Cinco tripulantes de um navio de origem turca foram absolvidos nesta quarta-feira (14) pela Justiça Federal da acusação de terem jogado um clandestino no mar.
O caso ocorreu no final de junho, em um navio que aguardava para atracar no porto de Paranaguá (litoral do Paraná).
O camaronês Ondobo Happy Wilfred disse ter sido trancado por 11 dias numa cabine e lançado sobre um pedaço de madeira em alto-mar, depois de ser espancado e torturado pela tripulação. Ele foi encontrado e resgatado por um outro navio após passar 11 horas à deriva.
O rapaz descreveu o interior da cabine e deixou uma foto sua no local, fatos que foram considerados provas
"robustas" pela Procuradoria.
O júri, porém, considerou que os supostos crimes, de tentativa de homicídio, tortura e racismo (já que Wilfred dizia que um dos tripulantes o chamou de "animal" por ser "preto"), não foram provados.
De acordo com testemunhas do julgamento, que durou dois dias e terminou às 22h30 de ontem, a defesa "desconstruiu" as provas do Ministério Público. Wilfred foi apresentado como um "clandestino profissional", que foi deportado inúmeras vezes (fotos de seu Facebook foram exibidas como prova das viagens).
Os gastos do camaronês com alimentação e hotel em Paranaguá, onde se manteve às custas da operadora do navio, também foram exibidos como mostra do suposto oportunismo do rapaz. Além disso, médicos que atenderam Wilfred disseram que não encontraram lesões que provassem que ele foi agredido.
O Ministério Público Federal denunciou 19 pessoas - a Justiça só acatou a denúncia contra cinco. O órgão ainda não definiu se irá pedir a anulação do júri.
Os acusados, quatro da Turquia e um da Geórgia, tiveram os passaportes liberados e já podem voltar às suas cidades de origem.