Despida de togas, becas e dos tradicionais protocolos, a comunidade jurídica de Brasília participou ontem à noite da posse do mais novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa.
Quem, de fato, roubou a cena foi seu colega, Luiz Fux, que subiu ao palco, catou uma guitarra e soltou a voz. O ministro Marco Aurélio Mello acompanhou o show na boca do palco.
Barbosa não acompanhou o performance. Para ele, a noite foi de pop star. Não conseguiu sentar, comer e beber, ao menos em público.
Do momento em que chegou, por volta das 21h, até ir embora, já depois das 2h, era cercado pelos convidados, abraçado, beijado.
O assédio era tanto que, perto das 22h, ele não aguentou e, protegido por seguranças e assessores, deixou o salão da festa e foi tomar um ar.
Obama
Os amigos que vieram de outros países, impressionados com o que viam, comentavam ser impensável em seus países --França, Alemanha, Estados Unidos-- um presidente de Suprema Corte com tamanha popularidade.
Ao ver a fila que se formava em torno do amigo, comentavam: "He's the brazilian Obama [Ele é o Obama brasileiro]", em referência ao presidente dos Estados Unidos.
Barbosa ganhou notoriedade por ser o relator do processo do mensalão, cujo julgamento, que já dura mais de três meses, condenou 25 réus, entre eles o homem forte dos primeiros anos do governo Lula, o ex-ministro José Dirceu.
A noite passava, e Barbosa continuou até o fim cercado de gente, até que ele foi para uma sala reservada, onde uma poltrona ortopédica foi armada para ele descansar. Lá fora, a festa corria solta, regada a uísque escocês 12 anos e espumante nacional. Uma banda brasiliense (DF Music) começou a tocar.
Na pista de dança, ministros, advogados, assessores se embalavam com músicas como "YMCA", do grupo Village People, e "I will survive, de Gloria Gaynor.
Tim Maia
Mas nada foi tão comentado como a performance de Fux, que apresentou uma versão de "Um Dia de Domingo", do cantor Tim Maia.
Depois da apresentação, Fux comentou que fazia muito tempo que ele não tocava.: "O importante é a gente ser bom no que faz e ser feliz".
O ministrou contou que foi aconselhado pelos colegas do Supremo a subir no palco: "Falei com o Marco Aurélio, com o Joaquim e eles falaram: mete bronca".
Mais cedo, na sessão que empossou Barbosa, Fux havia feito o discurso de boas-vindas ao colega.
O novo vice-presidente da corte, Ricardo Lewandowski, também era homenageado na festa. Muito assediado, tirou fotos com os convidados.
Em determinando momento, ativistas do movimento negro fizeram uma fila para abraçá-lo e cumprimentá-lo: ele foi relator de um dos casos que declarou a constitucionalidade das cotas raciais.
Enquanto Fux tocava, o ministro do Supremo José Antonio Dias Toffoli falava com amigos em outra parte do salão, acompanhado da namorada Roberta.
As pessoas o questionaram se a festa dele, quando assumiu uma cadeira do Supremo, estava mais animada que a de Barbosa.
Naquela ocasião, em 2009, amigos de Dias Toffoli começaram a entoar gritos de guerra dizendo que ele era o melhor ministro do Brasil.