Emagrecer é objetivo central de muita gente com a proximidade do verão - mesmo que, para isso, a saúde esteja em risco. É que a proibição do uso de remédios emagrecedores provoca uma corrida a medicamentos para o tratamento do diabetes e outros como “alternativa”. Isso é errado - e arriscado.
Para entender melhor: uma resolução de dezembro do ano passado expedida pela a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso de emagrecedores com a justificativa do risco à saúde e dúvidas sobre a eficácia. A sibutramina está liberada com restrições. Seu consumo caiu 34,5% no Brasil após a decisão da Anvisa.
A nutricionista e farmacêutica Eliane Petean Arena sabe de relatos de pessoas utilizando remédios para o diabetes, por exemplo, com a intenção exclusiva de perda de peso, que é um efeito colateral dos medicamentos.
Eliane faz o alerta de que o organismo terá suas funções sobrecarregadas, interpretando como toxina a medicação para o tratamento do diabetes que não é necessária no organismo.
Em decorrência, avalia a nutricionista, haverá produção de radicais livres responsáveis pelo processo de envelhecimento precoce.
Ela cita ainda o uso de enzimas responsáveis pela eliminação de toxinas e digestão de alimentos, provocando uma lentidão no metabolismo e seu desequilíbrio. Na prática, passado algum tempo, ocorre uma recuperação do peso. “A pessoa fala que tomou determinada medicação e engordou duas, três vezes mais”, pontua.
Eliane cita que a gordura é um processo inflamatório. Eliminá-la com uso de remédios não traz à tona a causa que formou o tecido gorduroso.
Para avaliar um paciente, Eliane estuda a vida social, a genética e a química.
Outros vilões
Eliane Petean Arena tem se preocupado com o ganho de peso das pessoas que considera “absurdo”. Ela tem observado em sua atividade diária que as pessoas estão inchadas. As causas seriam duas: ou calor ou alimentação incorreta. A nutricionista rechaça o uso de temperos prontos, que considera “veneno” para o organismo e responsáveis pelo inchaço, por sua grande concentração de sódio. Ela também descarta os refrigerantes pela presença de sódio.
Eliane frisa que a perda de peso saudável está atrelada à eliminação de gordura e com a manutenção da musculatura. Ela é nutricionista e farmacêutica. Atua no Centrinho e na clínica Centro Nutrição Celular.
Médicos defendem emagrecedores
A médica endocrinologista Telma Gobbi contesta a forma como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em dezembro do ano passado, os medicamentos realmente emagrecedores - criados para este fim.
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolodia (SBEM) brigam para reverter a resolução da Anvisa.
A médica argumenta que não há estudos científicos com qualidade para acabar com o debate sobre os efeitos dos remédios emagrecedores. Ela define que nenhum medicamento é totalmente isento de efeito colateral. No entanto, a médica endocrinologista defende o uso de maneira controlada e com acompanhamento médico especializado.
A médica não ignora que há casos de uso de remédios de forma indiscriminada, inclusive de medicamentos para o tratamento do diabetes por pessoas que só desejam emagrecer. A endocrinologista pontua que o contrabando de medicamentos também é um problema porque a pessoa não tem qualquer acompanhamento e certificação da qualidade do medicamento consumido.
Obesidade
Telma Gobbi salienta que a obesidade é uma doença crescente no Brasil e no mundo. Segundo a médica endocrinologista, a doença gera outros problemas como hipertensão, infarto, derrames, diabetes entre outros males. Ela cita que as campanhas não têm obtido resultados satisfatórios. Para a endocrinologista, as campanhas têm que se voltar para as crianças.
Uma pesquisa da Northwestern Medicine, dos EUA, alerta para o risco de neutralizar os efeitos positivos dos exercícios ao se ficar sentado o dia todo. De acordo com a pesquisa, mesmo que a pessoa frequente academia, o fato de passar o resto do dia sentada é altamente prejudicial, sendo este um dos fatores responsáveis pelo aumento de casos de obesidade. O estudo divulgado no site da revista Cosmopolitan.
Segundo Lynn Craft, uma das autoras do estudo, muitas pessoas acreditam que a atividade física diária de 30 a 40 minutos é o suficiente para manter a boa saúde. “Claro, os exercícios são muito importantes e estão associados a muitos benefícios, mas o tempo que se fica sentado traz muitas consequências negativas”, sugere.
Lynn acrescenta que esse fato aumenta a propensão ao diabetes, a doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Por isso recomenda a adoção de mudança de hábitos diários, como tentar passar mais tempo em pé, ir até a mesa do colega em vez de resolver pelo telefone ou e-mail, ou, simplesmente, levantar e dar uma voltinha no meio do expediente.
Sedentarismo
Uma pesquisa do Ministério da Saúde (MS) apontou que 16,4% dos adultos são sedentários e 25,8% dos brasileiros gastam três ou mais horas de seu lazer vendo TV. O estudo também mostrou que somente 15% dos adultos são ativos no tempo livre, com maior proporção entre os homens (18,5%) do que entre as mulheres (12%). Os dados foram apurados em 2009 na formulação do inquérito telefônico realizado anualmente pelo MS, Vigitel, em 26 capitais e Distrito Federal.
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