No dia 16 último, no artigo "Justiça ou degradação moral", da dr. Adriana Nigro Cardia, gostaria de, democraticamente, discordar de alguns pontos, ou todos... 1º - Em nova Iorque, quando ela diz que hoje pode-se andar pela madrugada livremente, sem sustos, não entendi sobre combate à corrupção policial nos anos 60/70. Sua filha deve agradecer sim a campanha de qualidade de vida, batizada de política de tolerância zero, implantada no governo Rudolf Giuliani nos anos 90, reduzindo a criminalidade em 70%, onde o infrator era penalizado por qualquer delito de natureza leve (pichação, roubo, lesão corporal, etc..) Modelo totalmente contrário, pelo que entendi, ao que ela prega em seu artigo.
2º - O modelo prisional americano é muito mais rígido do que o daqui. O detento obrigatoriamente trabalha e paga sua pena integralmente, sem direito a benefício algum, como remissão de pena, regime semiaberto, saídas temporárias, etc. Isto é o que deveria ser copiado aqui mas, infelizmente, os tais direitos humanos não concordariam e não querem saber sobre a opinião pública, sem falar em alguns estados onde a lei prevê prisão perpétua e cadeira elétrica. Aqui nunca se deu tão pouco valor à vida humana... Tirar a vida de um cidadão ou um policial está custando no máximo dois ou três anos preso. Em Nova Iorque? Prisão perpétua se matar uma autoridade policial ou com tortura seguida de assassinato.
Quando o ministro da Justiça disse sobre a sistema prisional no Brasil (e falou bobagem, como pode-se ver pela repercussão na imprensa, disse isso em função da condenação dos seus pares do PT, não por respeito à sociedade, como a dra. imagina ), com certeza não foi sobre o Estado de são Paulo, onde o preso tem regalias que o cidadão honesto e trabalhador não possui, com infraestrutura de hotel, três refeições de qualidade diárias e visitas íntimas, drogas e celulares à vontade e esta aberração inexistente em país algum, as tais saídas de dias dos pais, dia das mães, natal, etc... Quando o detento condenado por latrocínio, por exemplo, pega 30 anos e sai com 2, 3 ou 4, e volta se quiser.
Obviamente que com toda esta facilidade nas leis, cresce cada vez mais a criminalidade, temos alta taxa de reincidência de crimes...sinal que não é culpa de sistema prisional arcáico, como querem nos fazer crer os pseudointelectuais e sim das leis frouxas, que incentivam e não inibem o bandido a praticar crimes. Neste mesmo dia, 17/11, em SP, uma criança de 1 ano é morta dentro de um carro por bandidos que atiraram a esmo... Estarão eles preocupados em serem presos? Desculpem-me, mas reeducando soa um tanto infantil pra bandido que deveria pagar por um crime hediondo deste no mínimo 30 anos em regime fechado, e tome abrandamento de pena, já que recentemente o STF acabou com as leis de crimes hediondos.
Degradação moral pra mim é o cidadão honesto trabalhar 6 meses por ano pra pagar impostos pra sustentar desgovernos e não poder sair às ruas sem risco de ser assaltado e morto. Obs: fosse este um país sério, o sr. governador, com esta insistência em negar o óbvio (já virou piada, vide página 2 do JC de 17/11), não admitindo que a situação é grave, mesmo diante da morte de quase 100 policiais militares, já teria perdido seu cargo por incompetência absoluta em lidar com a situação.
Parece que já acenam com a não liberação de presos fim de ano, iniciativa do Ministério Público, reconhecendo que haverá maior aumento da violência (se é que e possível mais), e a total falta de condições para fiscalizá-los. Parabéns ao sr Paulo Boccato, na tribuna do leitor do dia 18/11, disse tudo que penso. Ps: Enquanto somos massacrados pelos bandidos, ficam os detentores do poder - PT e PSDB - nesta fogueira das vaidades, cada um querendo jogar no colo do outro a responsabilidade de ambos.
João Jorge Nogueira