Bairros

Caso Tripodi: patroa relata ameaças

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Na tarde de ontem, foi realizada no Fórum de Bauru a segunda audiência do assassinato da vendedora Fernanda Tripodi, 26 anos. Foram ouvidas duas outras testemunhas de acusação. Uma delas, a ex-patroa da vítima, contou que ouviu várias vezes Fernanda reclamar que era ameaçada de morte pelo seu ex-marido, Roberto Carlos Fagundes, 44 anos, o principal acusado do crime.

A audiência, que foi acompanha com exclusividade pelo Jornal da Cidade, ocorreu na 4.ª Vara Criminal. Fagundes esteve presente juntamente com o padeiro Antônio Carlos Ferraz, 40, que também é acusado de ter participado do homicídio. Além deles, há também o mototaxista Carlos Henrique dos Santos Leite, 31, entre os réus. Ele, entretanto, não pôde comparecer por falta de escolta.

A patroa de Fernanda foi a primeira testemunha a ser ouvida. Ela contou que a jovem fazia faxina em sua residência duas vezes por semana e que, frequentemente, reclamava de Fagundes.

“A Fernanda dizia que ele brigava sempre e era muito ciumento. Ela também me contava que, quando dizia que ia se separar, ele a ameaçava de morte”, relatou a mulher.

Durante o tempo em que trabalhou na casa da testemunha, Fernanda Tripodi teria se separado duas vezes de Fagundes. “Uma vez, ela fugiu de casa e pediu que eu a ajudasse. Perguntou se eu cuidaria do seu filho menor caso ela morresse”.

A patroa ainda contou que, certa vez, Fernanda disse que o acusado a teria chamado para Ribeirão Preto, porém, parou em um canavial próximo a Duartina (38 quilômetros de Bauru). “Ela acreditou que iria morrer naquele dia”.

A segunda testemunha foi a funcionária da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Mary Dota que encontrou o carro de Fernanda dias após o desaparecimento da vítima. Ela, porém, somente relatou que o veículo ficou cinco dias estacionado de forma irregular na parte externa da unidade.

 

Calmaria

No dia 15 do mês passado, outras dez testemunhas de acusação foram ouvidas. Entre elas, estavam familiares de Fernanda, policiais que investigaram o caso e até a mulher que localizou a ossada da vítima. Na ocasião, houve muito tumulto entre os presentes. Ontem, porém, o clima foi de calmaria.

O advogado de Roberto Carlos Fagundes, Sidiney Nery de Santa Cruz, não esteve presente na audiência de ontem e foi solicitado um defensor para representá-lo. Já os asvogados de Antônio Carlos Ferraz e Carlos Henrique dos Santos Leite foram à audiência, porém, não fizeram muitas perguntas às testemunhas.

Agora, resta ouvir ainda uma testemunha de acusação: Vera Regina, 41 anos. A diarista vivia com o acusado foragido em Santa Catarina quando ele foi preso. Na ocasião, ele a agrediu brutalmente, o que fez com que fosse preso.

A mulher vai ser ouvida por carta precatória e o seu depoimento será anexado ao processo. Somente depois, começam a ser ouvidas as sete testemunhas de defesa, o que ainda não tem data para ocorrer.

 

Relembre o caso

Fernanda Tripodi, 26 anos, desapareceu em 17 de dezembro de 2009 após sair de sua casa, localizada no Núcleo Nova Bauru, com o carro da família. Na ocasião, ela deixou dois filhos - hoje com idades de 6 e 11 anos – e a polícia passou a suspeitar de latrocínio.

A hipótese ganhou força poucos dias após, quando o veículo da vendedora de roupas foi localizado com bastante sangue no porta-malas. Logo, porém, o marido de Fernanda, Roberto Carlos Fagundes, virou o principal suspeito nas investigações. Antes que fosse capturado, ele fugiu.

Somente em outubro do ano passado, uma nova pista apareceu: duas mulheres encontraram uma ossada na estrada municipal Bauru-Santelmo. No mês passado, veio a confirmação divulgada com exclusividade pelo JC: os ossos eram da vendedora.

Uma semana depois, Fagundes foi encontrado em Santa Catarina, mas não pela suspeita do crime pelo qual era procurado. Foi preso pela polícia daquele Estado por espancar sua atual companheira. Além dele, dois amigos - Antônio Carlos Ferraz e Carlos Henrique dos Santos Leite – também foram acusados do crime.

No dia 3 de abril, após mais de dois anos de angústia, os familiares conseguiram finalmente dar adeus a Fernanda Tripodi. Ela foi enterrada no Memorial Bauru. 

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