Florianópolis - O Estado de Santa Catarina enfrentou mais uma madrugada violenta ontem. É o quinto dia de ataques criminosos, principalmente contra ônibus do transporte coletivo e bases policiais.
Desde segunda-feira, a Polícia Militar registrou 58 ocorrências relacionadas a atentados. Até agora, 46 pessoas foram detidas.
O número de municípios atingidos pelos ataques subiu para 13: Florianópolis, São José, Palhoça, Tijucas, Itajaí, Navegantes, Blumenau, Gaspar, Balneário Camboriú, Itapema, Taió, Criciúma e Tubarão. Na noite de ontem foram registradas as primeiras mortes em função da onda de ataques - três bandidos que trocaram tiros com policiais.
Um deles morreu no início da noite de ontem em Itapema (70 km de Florianópolis) depois de ser atingido em um confronto com a polícia durante a tarde. Ele havia tentado atear fogo em um ônibus. Segundo a PM, o Serviço de Inteligência da Polícia Civil obteve uma informação que dois homens fariam um ataque em Tijucas (55 km de Florianópolis) contra policiais para se vingar da morte do criminoso.
Uma barreira foi montada e dois homens em um carro furaram a blitz. Eles trocaram tiros com os policiais e foram mortos.
Entre a noite de quinta-feira e a manhã de ontem mais cinco ônibus foram incendiados. Um dos ataques foi em Itapema. Criminosos atearam fogo em um ônibus de turismo que estava estacionado em frente à casa alugada por moradores de Cianorte (PR) que passavam o feriado na cidade.
Já em Florianópolis, o ataque ocorreu no bairro Saco dos Limões, onde em noites anteriores um coletivo já havia sido queimado e a delegacia de polícia havia sofrido dois ataques.
O atentado contra o coletivo da Transol foi por volta das 22h. Logo depois, a empresa de transporte recolheu os ônibus, que voltavam para a garagem acompanhados por carros da polícia ou em comboios.
A empresa opera principalmente na região central da capital. Terminais de ônibus ficaram vazios e muitos passageiros tiveram que fazer os trajetos a pé.
O outro ataque ocorreu meia hora depois em São José (Grande Florianópolis). Criminosos renderam o vigia da empresa de transporte coletivo Santa Terezinha, jogaram um coquetel molotov em um ônibus que estava na garagem e atearam fogo. Outros dois ônibus foram parcialmente queimados.
Pior já passou
A cúpula da segurança pública de Santa Catarina afirmou na tarde de ontem que já identificou quais facções criminosas ordenaram os ataques e qual foi a motivação.
“É uma reação às ações do Estado no combate ao tráfico de drogas e no endurecimento do sistema prisional”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Ávila, em entrevista.
D’Ávila disse que não daria mais detalhes da investigação para não atrapalhar os trabalhos e não informou se os mandantes estão presos.
Segundo ele, há dificuldade para prevenir os ataques porque “a investigação ainda é incipiente”.
O secretário de Segurança Pública, César Grubba, afirmou que os serviços de inteligência de agências federais já estão colaborando com o Estado. “Estamos em reuniões constantes, trocando informações”, disse.
Grubba afirmou, no entanto, que nesse momento não é necessário pedir ajuda para reforçar o patrulhamento das ruas.
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Nazareno Marcineiro, isso só será feito se “a situação se agravar”. Ele diz que o Estado tem condições de garantir a segurança da população graças a uma força reserva de cerca de 100 alunos da Academia de Polícia e 400 policiais do interior do Estado. “O pior já passou, a paz vai ser restaurada”, disse.
Governo Federal
Apesar de reiterar que está aberto a colaborar, o governo federal aguarda pedido de ajuda do Estado.
“Caso o Estado julgue necessário, o Ministério da Justiça esta à disposição para apoio”, informou, por meio da assessoria de imprensa, a pasta comandada pelo ministro José Eduardo Cardozo.