Os tiros de largada, palmas de incentivo a saltadores ou hinos de premiação foram interrompidos, em total e respeitado minuto de silêncio, ontem à tarde, no Milagrão, no exato momento em que era sepultado, em São Carlos, o corpo de uma das maiores legendas do atletismo brasileiro, Nelson Prudêncio.
Ex-atleta do salto triplo (ídolo de Jadel Gregório), Prudêncio estava com 68 anos e morreu por consequência de um câncer de pulmão. Prata nas Olimpíadas de 1968 (México) e bronze em 1972 (Munique), Prudêncio deixa importante legado, observa o atual campeão brasileiro no salto triplo.
“O Brasil perde. Ele fez muito por nosso País. Pedimos para que ele tenha descanso, que colha os frutos que plantou nesta vida. Que a família possa ter bastante luz. O Brasil e todos os saltadores sentirão muita falta dele” lamenta Jadel Gregório.
Num misto de emoções, quem também manifestou muito pesar pelo falecimento de Prudêncio, e não evitou as lágrimas logo após anunciar, nos alto-falantes do Milagrão, o sepultamento do ídolo nacional da modalidade foi Ricieri Desem, coordenador do atletismo nos Jogos Abertos do Interior.
Ele fez o anúncio do funeral de Prudêncio logo após receber uma placa em homenagem às décadas que dedicou ao atletismo pela Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude, da qual se aposentou ontem. Muitas das lembranças, inclusive, diretamente relacionadas ao convivo com Prudêncio. “Sempre fomos amigos, o conhecia há muito tempo”, resume, com os olhos marejados.
Ricieri enaltece os feitos de Prudêncio, mas também lamenta fatos que contribuíram para o definhar da saúde do ex-campeão. “Ele era fumante, não estava bem”, resume.
“O mais importante que fica é o exemplo dentro das pistas, espelho que motivou muitos dos atletas que competem aqui hoje (ontem)”, valoriza o, agora, ex-coordenador do atletismo nos Abertos.