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Mauro Amaral é diretor da Confederação Brasileira de Xadrez |
Pano para manga desde antes do início dos Jogos Abertos – mediante a denúncia de preço “incompatível” pago pelo produto – as peças de xadrez utilizadas na competição em Bauru continuam dando o que falar. A jogada, desta vez, é do árbitro internacional e diretor da região Sudeste da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), Mauro Amaral.
Na cidade com a condição de integrante da equipe de Pindamonhangaba nos Jogos Abertos, Amaral não poupa as críticas sobre as já polêmicas peças, relógios e tabuleiros encomendados pela prefeitura para os Jogos em Bauru. “São as piores peças que vi na minha vida”, classifica o árbitro, com atuações em um mundial, um olimpíada da modalidade e 15 pan-americanos.
Para ele, as peças não seguem o padrão internacional - um rei, exemplifica, deve ter no máximo 10 cm de altura. Essa falha, observa o árbitro, reflete a própria falta de incentivo à prática da modalidade em muitas cidades. “Faltam locais para aprendizado e incentivo. Clubes específicos são os mais indicados”, observa.
Bauru não tem clube de xadrez. A ausência de um centro de desenvolvimento para a prática, lamenta Amaral, faz com que a própria modalidade perca o aproveitamento de atletas em potencial. “É a própria modalidade que perde”, lamenta ele.
Não é ‘bicho de 7 cabeças’
Experiente em torneios internacionais – chegou a arbitrar partida com duração de até 9 horas, durante o Capa Blanca, tradicional competição realizada em Cuba –, ele garante: o xadrez é uma das modalidades mais democráticas que existem, pois pode ser praticado por jogadores de todas as idades.
Ele defende que a competição de tabuleiros é, sim, um esporte e dos mais desgastantes fisicamente. “É preciso muito preparo para permanecer por cerca de quatro horas sentado”, exemplifica.
Ele garante que, em poucos dias, um iniciante consegue participar de uma simples partida. Agora, jogar com estratégia, depende de fatores externos. “É preciso de preparo, ensino. Isso, só com um instrutor”, enfatiza.
Ideal tanto para crianças em pleno desenvolvimento de raciocínio quanto para idosos que querem manter a memória, o xadrez, incentiva o árbitro internacional, deve ser cada vez mais praticado nas escolas e por meio de projetos extracurriculares ou clubes nas cidades.
“O cérebro é igual aos músculos. Quanto mais exercitado, melhor fica. Do contrário, também atrofia”, conceitua.
Serviço
Mais informações sobre a modalidade, torneios e sobre a própria trajetória de Amaral, que, apesar de representar Pindamonhangaba, é paulistano, no site www.xadreztotal.com.br.