Campeão mundial, sul-americano, brasileiro e paulista (nas divisões Especial e Primeira). O farto currículo apresentado por Osasco nos Jogos Abertos do Interior, entretanto, pesaria até mesmo para o elenco que veio para Bauru, repleto de jogadoras juvenis, acompanhadas pela líbero Camila Brait, única atleta de Seleção destacada para a competição. 

 

Ontem, com a segunda vitória em três jogos, obtida sobre Araraquara por 3 sets a 0 (25/20, 25/18 e 25/19), no ginásio Panela de Pressão, o time comandado pelo mesmo treinador, que conduz as vitórias das estrelas Thaísa, Jaqueline, entre outras, Luizomar de Moura, está na final dos Abertos e tem a chance de carimbar mais um título para Osasco. 

 

Hoje, a equipe briga pelo título, justamente contra o algoz de sexta-feira, o São Bernardo, que encerrou, ao menos oficialmente (independentemente da ausência do time titular do Sollys/Nestlé), a série de vitórias de Osasco (desde janeiro), por disputados 3 sets a 2. 

 

Contudo, enfatiza o treinador Luizomar de Moura, ao menos quanto à postura em quadra, nada deve ser corrigido. 

 

O técnico ressalta que o time trazido para Bauru é muito jovem e que a pressão pela vitória está do outro lado da quadra. “O outro time (São Bernardo) é completo, com jogadoras mais experientes”, resume Luizomar. 

 

Apesar de treinar jogadoras da Seleção Brasileira, o técnico também tem um vasto histórico no trabalho de base. Até mesmo para seguir nesta linha, veio a Bauru com o elenco “B”. 

 

“Atuei muito em Jogos Abertos e sei da responsabilidade da competição. É a oportunidade das mais novas conviverem com os ídolos, caso da Camila Brait e jogadoras das seleções de base”, observa o treinador, justificando também, mais uma vez, a ausência da maioria das titulares. “É questão de calendário. Respeitamos o público, cidade e Jogos”, assegura. “Trouxemos um time competitivo, tanto é que vamos brigar pelo título”, anuncia. 

 

 

Missão cumprida

 

Para a líbero Camila Brait, única integrante do time titular do Sollys/Nestlé, a equipe desempenhou o papel proposto antes da viagem para Bauru, que era chegar à final dos Jogos Abertos. 

 

Segundo a jogadora, para a decisão, o elenco vai estudar as principais jogadas de São Bernardo e se concentrar ao máximo para uma revanche na final. “Vamos estudá-las para neutralizar as principais jogadas delas”, antecipa Camila. “A gente representa o Sollys com um time B. As demais equipes estão aqui todas completas. Portanto, estamos de parabéns”, valoriza. 

 

 

Beleza que dá trabalho

 

Não há como passar em branco. As jogadoras de vôlei, independentemente à divisão em disputa nos Jogos Abertos do Interior, não chamam a atenção apenas pelo talento e dedicação em quadra. A beleza e o cuidado com que tratam da aparência, antes e após as partidas, também merece muito valor. 

 

Admirada por tudo o que faz dentro de quadra, a multicampeã Camila Brait, de Osasco, também coleciona fãs, e suspiros, do lado das arquibancadas. 

 

Modesta, ela prefere deixar o quesito “beleza e simpatia” para os fãs. “Lindas nada, a maquiagem até borra. A unha lasca, mas é normal”, descontrai. “O que importa é a gente tentar ganhar o jogo. Depois arrumamos tudo”, completa. 

 

Entre as atletas de Araraquara, o resultado em quadra não foi dos melhores. Afinal de contas, elas perderam para Osasco (3 sets a 0). Contudo, as unhas da mulherada estavam em dia, mesmo após a dura parada na Panela de Pressão.  Sou muito vaidosa e toda semana pinto as unhas de uma cor diferente, mudo sempre”, orgulha-se a ponteira Fernanda Tomé. Sobre todo o capricho sob risco de ser perdido mediante ao jogo duro, a atleta minimiza. “Estragou, depois conserta”, diz. 

 

A cada jogo, o time de Araraquara entra com um conjunto de desenhos diferentes. A responsável pela arte nas mãos do grupo é a ponta oposta Gabriela. “Eu invento a moda para a gente jogar”, diverte-se a atleta, que garante. “Não se trata de superstição”.Pudera. Ontem, as meninas foram desclassificadas e já voltaram para Araraquara. 

 

 

Torcedor oficial atrai holofotes

 

Uma das figuras que chamam atenção, fora das quadras, nas partidas do time de Osasco nos Jogos Abertos é o torcedor “oficial”, Luiz Henrique de Brito. Paulistano, o aposentado de 61 anos acompanha, religiosamente, a todas as partidas da equipe do Sollys/Nestlé, seja na Grande São Paulo ou qualquer outro lugar do País. 

 

A devoção em torno das meninas de Osasco, garante, é bancada pelo próprio bolso. Tanto é que até mesmo empréstimo bancário Brito já fez, para custear as despesas de viagem. “Fiz um parcelamento com o banco, mas tudo é por minha conta”, garante. 

 

Toda essa paixão, explica ele, começou no final da década de 1990 quando os filhos atuavam nos times de vôlei masculino e feminino do Corinthians. Coruja também com os colegas de time, ele seguiu acompanhando as jogadoras quando boa parte se transferiu para a representação de Osasco. 

 

Hoje os filhos não jogam mais. Contudo, garante o aposentado, os mesmos apoiam sua paixão pelo esporte. 

 

Brito era presença marcante também na partida de ontem, que carimbou a vaga de Osasco na final, contra São Bernardo. Com uma faixa incentivando o público na Panela de Pressão “torçam muito, elas merecem”, ele ajudou a empurrar o time para a decisão, um grande teste para o pé-quente do torcedor. 

 

Divisão Especial está próxima da cidade

 

O time feminino de vôlei de Bauru, representado pelo elenco do Iesb Preve/Semel, está próximo de integrar a principal divisão do voleibol paulista. 

 

A cúpula do time, dirigido por Adriano Pucinelli, está em conversações adiantadas com a Federação Paulista para ser alçado, ano que vem, à Divisão Especial do voleibol paulista. Os contatos com o presidente da entidade, Renato Pera, já estão feitos para uma visita do dirigente à cidade, quando ele deve vistoriar as instalações de treino e jogo do Iesb Preve/Semel. 

 

De acordo com o diretor do time, entretanto, a vistoria deve ser formalidade. O convite, considera Pucinelli, é praticamente certo. O maior desafio seria montar um time que faça jus ao nível do campeonato e exigência da torcida. 

 

“O convite não é o difícil. Atualmente não temos condição (de formar time para brigar por melhores posições numa eventual Divisão Especial). Mas estamos em negociações bastante avançadas de parcerias que podem viabilizar nossa equipe na Especial, seja para 2013 ou 2014”, detalha Adriano. 

 

Segundo ele, o crivo da Federação para o ingresso de Bauru no principal módulo de disputa do vôlei feminino estadual também está próximo já que o atual vencedor da Primeira Divisão, o Bradesco/Osasco (campeão justamente em cima do Iesb/Preve, semana passada), abriu mão do direito de integrar a Divisão Especial (onde a cidade já é representada pelo Sollys/Nestlé). 

 

Para o treinador Osvaldo Altafim Júnior, a ideia de jogar a Especial é interessante. Contudo, ressalva, é preciso muito cuidado para não decepcionar a torcida bauruense. 

 

“Mesmo que ocorra (o convite), a gente acha que muita coisa ainda deve ser feita. Temos um bom time, que não ficaria nem em último ou penúltimo (da Especial)”, considera. “Temos um nível de São Caetano ou Araraquara, tranquilamente”, compara. “Mas sabemos que o público bauruense é exigente. Para darmos um passo desses temos de estar estruturados e conscientes. A última palavra não é minha, é dos diretores. Mas precisamos tomar muito cuidado com essa situação”, pondera. 

 

 

Superliga

 

Além da Divisão Principal, o time de Bauru, adianta Pucinelli, também poderá integrar, no mesmo prazo de tempo estimado para alçada ao módulo máximo de disputa do voleibol feminino estadual, também a Superliga B. 

 

A competição, porta de entrada para o maior campeonato da modalidade no País, também é pleiteada pelo time masculino de Bauru. Ontem, em declaração à TV Record, o coordenador da equipe, o ex-ponta da Seleção Brasileira, Max Jeferson Pereira, disse que a equipe também articula participação na competição. 

 

 

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