Polícia

Vingança gerou morte de preso enterrado com a tornozeleira

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Matou para vingar o pai. De acordo com a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), foi isso que motivou Lúcio Roberto da Silva Júnior, 22 anos, a matar o mototaxista Luiz Carlos Eloy, 41 anos. O caso chamou a atenção, uma vez que a vítima era um reeducando e, conforme o JC revelou com exclusividade, foi sepultada com a tornozeleira por conta de um erro da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) (leia mais abaixo).

Luiz Eloy cumpria pena há três anos no Centro de Progressão Penitenciária 1 (CPP1) por tráfico de drogas e associação. Ele já estava no regime semiaberto e foi beneficiado com a “saidinha” do Dia das Crianças.

Na noite do dia 20 de outubro, o reeducando foi baleado na quadra 25 da avenida Comendador José da Silva Martha, na Vila Santista. Antes de ser alvejado, Eloy ainda foi derrubado de sua motocicleta. A vítima passou seis dias internada no Hospital de Base (HB), onde morreu.

De acordo com o titular da DIG, Kleber Granja, quando foi socorrido, Eloy teria dito aos policiais militares que o autor do homicídio seria o “Juninho, filho do Lúcio”. O tal Lúcio seria Lúcio Roberto da Silva, um homem que foi morto em 2008.

“Nas investigações, já tínhamos indícios de que o Luiz Carlos Eloy estava envolvido no homicídio do Lúcio. Quando ele, em seu leito de morte, diz que foi baleado por Juninho, as peças se encaixaram”, destaca o delegado.

O Juninho é Lúcio Roberto da Silva Júnior, que ficou um período desaparecido após a morte do Luiz Eloy. Algum tempo depois, por intermédio do advogado, apresentou-se na DIG. “Ele negou veementemente o crime. Porém, aceitou se submeter a um exame residuográfico”.


Provas

E ele foi incriminado exatamente por esse exame, que, entre outras substâncias, detecta a presença de micropartículas de chumbo. “O resultado desse teste foi positivo”, declara Kleber Granja.

Com base no laudo, policiais foram até a casa de Juninho, localizada no Jardim Solange, e o prenderam por volta das 17h de anteontem. Na residência, foi localizado um coldre, porém, nenhuma arma foi achada.

Lá, havia ainda um automóvel Gol branco, o qual o suspeito não explicou a procedência. “Debaixo do carpete do carro, foi encontrado um estojo de munição deflagrada. Trata-se de um projétil de 9 milímetros. Iremos realizar o exame de balística para confrontar essa munição com a que foi retirada do corpo da vítima”.

Na ocasião do assassinato, surgiu a hipótese de que várias pessoas estivessem no carro juntamente com o autor do crime. “Até agora, nada apontou a isso”.

Apesar de as investigações da Polícia Civil indicarem que Lúcio Roberto da Silva Júnior é o autor, ele nega o crime. O jovem já tem passagens por tráfico e foi conduzido, sob prisão temporária de 30 dias, para a Cadeia Pública de Avaí.

 

Ciclo de mortes

As investigações apontam que o assassinato de Luiz Carlos Eloy fez parte de um ciclo de mortes digno de filmes de faroeste. O delegado Kleber Granja conta que Luiz Eloy estaria envolvido na morte de um homem em 2008.

Foi justamente por vingança que Eloy teria sido assassinado pelo filho deste homem, Lúcio Roberto da Silva Júnior, em outubro. Mas o que levou Eloy a se envolver na morte do pai de Juninho? Outra morte.

As apurações indicam que o homem investigava sozinho o assassinato de seu outro filho. As “apurações” esbarraram em Eloy e o crime ocorreu.


Exumação

Ontem, a advogada que representa a família do reeducando Luiz Carlos Eloy, 41 anos, afirmou que a exumação do corpo do homem para retirada da tornozeleira ainda está suspensa pela Justiça. “Estamos aguardando a SAP se pronunciar”, explicou a defensora Daniela de Moraes Barbosa.

O equívoco que culminou com o sepultamento do reeducando com o equipamento revoltou a família. Após ser questionada pela reportagem do JC, a SAP atribuiu a confusão a uma “falha de comunicação” entre a unidade prisional na qual Luiz Carlos Eloy cumpria pena e o HB.

Porém, a secretaria disse que seria necessário exumar o corpo para recuperar a tornozeleira. A família acionou a Justiça e o procedimento foi suspenso. De acordo com a advogada, a SAP vai avaliar se há algum risco de segurança deixar a tornozeleira no túmulo e colocar fim ao caso.

 

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