A Polícia Civil, por meio do 1.º Distrito Policial de Bauru, pediu ontem que o inquérito da investigação do pai que deixou o filho de 4 anos no carro após grave acidente seja prorrogado por mais 30 dias. A peça-chave que ainda falta na apuração é o laudo da Polícia Científica apontando a velocidade do veículo.
O acidente ocorreu na madrugada do dia 27 de outubro, na quadra 16 da avenida José Henrique Ferraz, próximo ao Recinto Mello Moraes. O pai do menino, Gilmar da Silva, 32 anos, conduzia um Renault Scenic quando colidiu contra a traseira de um caminhão estacionado.
Após o acidente, o homem teria abandonado seu filho dentro do carro. A Polícia Militar e o Samu foram acionados para atender a ocorrência. Gilmar da Silva se apresentou quatro dias após o acidente à polícia e responde ao inquérito em liberdade. De acordo com sua defesa, ele não fugiu do local. A tese é de que o homem procurou socorro, porém, por conta da colisão, saiu vagando desmemoriado pela cidade.
Um inquérito foi instaurado no 1.º DP para apurar tentativa de homicídio com dolo eventual - quando a pessoa assume o risco de matar. “Já ouvimos os familiares dos envolvidos e outras testemunhas. Já recebemos um laudo da Polícia Científica que nos deu vários subsídios para elucidar os fatos”, afirma o delegado Dinair da Silva.
Ele, entretanto, explica que ainda falta uma peça-chave na história: saber a velocidade em que Gilmar da Silva dirigia quando o acidente ocorreu. “Foi pedido um laudo complementar para verificar isso. No local, a velocidade máxima é de 30 quilômetros por hora. O acidente deslocou um caminhão e causou danos de grande monta no carro. Queremos saber se, com tal estrago, ele estava na velocidade permitida”.
O titular do 1.º DP, Dinair da Silva, relata que, no local, há lombadas e placas de sinalização. “Além disso, estava de noite e chovendo. Ele precisaria ter mais cautela ainda. Também sabemos que a criança não estava no compartimento obrigatório para sua idade”. Fora a velocidade do automóvel, a polícia investiga ainda uma suposta embriaguez ao volante. “Tecnicamente, não dá mais para comprovar isso. Porém, os depoimentos das testemunhas podem entrar nesse conjunto”, complementa.
O menino deu entrada no HC de Botucatu no dia do acidente. Ele ficou pouco mais de 20 dias internado, sendo que a maior parte foi na UTI. No último dia 19, o garoto teve alta e voltou para Bauru.
Mais provas
Além do laudo atestando a velocidade do automóvel conduzido por Gilmar da Silva, o titular do 1.º DP, Dinair da Silva, afirma que ainda espera alguns documentos para concluir o inquérito. Um deles foi solicitado exatamente após uma reportagem do Jornal da Cidade.
Trata-se de registros da Polícia Militar (PM) sobre uma confusão que teve o envolvimento de Gilmar pouco antes do acidente. “Fiz esse ofício para saber a hora, circunstância e local em que essa confusão ocorreu”, aponta o delegado.
Dinair da Silva destaca ainda que aguarda fichas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do hospital em que a criança estava internada. “Falta também ouvir mais um familiar”, conclui.