Quem nunca se deparou diante de uma rua que leva nada a lugar nenhum? Se por um lado as ruas sem saída atrapalham os motoristas e são quase inúteis do ponto de vista do sistema de tráfego urbano, por outro, elas são consideradas bons lugares para se viver, exatamente pelo baixo fluxo de veículos que por elas passam (Confira as histórias de moradores nas próximas páginas).
No Centro da cidade, muitas dessas ruas e travessas parecem esquecidas pelo tempo. Ainda de paralelepípedos, elas parecem esnobar o caos do vai e vem dos veículos que passam apressados pela área central.
E, quando não são bem iluminadas, tais vias podem ser alvo de assaltantes e de usuários de entorpecentes. Entretanto, segundo o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, pelo fluxo de pessoas também ser menor, uma rua sem saída proporciona maior visibilidade aos moradores, ou seja, é mais fácil perceber pessoas estranhas com atitudes suspeitas. “A comunidade consegue monitorar a rua de maneira mais efetiva”.
Origens
Segundo o secretário municipal do Planejamento (Seplan), Rodrigo Said, há algumas explicações para a origem urbanística das ruas sem saída. Uma delas são os sítios, fazendas ou chácaras executadas em lotes nem sempre contínuos. “Nesses casos, as ruas ficam temporariamente sem saída, até que as glebas próximas sejam loteadas. A ideia é não ter ruas com tais características”.
Loteamentos irregulares, como as favelas, e a topografia com córregos e linha férrea, por exemplo, também colaboram com o surgimento das ruas sem saída.
Apesar da prefeitura não ter estimativa de quantas ruas sem saída há em Bauru, basta andar pelos bairros para notar que elas não são raras. Segundo o secretário, isso acontece porque a cidade teve terrenos loteados aleatoriamente no passado.
“Em novos empreendimentos, a prefeitura procura evitar esse efeito para desafogar o sistema viário da cidade. A rua Padre João, na altura da Praça Allan Kardec, está com um processo tramitando que visa desapropriar um imóvel para dar continuidade à rua e desafogar o tráfego de veículos na região. A ideia é evitar as ruas sem saída porque elas prejudicam o trânsito”, enfatiza Said.