Barra Bonita - No último feriado de 15 de novembro quem resolveu passear em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) avistou algo diferente, mas indesejável: espumas no rio Tietê. Para representante de ONG e analista ambiental, as espumas são um alerta de que a “saúde” no médio Tietê merece mais cuidados.
O fato foi registrado por um grupo de canoístas, que costumam percorrer o local a bordo de caiaques. Um dos integrantes desse grupo, Sidney Aguiar, que é analista de meio ambiente, explica que a formação dessas espumas depende basicamente dos fatores hidrobiológicos.
“Geralmente os fatores antrópicos nesses casos estão ligados à grande quantidade de detergentes, que são despejados em rios sem tratamento prévio que reagem com o oxigênio através do turbilhonamento das águas por meio da correnteza das águas aumentando o volume de espumas”, disse.
A formação de espuma fica mais intensa quando os vertedouros das barragens são abertos, conforme salienta Hélio Palmesan, presidente executivo da Organização Não-Governamental (ONG) Mãe Natureza.
“Os vertedouros das barragens são abertos para melhorar a oxigenação da água, que oscila muito aqui no Tietê, principalmente porque estamos na piracema. Acho que foi o caso desse feriado, e por isso as espumas superficiais ficaram mais aparentes. A movimentação intensa desta água já forma espumas naturais, como acontece no mar, mas isso não deixa de ser um sinal de alerta de poluição”, salientou.
De onde vem?
Apesar da cidade de Barra Bonita estar investindo na preservação do rio Tietê, acima dela existem outras cidades muito habitadas e industrializadas. O presidente da ONG Mãe Natureza estima que exista uma média de 32 milhões de pessoas às margens do Tietê.
“A espuma é formada também por conta do sabão, que é lançado no esgoto. Por isso o esgoto é uma preocupação muito grande. Sabemos que muitas cidades estão investindo na recuperação deste rio, mas este cuidado e investimento não pode parar. Se há espuma, é sinal de que existe poluição e que é necessário ficarmos alerta”. Ele relembra ainda que no ano passado a cidade passou por um alerta.
Sidney Aguiar complementa a linha de raciocínio de Palmesan lembrando que as espumas absorvem a oxigenação do rio. “Essa poluição vista em Barra Bonita esporadicamente é consequência direta da combinação de descarte de detergentes domésticos e industriais a montante de Barra Bonita e possivelmente resquícios de poluição vindo da região metropolitana de São Paulo. Essas espumas absorvem oxigênio das águas, com isso as águas tendem a perder oxigênio e pode causar morte de peixes e odores desagradáveis”.
Para finalizar, Hélio Palmesan diz que acredita na recuperação do Tietê nos próximos anos com os investimentos nas cidades, ação fiscalizadora dos órgãos que expendem licenças e a educação ambiental.