O Parque Vitória Régia, cartão postal da cidade está pedindo socorro. Não por falta de manutenção, mas de educação dos frequentadores. O espaço público que deveria ser usado para o lazer foi recentemente pintado, está todo pichado. As tampas das caixas de eletricidade do palco foram levadas, a calçada foi depredada e a grama está com falhas.
Não bastasse isso, especialmente nos finais de semana, a população que usa o espaço transformou o parque em depósito de lixo, restos de comida, descartáveis, embora as lixeiras estejam lá. Para completar o cenário, ambulantes deixam o lixo ensacado porém, em lugar acessível possibilitando que animais rasguem e espalhe tudo aquilo que foi coletado.
Para comprovar a veracidade dos fatos, basta levar a família para passear no parque no domingo pela manhã. É lixo para todo lado, moscas varejeiras que se alimentam com aquilo que sobrou do lanche daqueles que aproveitaram o parque na noite anterior. Gordura depositada na área de ambulantes e tantos outros estragos. Aline Regina Clemente Maciel Perfeito costuma levar o filho, Mateus Maciel Perfeito de dois anos para passear no parque nos domingos de manhã e depara com copos, garrafas, pratos vazios de pizza, batata, óleo, canudos, papéis, restos de mostarda, catchup e embalagens de lanches.
Para ela, o problema é cultural. “Eu morei em Curitiba e lá fizeram, durante anos, campanha de conscientização. Hoje, os parques são mais limpos. A população respeita um pouco mais os espaços públicos. Aqui percebo que os frequentadores não respeitam o espaço e nem o outro.” Ela leva o filho para passear e aproveita para mostrar os formigueiros de saúva que ‘trabalham’ sem parar e as plantas. “Eu digo a ele que as plantas choram se forem arrancadas. Procuro educá-lo para que ele não seja mais um a sujar o parque. Em casa, ele está aprendendo a reciclar o lixo.”
Soluções
A solução definitiva só será possível quando a população se conscientizar que o espaço público não é só dela e que deve ser respeitado para que o outro também possa usufruir do local. Tiver educação suficiente para colocar o lixo na lixeira ou levar para sua casa e descartar de maneira correta.
Outra alternativa a adoção de vigilantes 24 horas. “Um sistema de vigilância eficaz, uma guarda armada é inviável pelo custo. Precisaria ser adotada em todas as praças. Acredito que 98% dos frequentadores são conscientes, mas os 2% são os que provocam os estragos e fazem sujeira,” diz.
Obrigação do ambulante permissionário
De acordo com Adriana dos Santos Queiroz da Secretaria do Planejamento (Seplan), o ambulante permissionário tem que manter o local limpo de acordo com o Código Sanitário Municipal. “Ele tem que acondicionar o lixo e deixar em local disponível para o lixeiro levar. O certo é ele colocar o saco de lixo só no dia que passa o lixeiro e não deixar lá. Até para evitar que animais espalhem os restos no parque.”
Segundo ela, os ambulantes serão notificados e poderão até ser multados. “Vamos fazer uma advertência. Eles estão sujeitos a multa.”
O Parque Vitória Régia recebe manutenção de várias secretarias, informa o titular da Cultura, Elson Reis. Mesmo assim é um trabalho que não aparece porque todos os dias, em todos os horários, há pessoas depredando o local. “Durante a última pintura que foi feita no anfiteatro, o pessoal pintou parte do espaço e foi almoçar. Quando retornaram, encontraram pichações. Eu fotografei e postei na rede social. Muita gente ficou indignada, mas uns três ou quatro se mostraram a favor da pichação. Disseram que no Brasil tem muita corrupção e por isso eles aceitavam que os espaços fossem pichados”.
O secretário ressalta que só de tinta é gasto cerca de R$ 5 mil a cada pintura. “Fora a mão de obra que vem de outra secretaria etc. Tinha que ter uma fábrica de tinta só para manutenção. Optamos por pintar quando tem um evento maior, porque não tem condições de fazer a manutenção diária. As pichações não acontecem só no Vitória Régia. Picharam o busto do Rio Barbosa, o sambódromo está na mesma situação, nas demais praças não é diferente.”
Com o valor gasto só com a pintura, o parque poderia ser melhorado. “É um investimento constante. Se não precisasse gastar sempre com o mesmo serviço, poderíamos melhor o espaço. Refazer a iluminação e som do palco. A gente faz em um dia e no outro dia tem que refazer. Furtaram todos os fios. Os banheiros estão todos pichados.”
Reis lamenta a situação. “Infelizmente tivemos que desativar o sistema de iluminação e energia em razão de furtos seguidos ocorridos ao longo das décadas. Há buracos no palco, a proteção era de vidro que foram e são furtados sempre, não vencemos recolocar. Ali não é local de trânsito de pessoas, mas mesmo assim optamos por desligar”, diz o secretário.