Cultura

A dança do desejo

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Por ser considerado um típico “acasalamento” - com passos que expressam desde a paixão até a agressividade - muita gente pode considerar o tango uma dança “difícil”. Será?

Para o bailarino Claudemir Souza (Pablito), “o tango é simplesmente é um abraço, um caminhar e nada mais...”.

É com muita dedicação e paixão a esta dança que Pablito e a parceira inseparável de dança e de vida, Nilza Coqueiro Pires de Sousa, querem quebrar todos os preconceitos e dificuldades que cercam o tango e impedem que mais pessoas saiam bailando este gênero de dança de salão.

A dupla, inclusive, comemora dez anos de carreira este ano e é uma das poucas, quando não a única, a representar o Brasil e Bauru em festivais pelo País e no berço do tango, a Argentina.

Já alcançaram um dos títulos mais importantes quando o assunto é concurso de tango: foram campeões do Festival Nacional de La Falda, em Córdoba, Argentina. O troféu, de 2008, está exposto no Centro do Professorado Paulista (CPP).

Segundo Nilza e Pablito, são o único casal brasileiro a conquistar um título de campeão de tango em terra argentina, neste tipo de festival.

Apesar das conquistas em todos esses anos de carreira, ainda há muito o que superar. Uma das principais dificuldades diz respeito à falta de patrocínio financeiro. “Nesses dez anos, temos participado de importantes festivais, só não temos participado mais por falta de verba e apoio. A gente não tem patrocinador oficial, e gostaríamos que esse tipo de dança fosse mais valorizado e reconhecido”, admitiram.

Outro desafio é mostrar que o tango pode ser dançado por pessoas de qualquer faixa etária.

“Queremos popularizar o tango, expandir esta dança, ver mais pessoas bailando”, afirma Pablito. “Nosso público forte em Bauru é a terceira idade, mas gostaríamos que o público mais jovem se interessasse mais”, ressaltou. “Quando se baila o tango, qualquer faixa etária aprecia, mas o que percebemos é que existe certo receio de aprender, porque é uma dança que aparenta ser difícil. As pessoas pensam que vão começar pelos passos complicados, mas não é bem assim”, alega o casal.

“Os iniciantes precisam passar pelo tango de salão e, depois, dependendo do objetivo de cada um, aí sim se escolhe uma vertente, como o tango de cenário, por exemplo”, completam.


Profissionalização

Outro desafio para profissionais de dança como Nilza e Pablito tem relação com a busca de valorização através da profissionalização, que garante a formalidade da atividade.

Porém, o que os dois percebem é que ainda persiste o pensamento de que dançarinos não são profissionais. “Músico tem cachê, por menor que seja. Já quando se trata de bailarino, as pessoas querem que você se apresente gratuitamente, pois a maioria não considera a dança uma profissão”, problematiza Nilza.

“E há poucos dançarinos com registro profissional, o que acaba desvalorizando ainda mais nosso trabalho”, destaca.

Apesar dessa dificuldade, a boa notícia é que tem se ampliado o mercado para os profissionais de dança, de qualquer estilo. Fora dos palcos do teatro e das academias, a dança tem sido requisitada nos mais diversos tipos de festas.

Serviço

Aulas com o casal Nilza e Pablito podem ser iniciadas em qualquer época do ano.

São voltadas para níveis iniciante, intermediário, avançado - ou para profissional de dança de salão.

Aulas são individuais ou em grupo, adaptadas de acordo com o perfil e, claro, objetivo do aluno.

Local: sede do CPP Bauru (rua Joaquim da Silva Martha, 29-59).  Contato: (14) 9773-5655.

 

Passo vai, passo vem...

O tango uniu Nilza e Pablito, literalmente. Os dois se aproximaram por meio das aulas de dança. Na época, Nilza era professora e Pablito, seu aluno, que teria se matriculado em suas aulas apenas para reconquistá-la. Foi daí que o casal jamais se separou, na vida e no tango.

Pablito e Nilza se profissionalizaram no tango através dos estudos na Associação de Maestros, Bailarines y Coreografos del Tango Argentino, que reúne profissionais ligados a esse estilo de dança. Pablito também faz parte da diretoria do Sindicato dos Profissionais da Dança do Estado de São Paulo. Ele aproveita para agradecer, além do CPP, também a Associação de Dança de Bauru (Adab).

O momento mais marcante da carreira viria na oportunidade de apresentação no Festival Nacional de La Falda, em Córdoba, na Argentina, em 2008, em que saíram campeões. “Foi especial. Dividimos camarins com artistas e bailarinos bem conceituados”, lembrou o bailarino.


Sem imitação

Para o casal Nilza e Pablito, é importante que todo “baile” de tango não seja uma imitação de qualquer coreografia. “Cada bailarino dança o tango de um jeito, cada um tem seu estilo e particularidade. O francês não baila igual ao brasileiro, que não baila igual ao argentino... apesar de termos estudado a história do tango argentino, temos um estilo próprio. Nós montamos as nossas coreografias, com nossa visão e fazemos o possível para que o trabalho seja original, sem parecer uma imitação”, defende o casal.

 

Casal premiado

Campeões do Festival Floripa em Dança (2004), em Florianópolis (SC);

1º e 2º lugar no Encontro Barra Bonita de Dança (2007);

Campeões do Encontro Nacional da Dança (Enda) de 2007 (São Paulo);

Campeões do Festival Nacional de La Falda, em Córdoba, na Argentina (2008);

Alcance da 109º posição no Mundial de Tango de Buenos Aires/Argentina (2012), onde participaram 800 casais de todo o mundo;

Homenagem na Grande Gala do Encontro Nacional da Dança (Enda) 2012, no Memorial da América Latina (São Paulo), pelas mãos de Maria Pia Finócchio.

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