Ciências

Cor da pele: seremos todos mulatos!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

 

Uma criança pode ter a pele clara ou escura, mas a cor uniforme é homogênea no corpo todo. Não nascemos manchados como onças e tigres. A parte mais superficial da pele chama-se epitélio e sua espessura  corresponde a 10 a 30 células, formando uma verdadeiro papel de parede. Na parte interna do epitélio as células são esféricas como bolinhas de isopor, mas achatadas na parte externa da pele. 

 

Pela interação com o ambiente, as células superficiais se descamam e são levadas pela água do banho, contato com roupas, objetos e pessoas. Soltamos escamas onde estamos; na cama, nem se conta! Ao abraçar e se rolar com alguém, são milhões de células por todos os lados.

 

A descamação na pele é tanta que as células mais profundas devem proliferar constantemente. A medida que se descamam na superfície, novas migram da parte profunda deste papel de parede para a superfície, levando 24 dias neste trajeto. Pode-se dizer que daqui 25 dias sua pele será outra! Tal como as cobras, também trocamos o couro, embora de forma diferente! 

 

As células superficiais da pele se transformam em camadas de uma proteína muito resistente e opaca: a queratina. Ela não deixa transparecer o tecido conjuntivo com seus vasos e sangue, a pele fica opaca, contrastando com as mucosas róseas que não tem queratina. Imagine um piso com 10 a 30 tijolos de espessura: eis o epitélio cutâneo!

 

As bolinhas, tijolos ou células do epitélio da pele podem ser chamadas de queratinócitos. Entre os queratinócitos mais internos ou basais temos uma célula muito especial, os melanócitos, que tem a forma semelhante à de uma aranha pelos seus prolongamentos. Os queratinócitos basais ficam um ao lado do outro, e de 4 em 4, entre eles, se interpõe um melanócito com seus prolongamentos tocando-se em 36 células.

 

 

 

Melanina

 

Tudo tem sua razão, nada é por acaso! Os melanócitos produzem um pozinho acastanhado que, por dar cor, pode ser considerado um pigmento com o nome de melanina.

 

Os milhões de queratinócitos são transparentes e os raios solares ultravioletas B chegam nos seus núcleos, alteram seu DNA, genes e podem produzir o câncer. Gentilmente, os melanócitos doam seus pigmentos de melanina aos queratinócitos vizinhos que os colocam sobre o núcleo, amontoando-os ali como um boné ou chapéu. Assim, os raios UVB não chegam ao núcleo e não teremos o câncer. Quanto mais melanina, maiores e mais protetores serão os chapéus sobre o núcleo. Os negros raramente tem câncer de pele!

 

A cor da pele é determinada pela presença de mais ou menos melanina. Na pele muito branca têm se muito pouca melanina; nos albinos ela está ausente! Nos negros, a melanina está exuberante! A melanina dá cor e nos protege do sol, e melhor, do câncer!

 

Os orientais não são amarelos. Na época de Marcopolo, viajantes pela China perceberam a cor amarela dos nativos, mas na verdade eram terra e substâncias presentes nas águas dos rios onde tomavam banho diariamente e assim adquiriam aquela cor. Os índios, por sua vez, não tem pele vermelha, mas o urucum e outras plantas que eles passavam na pele, sim!

 

Eles se repelem!

 

Os melanócitos produzem e doam seus pigmentos para os queratinócitos, com os quais se relacionam muito bem. Mas os queratinócitos “se odeiam”! Um não suporta ficar perto do outro: entre eles devem ter sempre 4 a 6 queratinócitos: se repelem! Meu Deus, por que esta aversão? Assim eles não se concentram, não se ajuntam e se distribuem homogeneamente pelo corpo e a pele assume uma cor uniforme! Nada é por acaso!

 

Os povos e pessoas mais antigas achavam que os negros tinham muito mais melanócitos que os brancos. Não! Todos os humanos tem o mesmo número médio de melanócitos. Nos brancos, os melanócitos produzem menos melanina que nos mulatos e negros. Infelizmente esta propriedade menos funcional deixa a pele branca menos adaptada ao ambiente e mais vulnerável a certas doenças como o câncer de pele, por exemplo. 

 

Os brancos irão se adaptar ao longo das gerações. O ancestral de brancos e negros é o mesmo. As migrações e fixações do homem levaram a adaptações ao ambiente e demora milhares de anos para mudar o padrão humano. A mesma quantidade de melanócitos nas várias cores de pele e a produção diferenciada de melanina em cada uma, reforçam que não existem raças e sim etnias que se adaptaram cada qual em um lugar!

 

A genética já havia revelado a inexistência de raças, mas outros dados como os dos melanócitos reforçam os achados e impulsionam a mudança de mentalidade nesta época, ainda cheia de preconceitos!

 

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