze anos e lembro do que representou para a cidade. É legal demais estar aqui”, comemora.

Juramento dos atletas

Durante a disputa dos Jogos Abertos em Bauru, a cobertura do JC terá um espaço dedicado à memória do esporte local. Neste espaço, testamos o conhecimento do leitor e relembramos a disputa de 1970. A imagem retratada hoje foi gentilmente disponibilizada por Antonio Marques Rodrigues dos Santos, e mostra o momento em que uma atleta faz o juramento dos Jogos Abertos de 1970. Quem é essa atleta? Uma dica: seguindo o protocolo, o atleta a fazer o juramento é sempre da cidade-sede. Ou seja, esta que está na foto é uma bauruense, e que brilhou muito nas quadras do mundo todo. Amanhã, a resposta e um novo teste.

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