Brasília - Numa cerimônia discreta, Teori Zavascki, 64 anos, tomou posse ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) como o terceiro ministro indicado pela presidente Dilma Rousseff para a corte e o 165.º a ocupar uma cadeira no tribunal (veja quadro).
Ele ocupa a vaga deixada por Cezar Peluso em setembro, em meio à análise do mensalão, julgamento que completa quatro meses na próxima semana. O novo ministro disse que não vai participar da reta final do caso, mas julgará recursos.
Protocolar, a solenidade durou cerca de 15 minutos e pela tradição da corte não houve discursos. Entre as autoridades presentes estavam os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS), além do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Após a cerimônia, Zavascki se emocionou e chorou quando recebeu um abraço de sua mãe, Pia Maria, 97 anos, também muito emocionada.
Natural de Faxinal dos Guedes (SC), ele estava desde 2003 no Superior Tribunal de Justiça. Antes, foi desembargador do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, com sede em Porto Alegre.
Pesou na escolha da presidente um perfil mais técnico, sem vinculações políticas e sem atração por “holofotes”.
Teori herdará o gabinete de Peluso. Desde que ele saiu, a equipe do ministro aposentado fez uma “faxina” no gabinete e já separou, por exemplo, todos os processos em que o novo integrante do tribunal não poderá participar, por ter atuado nos casos quando passaram pelo STJ.
A indicação de Dilma por Teori dividiu o PT. Uma ala não gostou por ele ser muito próximo ao desafeto Gilmar Mendes. Outros setores acharam um bom nome, pois o consideram garantista - favorável aos direitos de réus.
Teori teve a mais rápida indicação de Dilma, 11 dias após a saída de Peluso. Rosa Weber foi escolhida em três meses, e Luiz Fux, em seis.
Agora, as atenções se voltam para quem vai substituir o ex-ministro Carlos Ayres Britto, que se aposentou.