Regional

PF prende detetive em Lençóis Pta.

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - A Polícia Federal de Bauru prendeu ontem um detetive particular de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), acusado de vender informações privilegiadas com acesso a bancos de dados sigilosos. A ação faz parte da Operação Durkheim, deflagrada pela Polícia Federal em São Paulo. Ao todo no País foram presos 27 suspeitos.

Até a Federação Paulista de Futebol (FPF) foi alvo da missão - o gabinete do presidente da entidade, advogado Marco Polo Del Nero, foi inspecionado, assim como seu escritório de advocacia.

O delegado da PF de Bauru Ênio Bianospino explica que apenas foi designado a cumprir os mandados de busca e apreensão em Lençóis Paulista na residência do detetive. “É uma operação sigilosa deflagrada pela Polícia Federal de São Paulo. O detetive, o qual não podemos informar nenhum dado de sua identidade, foi preso às 6h em sua residência”, disse.

Na casa do suposto detetive, a Polícia Federal apreendeu também diversos eletrônicos, entre eles, seis gravadores digitais e três analógicos, microfones amplificados, interceptador direcional (aparelho que capta o sinal de rádio), mídias e computadores. Todo este material foi apreendido.

O homem foi preso e trazido para Bauru, onde participou de longa oitiva na Polícia Federal. Ao final da tarde ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Avaí, onde deverá permanecer até decisão judicial. O nome da operação é alusão à morte do policial - Durkheim, intelectual francês, escreveu “O Suicídio”.

 

Prisão de policiais

Em todo o País foram presos 27 suspeitos - inclusive policiais federais, civis e militares - de envolvimento com duas organizações criminosas que se instalaram em cinco Estados e no Distrito Federal, uma voltada para a prática de crimes financeiros, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, outra para quebra de sigilo e espionagem contra políticos, empresários e magistrados.

A PF identificou 180 vítimas dos arapongas que adquiriam informações protegidas pelo sigilo em órgãos públicos e operadoras de telefonia. Entre as vítimas estão dois desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo, um senador, um ex-ministro de Estado, um banco, uma filial de emissora de TV e o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Os agentes encontraram com a rede de espionagem cópias de extratos de contas de telefone e outras informações sobre Kassab.

Em São Paulo, três bancas de advocacia foram inspecionadas. A investigação começou em setembro de 2011, a partir da morte de um agente da PF em Campinas - ele se suicidou em dezembro de 2010, sob suspeita de vazamento de informações das administrações municipais de Hortolândia e Indaiatuba.

Um grupo era especializado na espionagem ilegal, que usava reiteradamente a violação de sigilo fiscal, telefônico, bancário e até consulta de banco de dados criminais.  A outra banda da organização, relacionada com policiais, era especializada em remessas ilegais de valores para o exterior.

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, indiciado ontem pela Polícia Federal por suposto envolvimento com integrantes de organizações criminosas, disse que contratou empresa “prestadora de serviços” para obter informações “mais detalhadas acerca da vida pretérita” de uma pessoa - da qual não revela o nome - “em face da necessidade de formalizar situação jurídica de caráter eminentemente pessoal com terceira pessoa”. Del Nero afirma que essa pessoa “nada tem a ver com suas atividades de direção da Federação Paulista de Futebol” e que tudo foi feito “dentro da mais estrita legalidade, inclusive apresentando certidões e informes a todos disponíveis nos registros públicos”. Ele sustenta que localizou a empresa na internet, “em publicidade comercial”.

 

* Com Fausto Macedo e Fernando Gallo

 

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