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Gestão empresarial: não há espaço para improviso

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

No século passado muitas empresas foram forjadas no que podemos denominar de gestão por tentativa e erro. Havia espaço para isso. Não raramente um empreendedor iniciava seu pequeno negócio e as duras penas iniciava a construção de uma empresa mais sólida. Não planejava seu crescimento, mas tinha consciência que com lucro reinvestido no próprio negócio garantiria sustentação ao longo do tempo. O improviso era a tônica diária.

Em determinado momento da história da empresa o empreendedor/sócio se dava conta que precisava profissionalizar. Normalmente optava por alguém da própria família, por facilidade ou confiança, e esperava que os frutos viessem. Quando a pressa era maior buscava profissionais no mercado, mas ficando muito perto do empreendimento. Praticavam a velha e conhecida frase de que "o porco engorda quando há o olho do dono". Até mesmo a inflação elevada ajudava a mascarar custos elevados e a falta de produtividade. Como a concorrência era baixa, tinham todo tempo do mundo para que os negócios se consolidassem. Em outras palavras: começavam pequenas e iam ganhando corpo ao longo do tempo. Mesmo com gestão de bombeiros, ou seja, todo dia pagando incêndios, conseguiam sobreviver no mercado. Possuíam produtos que poucos fabricavam ou revendiam.

No mundo empresarial atual as coisas mudaram. A concorrência é acirrada. Não há mais tantos produtos inovadores e os ganhos são marginais. O consumidor pode comprar um produto em simples click. As opções são as mais variadas e para todos os bolsos. Um negócio de sucesso aqui é a montagem de um concorrente ali. A agilidade nas decisões é questão de sobrevivência. Não há mais espaço para improviso. Ou se faz planejamento, traçando estratégias de vendas, custo e lucro, ou é devorado pelo mercado. Saber exatamente aonde quer chegar e trabalhar no planejamento estratégico para que isso efetivamente ocorra, garante vida longa aos negócios.

A visão é global. O conhecimento do negócio também ter que ser global. Mesmo com o global a atuação tem ser local, isto é, o consumidor precisa ser encantado e para tanto o relacionamento é cada vez mais o grande diferencial. Não basta gerar demanda pelo preço, é preciso mais. Conhecer o perfil deste consumidor, saber de suas expectativas e conhecer seu potencial de consumo, são diferenciais que permitem ampliar vendas, como colocado, fidelizando. Não pense que estas questões valem somente as grandes empresas: é para todos os portes de negócios. A expectativa que neste período do ano o planejamento de 2013 esteja em curso e que a visão do negócio para os próximos anos esteja alicerçada. Para que tudo isso seja verdade é preciso ir além do trivial, é preciso sair da zona de conforto e buscar novos conhecimentos para que efetivamente o planejamento esteja presente no negócio, no empreendimento. Tentativa e erro? Sem espaço na gestão empresarial.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC

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