Cairo - O presidente do Egito Mohamed Mursi voltou a dizer ontem que os decretos que aumentaram seu poder têm caráter temporário.
Em comunicado, ele se comprometeu a levar em conta “todas as correntes políticas” no momento de redigir uma nova Constituição para o Egito.
Mursi justificou seus “superpoderes” dizendo que eles são “necessários para conseguir responsabilizar aqueles que tomaram parte na corrupção e em outros crimes durante o regime anterior e o período de transição”.
O governo egípcio enfrenta uma série de protestos de juízes e da oposição, que acusam Mursi de ter se tornado um novo ditador. O presidente já disse que não é sua intenção concentrar poderes e sim diminui-los.
O líder diz que, por meio de suas ações, será possível “evitar uma politização do Judiciário nacional” e “abortar qualquer tentativa de dissolução da nova Assembleia Constituinte e do Parlamento”. Ambos os órgãos são dominados por apoiadores de Mursi.
O Conselho Judicial Supremo egípcio também se pronunciou neste domingo e disse que os decretos impostos pelo presidente só devem ser utilizados em “questões de soberania”.
Em declaração à TV estatal do país, o órgão pediu que os juízes mantenham seus escritórios funcionando, depois que alguns importantes membros do Judiciário anunciaram que entrarão em greve para protestar contra o presidente.
Confrontos
Depois dos decretos de Mursi, o Egito voltou a viver cenas parecidas com a versão local da Primavera Árabe, que, em 2011, levou à deposição do ditador Hosni Mubarak. Em locais como a praça Tahrir, no Cairo, simpatizantes e oposicionistas de Mohamed Mursi se enfrentam desde sexta-feira.
Ontem, enfrentamentos aconteceram perto da rua Qasr al Aini, que dá acesso às sedes do Parlamento e do Conselho de Ministros. A rua está atualmente isolada por um novo muro de concreto levantado pelas autoridades.
Cerca de 261 pessoas já ficaram feridas nesses enfrentamentos, de acordo com o Ministério da Saúde. 128 deles são policiais, segundo o Ministério do Interior.