Não é exagero dizer que o jogo contra o Flamengo é um dos mais importantes da história recente do Palmeiras. Se perder, o time cairá para a Série B - até mesmo com vitória há risco de queda, dependendo de outros resultados. E neste momento tão decisivo, em que experiência é algo fundamental, o técnico Gilson Kleina enfrenta uma enorme quantidade de desfalques.
Além de Fernandinho e Valdivia, que não jogam há tempos, o técnico não poderá contar com João Denoni, Wesley, Henrique (todos machucados) e Luan, suspenso. A lista de dúvidas é grande. Thiago Heleno, Leandro Amaro, Daniel Carvalho, Patrick Vieira, Betinho e Leandro serão reavaliados neste sábado, mas têm poucas chances de jogar.
Patrick Vieira participou do treino coletivo desta sexta-feira, mas saiu ainda na primeira parte da atividade reclamando de dores no tornozelo esquerdo. E nesta sexta surgiu mais um problema. O volante Marcos Assunção tem sofrido com fortes dores no joelho direito e nesta semana a coisa se agravou, tanto que ele nem conseguiu treinar com o resto da equipe - as chances de o veterano volante não jogar são grandes. “O Assunção se compromete demais com a instituição, mas é inegável que o desempenho dele não é mais o mesmo. Vamos ver amanhã (sábado) como ele vai estar, mas o joelho está inchado demais”, disse Gilson Kleina, sem conseguir esconder o pessimismo.
Os problemas obrigaram o treinador a pensar em jogadores que estavam meio esquecidos como Márcio Araújo, Artur, Mazinho e Tiago Real - eles podem aparecer como candidatos a salvador da pátria. A intenção do técnico é não mudar as características do time, embora isso seja praticamente impossível com tantos desfalques. Com a entrada de Mazinho e Tiago Real, por exemplo, a equipe ganha em velocidade e perde muito em marcação. “O Artur pode ajudar a dar consistência ao time. Me agradou bastante a movimentação dele”, comentou o treinador.
Ídolos e carrascos
Vágner Love e Zinho ocupam um lugar mágico no palco das glórias do Palmeiras. O primeiro foi uma maiores revelações do clube nos últimos anos; o segundo ganhou quase tudo o que podia pelo clube na década de ouro (1990). Neste domingo, os dois podem despir o manto de heróis e vestir o de carrascos, decretando o rebaixamento palmeirense para a Série B - uma derrota derruba o time paulista independentemente dos outros jogos.
Mas nenhum dos dois está à vontade com o novo papel. “Não posso negar que é um momento triste ver o time nessa situação. Foi lá que eu apareci para o futebol e tenho ótimas lembranças. Mas sou profissional e tenho de defender as cores do Flamengo. O futebol é assim”, disse o atacante rubro-negro.
A culpa parece mais pesada para Zinho, hoje diretor de futebol do Flamengo. “Se eu pudesse, não estaria envolvido nesse jogo. Tenho identificação, carinho e gratidão por esse clube. Palmeiras e Flamengo me projetaram para o futebol”, disse o dirigente em entrevista à rádio Jovem Pan.
Velhos conhecidos
Personagens à parte, Palmeiras e Flamengo são velhos conhecidos das tragédias no Campeonato Brasileiro. Entre 2001 e 2005, os dois clubes não se enfrentaram com ao menos um deles muito ameaçado de rebaixamento (a exceção foi 2003, ano em que o time paulista jogou a Série B). Em todas as quatro ocasiões, o Flamengo deixou o confronto comemorando: em 2001 e 2002, garantiu a salvação após enfrentar o Palmeiras. Em 2004 e 2005, foi a mesma história, sem tanto drama. “O possível rebaixamento deles não é culpa nossa. Temos de ganhar”, disse o lateral-esquerdo Ramon, trocando o sentimentalismo pela objetividade de quem não tem nada a ver com o peixe.