Esportes

Solta o grito...É Bi...

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 7 min

Quioshi Goto

Jogadores desfilam em carro de som pelas ruas de Bauru

Preço pago é hora de degustar o banquete. O Noroeste venceu o Audax, ontem pela manhã, por 1 a 0 e conquistou de forma incontestável o bicampeonato da Copa Paulista – o time bauruense já havia vencido o primeiro jogo no Alfredão por 2 a 1.

Uma conquista para lavar a alma do centenário clube de Bauru, que passou por uma temporada turbulenta fora de campo, mas não deixou qualquer incerteza administrativa perturbar seu desempenho em campo e termina o ano com a taça na mão. Como o técnico Moisés Egert pregou, o time teria que pagar o preço da conquista para se saciar com o banquete da glória. Dito e feito. O Norusca, de quebra, fatura uma vaga na próxima edição da Copa do Brasil, torneio que não disputa desde 2007.

 A finalíssima de ontem, no Estádio Nicolau Alayon, foi bem disputada e o time bauruense fez um bom primeiro tempo e soube ser letal no momento em que o adversário, pressionado pela necessidade de vitória, partiu para a pressão, marcando o gol da vitória e controlando qualquer situação adversa para garantir o bi – já havia sido campeão em 2005.

 

Incontestável

Ontem, o Norusca soube atuar com o regulamento. Como havia vencido em casa, um empate bastava. Mas ao contrário do que alguns poderiam imaginar, Moisés Egert armou um time precavido, bem postado, mas longe de ser retranqueiro.

A primeira oportunidade foi do Noroeste. Gilsinho acionou Mizael, que passou pela marcação e cruzou na área. O centroavante Roberto se atrapalhou na hora de cabecear e acabou facilitando para a defesa do Audax. O time da Capital respondeu com Caio, após o Norusca perder a posse na saída de bola. Walter fez a defesa firme no meio do gol. O Noroeste com marcação adiantada dificultava a criação do Audax. Aos dez, Gilsinho pegou forte de fora da área e exigiu boa intervenção do goleiro Sidão.

 Somente a partir dos 15 minutos, o Audax começou a encontrar mais espaço para articular suas jogadas e passou a insistir pelo lado esquerdo de seu ataque. Aos 24, Paulo César cruzou e Hélio cortou para escanteio, assustando o goleiro Walter, pois a bola passou raspando a trave direita. Aos 32, o Norusca chegou novamente. Velicka cruzou da direita e a bola tinha endereço certo da cabeça de Roberto, mas a zaga do Audax conseguiu o providencial desvio. Porém, dois minutos depois, Rafael saiu sozinho na frente da marcação, invadiu a aérea e ficou de frente para Walter. Ralph conseguiu a recuperação a tempo de travar a finalização e salvar o Norusca.

 O Alvirrubro não se abalou e Diogo mandou a bomba da quina da áera e Sidão conseguiu tocar e mandar por cima do gol. A seguir, Walter fez milagre e salvou o Noroeste. O ex-noroestino Francis passou pela marcação e saiu cara a cara com o goleiro alvirrubro, que conseguiu fechar o ângulo e fez defesa milagrosa, impedindo a abertura do placar e decretando o 0 a 0 na primeira etapa. 

O Audax voltou para o segundo tempo para dar outro susto na torcida noroestina. Aos nove minutos, Rafael recebeu na área, levou a marcação e a bateu cruzado, rente à trave esquerda de Walter, que só pode olhar. Na sequência, novamente, Rafael causou a maior confusão na área alvirrubra, mas desta vez a defensiva noroestina levou a melhor e conseguiu o desarme. A pressão seguiu e Lima conseguiu travar finalização de Juninho, que acabara de entrar. O Norusca ainda perdeu Ralph, que deixou o gramado lesionado para a entrada de Samuel. Aos 18, Juninho ajeitou para Paulo César, que chutou por cima do gol de Walter.

Quando o sufoco era maior, o Noroeste fez o gol. Gilsinho abriu para o atacante na direita, Diogo limpou a marcação e mandou a bomba indefensável para Sidão: Noroeste 1 a 0, aos 20 minutos. Uma ducha de água fria nas pretensões do Audax.  

 Mas o time da Capital não estava morto. Aos 32, Juninho escapou pela direita e arriscou. A bola desviou no meio do caminho e Walter conseguiu a defesa no reflexo.  Aos 38, como Audax em cima e espaços sobrando, Daniel Grando puxou contra-ataque do campo de defesa, conduziu e bateu colocado. O goleiro Sidão salvou para fazer grande defesa. Aos 41 minutos, a grande torcida alvirrubra que compareceu ao estádio soltou o grito de “bicampeão”. No campo, o jogo rolava, o Audax se esforçava, mas a taça já tinha dono. Aos 44, quase o time bauruense consegue ampliar, com Velicka, que pegou de primeira cruzamento de Mizael. O “uuuhhh” da torcida precedeu a festa que se iniciou em campo com o apito final.

 

Festa Alvirrubra

A festa do título começou ainda no gramado do Nicolau Alayon, e se estendeu durante a noite com a chegada dos campeões a Bauru

 

Quioshi Goto

Quioshi Goto

Neide Carlos

Neide Carlos

 

 

Percalços e superação

Troca de técnico, saída dos Garcia e redenção marcam caminhada do título

O caminho do Noroeste até o título da Copa Paulista não foi calmo. O time bauruense enfrentou turbulências dentro e fora de campo para garantir sua segunda conquista da competição. Após indefinições no final da temporada passada e montagem de uma equipe às pressas pelo técnico Amauri Knevtiz, que ficou em quinto da Série A-2, uma campanha considerada acima das expectativas para um elenco formado a toque de caixa e que, a princípio, deveria “apenas” manter o time na A-2. Base mantida para a Copinha e reforços pontuais chegaram com o discurso de preparar a equipe para brigar pelo acesso em 2013. O time iniciou a Copinha já pensando em ter um elenco praticamente pronto para a Série A-2, mas não engrenou.

Divisor de águas

Com um saldo de duas vitórias, quatro empates e duas derrotas, o time vinha aquém das expectativas da diretoria na Copinha. Chegou o dia 28 de agosto e o clássico com o Marília no Estádio Alfredo de Castilho. A partida, pela rivalidade e clima de insatisfação com a campanha no Alvirrubro, ganhou importância decisiva no semestre. Veio a derrota por 2 a 0, divisor de águas na Copinha para o Norusca. Knevitz foi demitido. Luciano Sato, então coordenador da base, dirigiu a equipe contra o América no jogo seguinte, fora de casa, com uma vitória por 2 a 1, em São José do Rio Preto, no dia do aniversário dos 102 anos noroestinos.

Na mesma data, a diretoria anunciou oficialmente a contratação do técnico Moisés Egert. O discurso de laboratório foi abandonado e a classificação para a segunda fase veio com um empate fora de casa com o Penapolense e uma goleada, no Alfredão, sobre a Santacruzense. O Noroeste avançou em terceiro lugar e encarou Rio Claro, Paulista e Osasco na sequência da competição.

Sem Damião

Todos os noroestinos estavam acostumados a apelar para seo Damião ou até mesmo “são Damião”, tamanha a dependência do clube de seu presidente e benemérito. Mas no dia 26 de setembro o clube amanheceu sem Damião. O empresário deixou o comando do Noroeste da noite para o dia e ocasionou uma turbulência sem precedentes nos últimos nove anos, período em que o clube atravessou bonança financeira e administrativa. Incertezas passaram a cercar qualquer projeção sobre o futuro alvirrubro e a insegurança dentro e fora do gramado imperou.

A crise administrativa não atingiu o campo. O empresário Toninho Gimenez assumiu interinamente a presidência e administrou a crise, juntamente com a diretoria, e ganhou o apoio da cidade. A base pagou o preço e as categorias sub-15 e sub-17 foram desativadas. A família Garcia seguiu com o patrocínio master da Kalunga, cotas foram adiantadas e o time ganhou tranquilidade para render em campo. Egert comandou a equipe para fazer a melhor campanha do grupo, com duas vitórias, três empates e uma derrota. O time bauruense avançou em primeiro lugar e no mata-mata passou por Capivariano e Velo Clube para chegar à decisão do título contra o Audax. O título não escapou e o time conquistou o bicampeonato.

Comentários

Comentários