Tribuna do Leitor

Feriado é Brasil parado!


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Parece-me inacreditável que o Dia da Consciência Negra tenha sido declarado feriado em centenas de cidades. Acho justo o trabalho de conscientização, mas repudio a politização do movimento e, o que é pior, a criação de mais um feriado! Raciocine-se o seguinte: com o fim da escravatura, o Brasil foi invadido por imigrantes de diversas partes do mundo que aqui chegaram em condições de miserabilidade para ocupar o lugar deixado na lavoura. A maioria atravessou o Atlântico em navios apinhados de gente e chegou com apenas uma mala de roupas para trabalhar em situação de total desconforto e desamparo estatal. A labuta ia de sol a sol, mormente por ser uma época em que "direito trabalhista" não fazia parte do vocabulário dos empregadores. Foram explorados pelos produtores da época que, inconformados com a perda de mão-de-obra gratuita, recusavam-se a diminuir seus lucros para pagar decentemente "gente de fora".

Os imigrantes trouxeram um progresso sem precedentes ao Brasil. Sem eles, muitas regiões ainda estariam amassando trigo sob a mó. Aliás, as regiões sul e sudeste não são portentosas à toa. Destino final de italianos, espanhóis, japoneses, árabes, alemães e eslavos, dentre outros, com eles vieram a educação, saneamento, cultura, urbanização, gastronomia, infraestrutura, enfim, um comportamento progressista, evolucionista e então ainda desconhecido para um Brasil recém saído da atrasada era colonial.

Se a proposta afro fosse realmente distinção histórica ? ao invés de meramente político-eleitoral, por qual razão não se decreta feriado nacional para saudar o Dia dos Imigrantes, que sequer existe? Mais ainda: fazer do Dia do Índio, povo igualmente escravizado na lavoura colonial, humilhado e quase levado à extinção, outro feriado nacional? Índio não é gente ou a "causa indígena" não merece tratamento igual? De qualquer modo, são teses que acabam por gerar mais discriminação do que igualdade.

Todavia, tanto um, quanto outro, jamais se justifica o retrocesso de um país não cresce por gozar quase 30 dias em feriados dos mais diversos. O Brasil não pode parar mais um dia para que a cultura negra comemore suas raízes. Podem e devem fazê-lo, mas não às custas da interrupção da produção nacional.

Ivan Garcia Goffi

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