Geral

Acostamento de rodovia vira lixão

Marcele Tonelli e Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Sofás rasgados, restos de comida, roupas velhas, eletrônicos quebrados, pneus, papelão, pedaços de móveis, muito plástico, animais mortos e até vaso sanitário. O cenário, que se parece mais com um lixão, trata-se das margens do quilômetro 351 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, na altura do bairro Fortunato Rocha Lima, em Bauru. Na Marechal Rondon e na Bauru-Arealva a cena também é comum.

O lixo, espalhado nas imediações do acostamento da SP-294, impressiona motoristas, alguns moradores e até o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), responsável pela manutenção da via e que, devido à alta demanda de limpeza no local, informou estar em contato com a prefeitura para resolver a questão em uma ação conjunta.

“Isso que você está vendo acontece há muitos anos por aqui. É um desrespeito da população e um descaso do poder público com o povo. Além do lixo, tem o fogo que eles tocam nos entulhos, os usuários de drogas, os animais peçonhentos que aparecem por causa da sujeira... As crianças vivem se machucando por brincarem aqui nesse lixão”, relata a dona de casa Sônia Maria de Almeida da Silva, que mora há 15 anos nas proximidades da rodovia.

Na tentativa de amenizar a situação e convencer seus vizinhos a ajudar no enfrentamento ao acúmulo do lixo no local, a dona de casa mostra a bananeira, uma goiabeira e até pés de mandioca que plantou há dois anos às margens da via. O objetivo era de que o local tivesse uma utilidade à população, ficando livre dos lixos e entulhos.

Apesar de criativa, a iniciativa, entretanto, não interrompeu a sujeira. “Vivo brigando com um pessoal aqui por causa disso. Nem a terra produtiva é respeitada”, comenta Sônia, apontando para os restos de comida e papéis jogados no tronco da pequena goiabeira. 

Além do problema de saúde pública que o despejo irregular do lixo representa, os riscos de acidentes por conta dos materiais que acabam voando e se espalhando pela rodovia também preocupam os condutores que utilizam o trecho diariamente.

Em períodos de férias, como o de final de ano que se aproxima, a quantidade de lixo nesses locais costuma aumentar consideravelmente por conta do fluxo maior de veículos.

Caminhoneiro, José Luiz Lourenço conta que utiliza a SP-294 semanalmente para vir a Bauru e revela que, nos últimos dias, quase se envolveu em um acidente ao desviar de um pedaço de papelão no meio da pista.

“Passo sempre por lá e está complicado para os motoristas. O lixo no acostamento assusta. Uma vez precisei desviar o caminhão e quase me envolvi em um acidente por causa do lixo. À noite, a situação piora ainda mais”, lembra o condutor.

 

Emdurb anuncia mutirão de limpeza

A presidência da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) irá articular um mutirão de limpeza para equacionar o derrame irregular de lixo no km 351 da rodovia Bauru-Marília (SP-294), que já oferece riscos para quem trafega pelo local. Representantes da Emdurb, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e Obras somarão forças com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para limpar a área.

O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, se prontificou, ontem, a fazer contato com secretarias municipais e o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) para acertar a estrutura que será utilizada para limpar o local. Atualmente, o DER terceiriza a limpeza que é feita com regularidade na extensão de cerca de 6 quilômetros, nas proximidades do Núcleo Fortunato Rocha Lima.

Entretanto, a população arranca as placas sinalizando que o local não é para descarte de lixo e materiais recicláveis. O Ecoponto mais próximo do local foi instalado no Núcleo Edson Francisco da Silva, na quadra 4 da rua Durce Duarte Carrijo. O mesmo problema a Emdurb enfrenta nas proximidades da Quinta da Bela Olinda, na Bauru-Iacanga.

 


Animal morto

 

Questionado, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) demonstrou conhecimento quanto aos problemas no trecho, informando ainda que há alguns meses quando esteve no local, acabou recolhendo até um boi morto em meio aos entulhos. Na ocasião, o órgão alega ter deixado no local, após a limpeza, uma placa pedindo a colaboração dos moradores para a manutenção.

 

O pedido, entretanto, não foi respeitado e, conforme a reportagem constatou, a placa sequer existe mais. O DER ressalta que a limpeza é feita semanalmente no trecho por uma empresa terceirizada que cuida ainda dos reparos e roçada na via, mas que a situação é complicada tamanha a demanda do serviço naquela área.

 

“A limpeza era para ser realizada a cada 15 dias, mas está sendo feita toda semana. Esse lixo não é oriundo do usuário da via, mas sim dos moradores do perímetro urbano”, informou a assessoria de imprensa do DER, enfatizando que a situação do lixo no acostamento fez com que o órgão entrasse em contato com a Prefeitura Municipal de Bauru com o objetivo de articular ações conjuntas para resolver a questão.

 

 

Consumo de drogas

 

Conforme a reportagem apurou, o trecho indicado como depósito de lixo clandestino, entre a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) e o bairro Fortunato Rocha Lima, é utilizado ainda, a qualquer hora do dia ou da noite, por usuários de drogas, que se reúnem no local e montam uma espécie de cabana para usar os entorpecentes sob os olhos de quem passa ou chega à cidade por meio da rodovia.

 

 

Aterro

 

Somente 3,41% das 5.561.461 toneladas de lixo reciclável produzidas em Bauru a cada mês chegam às mãos dos recicladores. O aterro sanitário está com sua vida útil estendida para mais aproximadamente três anos graças a uma expansão.

 

A cada mês, 9 mil toneladas de lixo são encaminhadas para o aterro. Para suportar essa carga de dejetos, o aterro foi ampliado horizontalmente em uma área de 3 mil m². Já o Plano Municipal de Resíduos Sólidos continua em fase de elaboração pela prefeitura. 

 

 

Comentários

Comentários