Cada vez mais ousados, criminosos invadiram o Bauru Shopping, na madrugada de ontem, e furtaram cerca de 300 relógios de uma loja de departamento que funciona como uma das âncoras do empreendimento. Pelo menos um cofre foi arrombado, mas o estabelecimento não divulgou o volume de dinheiro levado.
Extraoficialmente, até a tarde de ontem, a informação era de que a quantia girava em torno de R$ 8 mil. Nenhuma outra loja foi invadida. Imagens do circuito interno de segurança teriam filmado a ação dos ladrões ainda nos corredores do shopping, mas nenhum suspeito foi preso.
Segundo informações prestadas pela assessoria de imprensa do empreendimento, as gravações já foram disponibilizadas para a polícia. O caso corre sob investigação da Delegacia de Investigações Gerais e do 3º Distrito Policial (DP).
O furto ocorreu durante a madrugada, quando todas as lojas já estavam fechadas. Não houve arrombamento de nenhuma das portas do shopping, o que levanta a suspeita de que a entrada dos criminosos tenha sido facilitada.
O fato de terem levado um grande volume de mercadorias, com foco especificamente em relógios e dinheiro, faz a polícia acreditar ainda que o bando possa ter tido acesso a informações privilegiadas. “Trata-se de gente que conhecia a rotina da loja. Mas ainda não identificamos possíveis suspeitos”, limitou-se a dizer o delegado seccional Marcos Mourão.
Após entrarem no shopping, os ladrões utilizaram um pé de cabra, que foi abandonado no local, para arrombar duas portas do corredor que dá acesso ao estoque da loja-âncora. Dentro do depósito, vasculharam particularmente a área onde ficavam concentrados os relógios.
Malotes
Também reviraram e abriram malotes, mas não houve confirmação da quantidade de dinheiro levada. Pelo menos um cofre foi esvaziado depois de ser aberto com a ajuda de uma furadeira. Um segundo cofre também apresentava sinais de ter sido perfurado com o mesmo equipamento, mas a reportagem não conseguiu confirmar se ele foi efetivamente violado.
A polícia não soube explicar como ninguém teria ouvido o barulho produzido pelo instrumento. Também não houve confirmação sobre a quantidade de vigilantes e funcionários de manutenção e das obras de expansão do shopping que estavam no empreendimento durante a madrugada.
O crime só foi descoberto na manhã de ontem, quando uma funcionária chegou para abrir a loja. As polícias Civil e Militar foram acionadas e trabalharam o dia todo para contabilizar os bens furtados e coletar pistas que pudessem auxiliar na identificação dos criminosos.
A perícia no local só foi concluída por volta das 15h, mas, como toda a movimentação ficou concentrada no setor administrativo do estabelecimento, o atendimento ao público não precisou ser interrompido.
O boletim de ocorrência registrado no Plantão Policial foi censurado à imprensa e a gerência da loja foi orientada a não conceder entrevistas. Conforme o JC apurou, até mesmo os funcionários teriam sido aconselhados a não comentar o caso com clientes, amigos e parentes.